Por que as novas regras para publicidade das bets são ineficazes?

Por que as novas regras para publicidade das bets são ineficazes?

Alertas sobre jogo responsável não alcançam ferramentas que estimulam a permanência, a repetição e o aumento dos valores apostados

Em 2026, o Brasil registra mais de 80 milhões de pessoas inadimplentes, enquanto as apostas on-line alcançam diferentes idades e níveis de renda. Essa realidade aumenta os riscos para famílias com o orçamento já apertado, pouca capacidade de poupar e acesso limitado à educação financeira.

Uma nova regra em vigor desde a última semana, obriga que os anúncios de bets apresentem avisos sobre moderação e riscos, mas para a influenciadora de finanças Nathalia Arcuri, ela não alcança o principal problema: a diferença entre a mensagem exibida e a experiência encontrada dentro das plataformas.

“Os aplicativos são criados para manter o usuário conectado, estimular novas apostas e incentivar depósitos maiores. Não adianta dizer ‘jogue com responsabilidade’ quando, dentro da plataforma, toda a experiência estimula a pessoa a continuar apostando. O alerta pede moderação, mas o desenho do serviço trabalha para ampliar o tempo de uso e o dinheiro colocado em cada tentativa”, aponta.

A fundadora da Me Poupe!, maior ecossistema de educação financeira do país, também questiona se a regulamentação consegue proteger crianças e adolescentes porque, embora as apostas sejam permitidas apenas para maiores de 18 anos, os anúncios aparecem em redes sociais, vídeos, transmissões esportivas e outros conteúdos acessados por menores. “A verificação de idade deveria ser mais eficiente e respeitar a classificação indicativa”, observa.

Jogo responsável

A decisão de continuar apostando também não depende apenas da vontade do usuário. Notificações, recompensas, efeitos visuais e estímulos constantes podem levar a escolhas que prejudicam o próprio orçamento. Por isso, colocar toda a responsabilidade sobre o consumidor deixa de considerar as ferramentas usadas para aumentar o tempo de uso e o dinheiro movimentado nos aplicativos.

Fernando Schmitt, CEO da Me Poupe!, avalia que a ideia de jogo responsável perde força em um país onde muitas pessoas ainda têm dificuldade para entender orçamento, juros, crédito e planejamento financeiro.

“A baixa capacidade de poupança e a falta de informação deixam jovens e famílias de menor renda mais expostos à promessa de dinheiro rápido. Falar em jogo responsável pressupõe que a pessoa compreenda os riscos, reconheça o impacto sobre o orçamento e saiba quando parar. Só que sem educação financeira, uma frase curta simplesmente transfere para o consumidor uma obrigação que também pertence às empresas, aos anunciantes e aos meios de comunicação”, explica Schmitt.

Para os especialistas, os alertas sobre dependência e perda de dinheiro representam apenas uma parte da proteção necessária, pois as regras também precisam limitar anúncios em conteúdos acessíveis a menores, controlar a frequência das campanhas e avaliar os recursos usados para incentivar novas apostas. “O setor também precisa apoiar ações permanentes de educação financeira, prevenção ao endividamento e orientação para pessoas que apresentam sinais de dependência”, finaliza Arcuri.

Crédito da foto: Imagem gerada por IA ChatGPT

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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