Atrasos de pagamento atingem 77% das empresas na América Latina
Prazo médio de pagamento entre empresas subiu de 53 para 59 dias
Em um cenário de economia frágil, empresas da América Latina estão alongando prazos e convivendo com um aumento significativo nos atrasos de pagamento. É o que revela a edição 2025 da pesquisa anual da Coface sobre o comportamento de pagamentos corporativos na região, realizada com mais de 300 companhias de seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Peru).
O estudo mostra que o prazo médio de pagamento entre empresas subiu de 53 para 59 dias no último ano, enquanto 77% dos entrevistados relataram ter enfrentado atrasos — um salto expressivo em relação aos 51% registrados em 2024. O Brasil aparece como o país com os prazos mais longos (média de 66 dias), enquanto o Equador lidera em atraso, com média de 70 dias.
Apesar disso, o levantamento indica que quase 70% das empresas estão confiantes em uma melhora dos negócios em 2026, mesmo diante de riscos persistentes como juros altos, desaceleração econômica, competição acirrada e volatilidade cambial.
“Empresas sul-americanas estão se adaptando a um ambiente desafiador: elas estendem prazos de pagamento para sustentar as vendas, ao mesmo tempo em que enfrentam atrasos mais frequentes. Embora a visibilidade para 2026 seja cautelosamente otimista, restrições de financiamento, volatilidade cambial e incertezas comerciais permanecem como principais preocupações”, explica Patricia Krause, economista da Coface para a América Latina.
De acordo com a pesquisa, a ferramenta mais utilizada pelas empresas latino-americanas para mitigar o risco de atraso é a gestão interna de crédito, citada por 60% dos entrevistados. Em seguida aparecem a cobrança especializada (28%), o seguro de crédito (28%) e o uso de relatórios e recomendações de bureaus de crédito (15%).
Destaques do Brasil na pesquisa
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Maior prazo médio de pagamento da região: 66 dias
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Mais de 77% das empresas enfrentaram atrasos em 2025
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Brasil e Colômbia lideram restrição de crédito corporativo na região
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Juros foram citados como principal risco por 53% das empresas brasileiras
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Exportações brasileiras afetadas por nova tarifa de 50% dos EUA
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70% das empresas projetam melhora dos negócios em 2026, apesar dos riscos


