Quem ganha e quem perde com as novas regras da Reforma Tributária

Quem ganha e quem perde com as novas regras da Reforma Tributária

Especialista analisa os impactos da mudança para empresas de diferentes setores

Aprovada após décadas de debate, a reforma tributária promete simplificar o sistema fiscal brasileiro, substituindo uma estrutura fragmentada por um modelo mais racional e moderno. Mas, para o ambiente corporativo, os efeitos vão muito além da simplificação. A mudança deve redistribuir competitividade entre setores e regiões, criando desafios para empresas menos preparadas.

De acordo com Gustaffson Casemiro, tributarista e sócio do GuerraBatista Consultores, o ponto central é a alteração do eixo de arrecadação. “Estamos saindo de um modelo baseado na origem da produção para outro baseado no destino do consumo. Isso muda profundamente a dinâmica competitiva entre empresas e estados”, afirma.

Quem tende a ganhar

Setores como varejo, e-commerce e serviços estruturados devem sentir os principais benefícios, com redução da cumulatividade e maior transparência fiscal. Empresas com presença nacional também devem experimentar ganhos operacionais significativos. “Hoje, uma companhia que atua em diferentes estados enfrenta legislações variadas de ICMS, ISS e PIS/COFINS. Com a unificação, o custo de compliance cai, o que representa um avanço importante na eficiência operacional”, explica Casemiro.

Além disso, regiões com alta concentração de consumo, como Sudeste e Sul, tendem a se beneficiar da nova lógica de arrecadação, o que pode impulsionar o investimento local e fortalecer economias regionais.

Quem pode perder

Por outro lado, setores intensivos em mão de obra e com margens menores, como educação, saúde privada e serviços tradicionais, podem enfrentar aumento de carga tributária. “Esses segmentos, que hoje contam com alíquotas reduzidas de ISS, podem sentir um impacto financeiro relevante se não houver compensações adequadas”, avalia o especialista.

Outro ponto sensível é o período de transição, que se estende até 2033. Nesse intervalo, será essencial ajustar contratos, rever precificação e atualizar estratégias regionais. “As empresas precisam se antecipar e mapear o impacto das novas regras. Ignorar o movimento é correr o risco de perder competitividade”, alerta Gustaffson Casemiro.

Para as empresas, a reforma é um divisor de águas. Representa oportunidade para quem planejar e risco para quem adiar decisões, já que o novo sistema tributário premia eficiência, governança e visão de longo prazo. Mais do que entender a legislação, é hora de revisar o modelo de negócio e preparar a operação para um novo ciclo de competitividade.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *