Grandes empresas devem acelerar a distribuição de lucros diante da nova lei de tributação

Grandes empresas devem acelerar a distribuição de lucros diante da nova lei de tributação

Com a mudança no Imposto de Renda, instituições buscam brevidade para distribuir lucro ainda em 2025

A partir de janeiro de 2026, lucros e dividendos pagos por uma empresa a uma mesma pessoa física residente no Brasil que excedam R$ 50 mil por mês passarão a ser tributados pelo Imposto de Renda de Pessoas Físicas (IRPF) à alíquota de 10%, conforme Projeto de Lei nº 1087/2025 sancionado pelo Governo Federal. Como a regra só entra em vigor em janeiro do próximo ano, ficam isentas as distribuições aprovadas até 31 de dezembro de 2025, mesmo que o pagamento seja realizado posteriormente.

A iminente vigência da nova lei de tributação deve transformar a forma como grandes empresas planejam sua remuneração a sócios e acionistas. Segundo o economista e diretor da Alpha Wave Capital, Tiago Hansen, o fim da isenção dos dividendos distribuídos a pessoas físicas estabelece um novo ciclo de ajustes fiscais, reorganização societária e redefinição de políticas empresariais. “A partir das novas regras, os lucros passam a sofrer tributação no momento da distribuição. Essa mudança altera toda a lógica de planejamento tributário que vigorou por anos no país”, afirma Hansen.

O objetivo declarado do governo é ampliar a arrecadação e aproximar o Brasil de modelos internacionais, já que a tributação de dividendos é prática comum em diversos países. Entretanto, Hansen ressalta que, globalmente, essa cobrança costuma vir acompanhada de reduções significativas no imposto sobre o lucro das empresas, o que não ocorre de maneira plena no Brasil. “Sem esse ajuste compensatório, há risco de aumento real da carga tributária total e não apenas uma redistribuição entre empresas e pessoas físicas”, explica.

A mudança surge em um momento de forte pressão fiscal, busca pelo equilíbrio das contas públicas e necessidade de elevar receitas. Para Hansen, a medida pode influenciar o consumo, o investimento corporativo e o fluxo de capitais, repercutindo diretamente nas decisões empresariais no curto prazo.

Antecipação de dividendos deve se intensificar ainda em 2025

Com a taxação de dividendos, diversas empresas estão revisando suas políticas internas. Para muitas, a alternativa tem sido antecipar distribuições de lucro ainda dentro das regras atuais. “Já observamos empresas e famílias empresárias se antecipando para aproveitar o regime vigente. Esse movimento deve se intensificar até o final de 2025, especialmente neste mês que antecede a vigência plena da nova lei”, projeta o economista.

Ao mesmo tempo, Hansen alerta que decisões precipitadas podem comprometer a saúde financeira das companhias. Uma eventual antecipação deve considerar fatores como fluxo de caixa, endividamento, planejamento societário, capital necessário para investimentos futuros e objetivos patrimoniais dos sócios.

Com o novo custo tributário sobre os dividendos, muitas empresas devem optar por reter capital e direcioná-lo ao crescimento. “A tendência é de aumento do reinvestimento, seja para expansão, aquisições ou redução de endividamento. No médio prazo, esse movimento pode até fortalecer a produtividade da economia”, avalia Hansen.

Impacto direto no investidor pessoa física

A mudança também chega ao investidor brasileiro, tradicionalmente atraído por ações pagadoras de dividendos e fundos imobiliários. Com a tributação, a rentabilidade líquida desses ativos diminui, exigindo reorganização das estratégias de geração de renda passiva.

Para o investidor, devem ganhar destaque fundos multimercado, pela eficiência tributária do modelo, renda fixa privada e pública, ainda favorecida pelos juros elevados, fundos internacionais, que ampliam diversificação e proteção cambial, e previdência privada, como ferramenta de diferimento fiscal. Hansen ainda afirma que será necessário considerar o impacto tributário líquido, ampliar a diversificação e adotar alocações com maior gestão ativa.

Com um ambiente mais complexo e menor atratividade dos dividendos diretos, o economista prevê maior demanda por soluções estruturadas no mercado financeiro. “Gestoras terão papel essencial. O investidor tende a migrar de estratégias puramente passivas para fundos multimercado globais e produtos com desenho eficiente do ponto de vista fiscal”, explica.

Para empresas e investidores, a orientação do economista é planejar e se reorganizar com maior brevidade possível. “Este é o momento para revisar políticas de distribuição, organizar a estrutura patrimonial e manter diálogo constante com contadores, advogados e gestores. Quem se antecipa, preserva mais valor”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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