Investir é escolher futuros: por que o capital já olha além do retorno financeiro?

Investir é escolher futuros: por que o capital já olha além do retorno financeiro?

Avanço dos títulos sustentáveis na B3 reforça que decisões de investimento moldam impactos econômicos, sociais e ambientais no Brasil

 A forma como o capital é alocado deixou de ser apenas uma equação de risco e retorno. Cada vez mais, investidores, empresas e gestores passam a considerar o impacto que seus recursos geram na sociedade, no meio ambiente e no futuro dos negócios. Nesse contexto, o investimento sustentável deixa de ser tendência e passa a ocupar um papel central nas decisões estratégicas

Dados recentes da B3 (Bolsa de Valores do Brasil) ajudam a ilustrar esse movimento. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram emitidos 23 títulos temáticos com classificação ESG, que movimentaram R$10,35 bilhões. Com isso, o estoque total de títulos sustentáveis na B3 ultrapassou R$138 bilhões, evidenciando o avanço do interesse por ativos alinhados a práticas ambientais, sociais e de governança.

Segundo Daniela Garcia, CEO do Capitalismo Consciente Brasil (CCB), esses números refletem uma mudança mais profunda na lógica do mercado. Para ela, o crescimento dos investimentos sustentáveis revela uma ampliação do olhar do investidor.

“Investir é, na prática, escolher quais futuros queremos viabilizar. O capital nunca é neutro: ele fortalece modelos de negócio, incentiva comportamentos e define prioridades. Quando investidores passam a olhar além do retorno financeiro, eles reconhecem que suas decisões têm impacto direto na sociedade e no planeta”, afirma.

A reflexão ganha ainda mais relevância em um cenário em que sustentabilidade, governança e responsabilidade social passam a ser entendidas como fatores de perenidade dos negócios.

“O avanço dos títulos ESG mostra que o mercado começa a compreender que impacto positivo e desempenho econômico não são opostos. Pelo contrário: empresas que integram essas dimensões tendem a ser mais resilientes, inovadoras e preparadas para o longo prazo”, completa Daniela.

Mudança de mentalidade

Nesse contexto, a pergunta deixa de ser apenas quanto um investimento rende e passa a ser o que ele está impulsionando. Para a CEO do CCB, essa mudança de mentalidade é essencial para a construção de uma economia mais equilibrada.

“Quando o investidor entende que seu capital influencia cadeias produtivas, relações de trabalho e o uso dos recursos naturais, ele assume um papel ativo na transformação da economia. Investir com consciência é assumir responsabilidade sobre o impacto gerado hoje e o legado construído para o futuro”, conclui.

O crescimento do mercado de investimentos sustentáveis no Brasil sinaliza que essa visão já está em curso. Além de uma tendência, trata-se também de uma evolução na forma de compreender valor, risco e retorno, conectando capital, propósito e impacto de longo prazo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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