Com mais de R$ 2 milhões de investimento em conservação ambiental, Grupo Positivo atinge faturamento recorde

Com mais de R$ 2 milhões de investimento em conservação ambiental, Grupo Positivo atinge faturamento recorde
Lucas Guimarães.

Conglomerado paranaense acelera agenda ambiental e transforma Mata do Uru em ativo estratégico para reputação, inovação e competitividade

O Grupo Positivo encerrou 2025 com um indicador simbólico: faturamento recorde de R$ 1,2 bilhão e consolidação da curva de retomada após a reestruturação de 2019. O avanço ocorre em paralelo a uma agenda robusta de sustentabilidade, que posicionou a companhia à vanguarda da economia brasileira.

No coração dessa estratégia está a Mata do Uru, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) com 129,6 hectares na Lapa (PR), parte da ameaçada Floresta com Araucárias — ecossistema do qual restam apenas 0,8% de áreas em bom estado de conservação no Paraná. Lá, a Posigraf, gráfica do Grupo, construiu ao longo de 21 anos um laboratório de educação ambiental, pesquisa científica e neutralização de emissões que hoje sustenta o posicionamento ambiental da marca.

A equação econômica da sustentabilidade

Para o presidente do Grupo Positivo, Lucas Guimarães, a mensagem é clara: “Estamos provando que crescimento e sustentabilidade caminham juntos”. Ao manter investimentos ambientais consistentes e permanentes, mesmo em períodos adversos, o Grupo transformou o que antes poderia ser visto como um custo em um ativo reputacional e uma vantagem competitiva nas licitações e nas relações comerciais.

O movimento acompanha uma tendência global. Segundo dados da McKinsey e do mercado voluntário de carbono, o apetite de investidores por empresas com métricas ESG claras cresce mais de 20% ao ano, enquanto a regulação climática avança no Brasil com o novo Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que deve ampliar a demanda corporativa por programas de neutralização de carbono.

A estratégia do Grupo Positivo se antecipa a esse cenário: desde 2003, mais de R$ 2 milhões foram destinados à conservação contínua da Mata do Uru, incluindo vigilância, manejo florestal, certificações e pesquisas científicas. Esses investimentos contribuíram para que a Posigraf se tornasse a primeira gráfica carbono-neutra da América Latina, um marco raro em um setor historicamente intensivo em papel e energia.

O papel como oportunidade, não ameaça

O consumo expressivo de papel para produção de livros didáticos — milhões de exemplares anualmente — foi o gatilho que levou a empresa, ainda duas décadas antes da popularização do conceito de ESG, a buscar uma estratégia de compensação com impacto real. “Queríamos uma solução coerente com nossa identidade educacional”, relembra Giem Guimarães, CEO da Posigraf na época e responsável pela adoção da Mata do Uru.

A escolha pela Floresta com Araucárias não foi acidental. Além da biodiversidade única, o bioma é pouco protegido: fragmentado, sensível e historicamente explorado sem controle. A criação da RPPN, em parceria com a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), fixou o compromisso de preservação perpétua em uma área que hoje abriga 573 espécies de flora, 41 mamíferos (incluindo puma e jaguatirica), 34 nascentes que abastecem a bacia do rio Iguaçu, e mais de 250 espécies de aves – entre elas, o emblemático uru-capoeira, que dá nome à reserva.

Além disso, o local inspirou iniciativas inovadoras, como a criação da fragrância da Mata do Uru, desenvolvida pela Posigraf como ferramenta de conscientização ambiental. A essência, produzida após uma imersão técnica no bioma, traduz em notas de araucária, cedro-rosa, musgo, folhas verdes e acordes aquáticos a atmosfera da reserva.

O aroma será usado exclusivamente em ações institucionais, aproximando colaboradores, clientes e parceiros da experiência sensorial da floresta preservada. “Queríamos transformar a conservação em algo que pudesse ser sentido”, afirma Valéria Batista, gestora de marketing da Posigraf. Ao levar o cheiro da mata para diferentes ambientes do Grupo Positivo, a iniciativa reforça o vínculo entre inovação, educação ambiental e a estratégia de preservação que, há mais de duas décadas, orienta a companhia.

Educação como vetor de impacto social

O diferencial do Grupo Positivo está na capacidade de integrar sustentabilidade ao seu principal negócio: a educação. O tema deixou de ser periférico para se tornar eixo curricular.

As iniciativas incluem vivências na Mata do Uru, certificação ISO 14000 nas unidades escolares, projetos interdisciplinares, práticas permanentes de de consumo consciente e redução de energia e de resíduos, além da participação ativa de professores, coordenadores e famílias. O alcance estimado da agenda ambiental supera 100 mil pessoas, entre alunos, familiares e colaboradores — algo raro mesmo entre grupos educacionais de grande porte.

Segundo o CEO, a prioridade agora não é aumentar o número de iniciativas, e sim aprofundar sua eficácia. “A educação ambiental deve ser encarada como um vetor estratégico para o futuro do país. Queremos formar uma geração que compreenda a relação entre decisões individuais e impactos coletivos.”

O papel da Posigraf e o impacto no mercado gráfico

Mesmo com a digitalização acelerada, o Grupo Positivo decidiu manter sua aposta no livro físico — um movimento que se mostrou acertado. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) da OCDE indica que estudantes com hábito de leitura em papel superam, em até 49 pontos, aqueles que leem digitalmente, o que equivale a cerca de 10% da pontuação média global em leitura, com maior prazer e desempenho preditos pelo acesso a livros físicos. Além disso, estudos internacionais indicam que o material impresso melhora a retenção de conteúdo na educação básica, o que sustenta a demanda estrutural do setor.

Hoje, 60% da produção gráfica da Posigraf é destinada ao segmento educacional; os outros 40% atendem ao mercado promocional, incluindo grandes marcas como o Grupo Boticário.

O selo de carbono neutro se tornou um diferencial competitivo em concorrências que exigem comprovação de práticas ESG. “Nem todo cliente paga mais por produtos sustentáveis, mas muitos deixam de contratar empresas que não têm governança ambiental”, resume Gilberto Alves, diretor-geral da Posigraf.

O avanço regulatório e a crescente profissionalização do mercado educacional ampliam a vantagem estratégica da Posigraf, que se posiciona como parceira de longo prazo de sistemas públicos e privados de ensino — entre eles o Aprende Brasil, que atende mais de 350 prefeituras e 2.800 escolas em todo o território nacional, e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Sustentabilidade como alavanca de reputação e governança

A trajetória do Grupo Positivo exemplifica um movimento crescente no ambiente empresarial brasileiro: a migração das iniciativas voluntárias para uma governança institucionalizada. Não se trata mais de ações isoladas, mas de um sistema de práticas integradas que permeia o conselho, a gestão, o portfólio e a cultura organizacional.

Os indicadores ajudam a sustentar essa tese: crescimento real contínuo nos últimos quatro anos; expansão da operação gráfica; fortalecimento da base educacional; aumento da competitividade em mercados com exigências ESG; e atração de parcerias e fornecedores alinhados à agenda sustentável.

A Mata do Uru tornou-se, nesse contexto, mais do que um projeto ambiental. “É um símbolo da identidade corporativa do grupo, um ativo estratégico e um laboratório vivo de inovação socioambiental”, afirma Eliziane Gorniak, diretora de Sustentabilidade do Grupo Positivo.

O que vem pela frente

Com receita recorde e expansão sustentável, o Grupo Positivo entrou em 2026 com a ambição de escalar as iniciativas ambientais e consolidar-se como referência nacional na integração entre educação, conservação e responsabilidade empresarial.

Se a tendência global se confirmar, as empresas que anteciparem práticas ambientais e educacionais robustas terão vantagem competitiva nos mercados mais regulados. Nesse sentido, o Grupo Positivo parece ter encontrado sua fórmula: um modelo em que florestas preservadas e resultados financeiros caminham na mesma direção.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *