O que a experiência no Canadá revela sobre o futuro das usinas hidrelétricas brasileiras

O que a experiência no Canadá revela sobre o futuro das usinas hidrelétricas brasileiras
Sérgio Fagundes, diretor-presidente da Insight Energy.

Até 2030, pelo menos 24 usinas hidrelétricas brasileiras, de diferentes portes, devem passar por processos de atualização

A recente missão técnica da Insight Energy ao Canadá teve um objetivo claro: observar, em campo, como grandes usinas hidrelétricas históricas seguem operando com alta confiabilidade em um contexto de transição energética, avanços tecnológicos e exigências crescentes de eficiência. Mais do que um intercâmbio internacional, a viagem trouxe reflexões diretas sobre o momento vivido pelo setor hidrelétrico brasileiro.

O Canadá possui uma tradição sólida em engenharia hidrelétrica e, especialmente, em estratégias de longo prazo para a reabilitação de ativos centenários. Usinas como a Edward Dean Adams, nas Cataratas do Niágara — um marco mundial da geração de energia elétrica em corrente alternada — seguem relevantes mais de um século após sua inauguração justamente porque passaram por processos contínuos de modernização. Não se trata de intervenções pontuais, mas de uma visão estruturada de atualização tecnológica, eficiência operacional e segurança.

Essa lógica dialoga diretamente com o cenário brasileiro atual.

Um ciclo decisivo de modernização no Brasil

A experiência internacional ocorre em um contexto de forte demanda por modernização no Brasil. Até 2030, pelo menos 24 usinas hidrelétricas brasileiras, de diferentes portes, devem passar por processos de atualização que envolvem troca de peças, substituição de equipamentos e modernização dos sistemas de operação. A estimativa é de R$ 12 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos.

Esse movimento não é apenas necessário — é estratégico. As hidrelétricas seguem sendo um dos pilares da matriz elétrica brasileira, tanto pela capacidade instalada quanto pelo papel fundamental na estabilidade do sistema. Modernizar essas usinas significa aumentar eficiência, reduzir riscos operacionais, prolongar a vida útil dos ativos e garantir segurança energética em um cenário de crescente complexidade do setor.

No Canadá, esse raciocínio já está consolidado. Projetos de reabilitação são conduzidos com planejamento de décadas, integração entre engenharia, operação e regulação, e foco permanente na confiabilidade. A observação desses processos oferece aprendizados valiosos para a realidade brasileira.

Da referência internacional à aplicação prática

É nesse cenário que a Insight Energy atua diretamente em projetos estratégicos no Brasil. Um exemplo é a modernização da Usina Hidrelétrica de Salto Grande, da Cemig, localizada em Braúnas (MG). Os trabalhos tiveram início no fim de 2024 e a conclusão está prevista para dezembro de 2027.

O projeto reflete, na prática, muitos dos aprendizados observados no Canadá, como:

  • aumento de eficiência operacional;
  • extensão da vida útil dos equipamentos;
  • incorporação de novas tecnologias sem comprometer a segurança do sistema.

“O que vemos no Canadá dialoga muito com os desafios que estamos enfrentando no Brasil: aumentar eficiência, prolongar a vida útil das usinas e incorporar tecnologia sem comprometer a segurança operacional”, explica Sérgio Fagundes, fundador e diretor-presidente da Insight Energy.

Modernização como estratégia permanente

Um dos principais aprendizados da missão técnica é a compreensão de que modernização não deve ser encarada como um evento isolado, mas como uma estratégia contínua. Usinas que permanecem relevantes ao longo de décadas — ou séculos — são aquelas que evoluem junto com a tecnologia, com o sistema elétrico e com as exigências regulatórias.

No Brasil, esse olhar de longo prazo será determinante para garantir que o ciclo de investimentos em curso gere resultados sustentáveis, tanto do ponto de vista técnico quanto econômico. A experiência internacional reforça que os desafios da engenharia hidrelétrica são globais, mas as soluções ganham valor quando são adaptadas à realidade local.

Engenharia com visão de futuro

Buscar referências internacionais faz parte da estratégia da Insight Energy. Cada mercado possui suas particularidades, mas a troca de conhecimento amplia repertórios, antecipa tendências e eleva o padrão técnico dos projetos desenvolvidos no Brasil.

Ao conectar aprendizados globais com aplicações locais, a engenharia deixa de ser apenas execução e passa a ser estratégia. É assim que as usinas hidrelétricas seguem cumprindo seu papel essencial na matriz energética — hoje e nas próximas décadas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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