Previdência privada empresarial se consolida como estratégia-chave para retenção de talentos

Previdência privada empresarial se consolida como estratégia-chave para retenção de talentos

Novos colaboradores veem com bons olhos o oferecimento da previdência complementar pelas empresas

A oferta de planos de previdência privada pelas empresas tem se mostrado cada vez mais decisiva para atrair e, principalmente, reter profissionais qualificados em um mercado de trabalho competitivo. A previdência privada empresarial passou a integrar a estratégia de gestão de pessoas, influenciando diretamente a satisfação e a permanência dos colaboradores nas organizações.

Pesquisa de benefícios realizada pela consultoria AON com 536 empresas revela que 56% delas já oferecem previdência complementar aos funcionários. A maioria, cerca de 61%, opta por planos de previdência aberta, disponibilizados por seguradoras, gestoras independentes e bancos, nos modelos VGBL e PGBL. O dado reflete uma mudança de mentalidade no ambiente corporativo, em que o cuidado com o futuro financeiro do trabalhador merece atenção redobrada.

Segundo Ana Letícia Feller, presidente da Fundação Copel, falar sobre previdência privada é se voltar à segurança e vínculo de longo prazo. “Quando a empresa oferece um plano de previdência, ela demonstra compromisso com o futuro do colaborador. Isso fortalece a relação de confiança e cria um ambiente mais favorável à retenção de talentos que fazem a diferença no crescimento do negócio”, afirma.

Insatisfação no trabalho e disputa por profissionais qualificados

Os números de insatisfação no trabalho reforçam a importância de benefícios estratégicos. Em pequenas empresas, 35% dos funcionários se declaram insatisfeitos. Nas médias, esse percentual sobe para 40%, enquanto nas grandes organizações chega a 42%. Em um cenário como esse, a oferta de previdência privada pode funcionar como um diferencial relevante para melhorar a percepção dos colaboradores sobre a empresa.

No caso das startups, geralmente pequenas empresas de alto crescimento, o tema se torna ainda mais sensível. Essas organizações competem diretamente com empresas de maior porte na atração de talentos e, muitas vezes, não conseguem disputar salários nos mesmos patamares. A previdência privada surge, então, como um benefício estratégico, com capacidade de trazer equilíbrio a essa balança.

“A previdência privada ajuda empresas de todos os portes a se posicionarem melhor na disputa por profissionais qualificados. Não se trata apenas de remuneração imediata, mas de mostrar ao colaborador que a organização se preocupa com o futuro dele”, destaca Ana Letícia Feller.

Benefício com custo acessível para as empresas

Do ponto de vista financeiro, a previdência privada empresarial também é vantajosa para as organizações. Para contratar o benefício, é cobrada apenas uma taxa de administração, sem custos adicionais para oferecer o plano aos empregados.

Além disso, a contribuição feita pela empresa não é considerada salário. Dessa forma, por força da Lei 10.243/01, não há incidência de encargos trabalhistas sobre esses valores, o que torna o benefício ainda mais atrativo do ponto de vista econômico.

Para Ana Letícia Feller, esse modelo amplia o acesso das empresas à previdência privada. “Muitos gestores ainda acreditam que oferecer previdência é caro ou burocrático, mas a realidade é diferente. O custo é previsível, não gera encargos trabalhistas e pode ser compensado com incentivos fiscais”, explica.

Economia para a empresa e para o colaborador

No plano de previdência empresarial, a empresa pode deduzir do Imposto de Renda as contribuições realizadas, até o limite de 20% do valor total da folha de pagamento dos participantes do plano. Essa compensação é válida para organizações enquadradas no regime de tributação do lucro real, desde que os desembolsos sejam classificados como despesas operacionais.

Esse benefício fiscal se aplica exclusivamente aos planos do tipo PGBL, Plano Gerador de Benefício Livre, nos quais a tributação incide sobre o valor total da reserva no momento do resgate ou do recebimento do benefício.

Os colaboradores também contam com vantagens fiscais. Aqueles que optam pelo modelo completo da declaração do Imposto de Renda podem deduzir até 12% da renda bruta anual com contribuições ao PGBL, conforme previsto na Lei 9.532/97.

“Quando bem estruturada, a previdência privada cria uma situação de ganha-ganha. A empresa otimiza seus custos e o colaborador constrói uma reserva para o futuro com incentivos fiscais relevantes”, pontua Ana Letícia Feller.

Previdência privada influencia decisão de carreira

O avanço da previdência privada no Brasil também se reflete no comportamento dos trabalhadores. Em 2025, 53% das empresas passaram a oferecer o benefício, o maior percentual da série histórica registrada pela consultoria Mercer desde 2019. Atualmente, o país soma cerca de 2,8 milhões de planos ativos, beneficiando 2,3 milhões de trabalhadores.

Nesse contexto, a previdência privada já influencia a decisão de 54% dos profissionais na hora de aceitar um emprego, número que sobe para 71% entre aqueles que já possuem um plano. A instabilidade econômica e as incertezas em relação à previdência social reforçam a percepção de que esse benefício é um diferencial relevante no pacote de remuneração.

“Falar sobre aposentadoria é, na verdade, falar sobre tranquilidade, liberdade e qualidade de vida. A previdência privada complementa o INSS e permite que o trabalhador tenha mais controle sobre o próprio futuro”, afirma a presidente da Fundação Copel.

Fundação Copel como referência em previdência complementar

Criada em 1971, em Curitiba, a Fundação Copel nasceu como uma entidade fechada e sem fins lucrativos, com o objetivo de garantir benefícios complementares à aposentadoria dos empregados das empresas patrocinadoras. Em 1989, ampliou sua atuação e passou a oferecer também cobertura médica, hospitalar, odontológica e farmacêutica.

Hoje, a Fundação Copel é o maior fundo de pensão do Sul do Brasil, com R$ 15,4 bilhões em ativos sob gestão, mais de 40 mil vidas protegidas e uma rede de mais de 5 mil parceiros de saúde no Paraná. A instituição conta com cerca de 200 colaboradores especializados e é reconhecida por suas boas práticas de gestão e promoção da qualidade de vida.

Para Ana Letícia Feller, o crescimento da previdência privada empresarial é um caminho sem volta. “As empresas que entendem a previdência como parte da estratégia de pessoas saem na frente. Elas conseguem reter talentos, fortalecer a cultura organizacional e contribuir para um futuro mais seguro para seus colaboradores”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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