Brasileiros retiram R$ 85 bilhões da poupança em 2025 e buscam por diversificação nos investimentos

Brasileiros retiram R$ 85 bilhões da poupança em 2025 e buscam por diversificação nos investimentos

 Mercado Bitcoin indica que novos investidores em criptomoedas cresceram mais que os da bolsa no país

Durante muito tempo, guardar dinheiro no Brasil tinha um destino quase automático: a poupança. Esse hábito, porém, começou a mudar e, aos poucos, o brasileiro passou a olhar além da caderneta, explorando alternativas mais interessantes na renda fixa e variável. A poupança ainda tem presença relevante, mas já não ocupa o mesmo espaço de antes. Em 2025, o estoque total da caderneta registrou saída líquida de R$ 85,56 bilhões, segundo dados do Banco Central, cinco vezes maior do que o observado em 2024.

O cenário nacional reflete uma mudança mais ampla na relação dos brasileiros com os investimentos. Embora siga forte no imaginário popular, como mostra o Raio-X do Investidor da Anbima, a poupança já começa a perder tração, com queda de seis pontos percentuais nas citações espontâneas em relação à edição anterior do estudo. A tendência aponta para um movimento puxado pelas novas gerações, que vêm abrindo espaço para formas mais dinâmicas de investir.

“Por isso, investimentos como ações, CDBs, renda fixa digital e criptomoedas vêm ganhando mais espaço na carteira dos brasileiros, não apenas pelo potencial de maior rentabilidade, mas também pela possibilidade de diversificação, combinando a previsibilidade da renda fixa com o potencial de valorização dos ativos variáveis”, explica Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin.

CDBs e Renda Fixa Digital

A renda fixa segue como porta de entrada para quem começa a sair da poupança. É o caso dos CDBs, já conhecidos, e da renda fixa digital, que vem ganhando espaço como uma evolução dentro da categoria. No fim, os dois funcionam de forma parecida: o investidor aplica e recebe uma rentabilidade previsível, geralmente ligada aos juros da economia.

A diferença aparece nos detalhes. Enquanto os CDBs de grandes bancos costumam render entre 100% e 120% do CDI, a renda fixa digital vem chamando atenção por oferecer mais, em parte por ter menos intermediários. Segundo dados do Mercado Bitcoin, o volume de RFD cresceu 108% em 2025, com retorno médio de 132% do CDI no ano, muitas vezes com isenção de imposto de renda.

Para visualizar essa diferença, uma simulação simples ajuda: com R$ 5.000 aplicados por um ano, a poupança chegaria a cerca de R$ 5.300, um CDB a aproximadamente R$ 5.600, e a renda fixa digital poderia superar R$ 5.700.

Ações e Criptomoedas

Se a renda fixa costuma ser o primeiro passo, é na renda variável que muitos investidores passam a buscar ganhos mais expressivos. Nesse movimento, ações e criptomoedas ganham espaço no país como alternativas com maior potencial de valorização, ainda que com mais oscilações no curto prazo. Enquanto as ações acompanham o desempenho das empresas, as criptomoedas abrem portas para um mercado global que funciona 24 horas por dia, com destaque para o Bitcoin.

Esse avanço já aparece no comportamento dos investidores. Segundo levantamento do Mercado Bitcoin, o número de investidores em cripto cresceu 10% em 2025, frente ao ano anterior. No mesmo período, a base de investidores em ações avançou cerca de 4%, segundo a própria B3.

“De longe, investir em cripto pode parecer complexo, mas o crescimento da categoria no país, à frente da bolsa, mostra que o processo é mais simples do que se imagina. Com aportes regulares e carteira diversificada, é possível diluir riscos sem depender de análises técnicas”, comenta Rony.

O Brasil já é o quinto maior país em criptoativos, e o Bitcoin foi o ativo mais rentável da última década, rendendo mais de 170% só em 2024.

O movimento no país mostra que os investidores estão mais estratégicos e conscientes, buscando alternativas que unam segurança e crescimento. Esse comportamento reflete uma transformação no perfil do investidor, que passa a priorizar planejamento, diversificação e acompanhamento das oportunidades do mercado.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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