Governo fixa preços de medicamentos biossimilares com desconto mínimo de 20%

Governo fixa preços de medicamentos biossimilares com desconto mínimo de 20%

Regra inédita da CMED, que entra em vigor nesta semana, produzirá aumento de competitividade no mercado, menos gastos e aumento de oferta de tratamentos de altíssimo custo

Medicamentos com potencial para redução de custos hospitalares em mais de 70%, os biossimilares terão seus preços fixados pela primeira vez a partir desta semana, quando entrará em vigor uma resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), estabelecendo desconto obrigatório de pelo menos 20% em relação ao valor dos seus originadores. A expectativa do mercado, como para a farmacêutica global Organon, especializada em saúde da mulher, é que a medida amplie ainda mais a oferta de tratamentos de ponta de altíssimo custo no SUS e em planos de saúde, com gastos menores, além de permitir a criação de um ambiente competitivo com mais players, e o domínio tecnológico e da cadeia produtiva dessas medicações no Brasil.

Segundo a resolução 3/2025 da CMED, ligada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os biossimilares terão preços máximos de até 80% do valor de tabela dos medicamentos biológicos de referência que os originaram. Ou seja, a partir do desconto obrigatório de 20%, a expectativa é que os laboratórios farmacêuticos compitam entre si, podendo oferecer produtos com valores ainda menores. Mais baratos do que os seus equivalentes biológicos inovadores de referência, esses remédios também ganharão uma regra para garantir segurança jurídica, econômica, financeira e logística para governo, operadoras privadas e indústria farmacêutica.

“Não se trata só de uma questão de economia, mas também de justiça social, soberania tecnológica e segurança para o sistema de saúde como um todo, principalmente para tratamentos de câncer, reumatologia e doenças raras”, conta a diretora de relações institucionais da Organon, Tássia Ginciene.

Para a executiva, a nova regra tornará o mercado mais competitivo e incentivará parcerias entre farmacêuticas globais e laboratórios nacionais para desenvolvimento de pesquisas e produção de biossimilares no país, levando à redução de custos: “A nova resolução trará clareza de equilíbrio econômico-financeiro porque o mecanismo de determinação de preços não incluía os biossimilares. Quanto mais atrativo o mercado, mais competidores haverá, reduzindo preços e o risco de desabastecimento. E o Brasil poderá se beneficiar com a transferência de tecnologia para futura autossuficiência na produção de biossimilares nacionais”.

A nova resolução também antecipa a chegada da terceira onda de biossimilares ao Brasil, prevista para o próximo ano, voltada para imuno-oncologia, com medicamentos para mais de 30 tipos de câncer em tratamentos que custam cerca de R$ 400 mil por mês.

Para se ter uma ideia do alcance da medida, o câncer de mama atinge hoje mais de 73,6 mil mulheres por ano, com 18 mil mortes no país. Um dos tipos da doença, o HER2, responde por 20% dos casos e o seu medicamento originador, que custa em torno de R$ 12,5 mil, exige um tratamento de três a 18 doses, com uma aplicação a cada três semanas. Mirando nesse tratamento, a Organon se prepara lançar o pertuzumabe, biossimilar com índice de remissão superior a 95%. Com a regra da CMED, a companhia estima ocupar 80% desse mercado, com perspectivas de aumentá-lo graças à ampliação do acesso ao tratamento com custo menor. 

Economia pode chegar a 71% na saúde suplementar

Já a redução de gastos hospitalares é apontada em estudo liderado pelo reumatologista Valderílio Azevedo, doutor em ciências da saúde e professor da Universidade Federal do Paraná, e membro do conselho consultivo da Sociedade Brasileira de Reumatologia. O levantamento levou em conta dados da Unimed Maringá, em 2023, e resultou em um artigo publicado pelo Jornal Brasileiro de Economia da Saúde. Na pesquisa, com 63 pacientes em tratamento contra doenças autoimunes entre setembro e dezembro de 2023, Azevedo e uma equipe de pesquisadores verificaram que a substituição de medicamentos de referência por biossimilares levou a um corte de custos estimado em 55,9% em 44 casos. Entre outros 19 em tratamento com biossimilares desde o início, a economia foi de 71,1%. 

“É preciso aumentar a conscientização sobre biossimilares e discutir o papel do poder público para ampliar o acesso de pacientes a terapias biológicas, com redução de custos no SUS, e ajudar no aumento da penetração dessa classe de produtos nos mercados de saúde pública e privada no Brasil. A nova resolução da CMED é um passo importante nessa direção”, aponta Valderílio Azevedo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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