Com margens pressionadas, empresários recorrem à gestão integrada e IA para reorganizar negócios

Com margens pressionadas, empresários recorrem à gestão integrada e IA para reorganizar negócios

Juros elevados, custo operacional em alta e crescimento sem lucro levam empresas a buscar diagnóstico estratégico e revisão de processos

A combinação de juros elevados e pressão sobre custos tem levado pequenas e médias empresas a rever a forma como operam no Brasil. Com a taxa básica de juros em 14,5% ao ano, segundo o Banco Central do Brasil, o crédito segue caro e reduz a margem de erro das empresas. Ao mesmo tempo, dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas indicam que falhas de gestão e falta de planejamento continuam entre os principais motivos de fechamento de negócios no país.

É nesse contexto que ganha força a busca por modelos de gestão mais integrados, capazes de conectar marketing, vendas, finanças e operação. Para Ravell Nava, especialista em expansão empresarial e performance comercial, o problema central está na forma como os negócios crescem. “Hoje, muitas empresas aumentam o faturamento, mas perdem margem. Vendem mais, mas não conseguem transformar isso em resultado. O erro está na falta de integração entre as áreas”, afirma.

Diagnóstico em tempo real e plano de ação

Essa demanda por reorganização tem impulsionado programas práticos de gestão. Um exemplo é a Formação Focus 2026, realizada pela BRL Educação entre os dias 27 e 29 de maio, em Brasília, que deve reunir 800 empresários em três dias de aplicação direta.

A proposta é substituir o modelo tradicional de palestras por um diagnóstico em tempo real das empresas participantes. Durante a formação, os empresários mapeiam áreas como marketing, vendas, finanças, pessoas e processos, identificando gargalos que travam crescimento e margem.

“Não adianta só conteúdo. O empresário precisa enxergar onde está errando e sair com um plano claro do que fazer. Sem isso, a empresa continua rodando com as mesmas falhas”, afirma Nava.

Crescimento desorganizado pressiona lucro

Na avaliação do especialista, o principal risco hoje não é a falta de demanda, mas a desorganização interna. Empresas conseguem vender, mas não sustentam o crescimento.

“É comum ver negócios que crescem rápido e, ao mesmo tempo, ficam mais frágeis. A operação não acompanha, o financeiro perde controle e o dono vira o gargalo”, afirma. “Sem estrutura, crescer pode piorar o problema.”

Esse movimento ocorre em paralelo ao aumento da complexidade operacional, impulsionada pela digitalização e pela necessidade de presença em múltiplos canais de venda.

Inteligência artificial entra como ferramenta de gestão

Outro vetor dessa mudança é o uso de inteligência artificial no dia a dia das empresas. A tecnologia deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a atuar como ferramenta de eficiência operacional.

“A inteligência artificial não é mais opcional para quem quer crescer com margem. Ela entra para organizar dados, acelerar decisões e reduzir desperdício”, afirma Nava.

Nos programas de formação, o uso da tecnologia aparece aplicado a rotinas práticas, como análise de desempenho, automação de processos e apoio à tomada de decisão.

Escala e troca entre empresários ganham relevância

Além da parte técnica, o ambiente de troca entre empresários também passa a ser visto como ativo estratégico. Ao reunir centenas de donos de empresas com desafios semelhantes, esses encontros funcionam como espaço de validação de decisões e geração de oportunidades.

A edição deste ano da formação em Brasília conta com investimento de R$ 800 mil em estrutura e operação, ampliando a escala e a capacidade de atendimento. Segundo a organização, o objetivo é acompanhar a complexidade crescente das demandas empresariais.

“Não existe mais espaço para gestão intuitiva. O empresário precisa de método, clareza e velocidade para ajustar o negócio”, afirma Nava.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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