E-commerce farmacêutico cresce 55% e amplia pressão por hubs logísticos

Com mais de R$ 20 bilhões em vendas digitais, setor reforça a necessidade de estruturas capazes de garantir rastreabilidade, agilidade e controle sanitário na distribuição de medicamentos
O avanço do e-commerce farmacêutico no Brasil está mudando a lógica da distribuição de medicamentos e produtos de saúde. Entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, o faturamento das farmácias no ambiente digital cresceu 54,8%, segundo levantamento da Abrafarma. Pela primeira vez, as vendas por sites e aplicativos superaram R$ 20 bilhões em 12 meses, totalizando R$ 20,45 bilhões nas 29 redes associadas e consolidando o canal online como parte relevante da operação do setor.
O crescimento ocorre em um mercado que também segue em expansão no varejo físico. Dados da IQVIA, citados pela Febrafar, mostram que o varejo farmacêutico brasileiro atingiu R$ 243,33 bilhões no Total Anual Móvel até novembro de 2025, com alta de 10,81% na comparação anual. O desempenho reforça a força do setor, mas também aumenta a pressão por eficiência, previsibilidade e controle nas etapas de armazenamento, transporte e entrega.
Mais do que pontos de armazenagem, essas estruturas funcionam como elos de integração entre indústrias, distribuidoras, redes de farmácias, clínicas, hospitais e centros de infusão. A função é reduzir rupturas de estoque, evitar perdas por vencimento, organizar a reposição de produtos e garantir que a entrega ocorra dentro dos parâmetros exigidos para cada tipo de medicamento.
Mudança necessária
A mudança é especialmente relevante porque a venda online amplia a complexidade da operação. Diferentemente de outros segmentos do varejo, a logística farmacêutica envolve controle de lote, validade, temperatura, umidade, documentação e rastreabilidade. Uma falha no processo pode comprometer não apenas o prazo de entrega, mas também a integridade do produto e a segurança do paciente.
A regulação também torna a operação mais exigente. A RDC 430/2020 da Anvisa, em vigor desde março de 2021, dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e Transporte de Medicamentos e estabelece parâmetros para empresas que atuam nessas etapas. Isso exige estruturas preparadas para monitorar condições ambientais, registrar movimentações, controlar devoluções e assegurar que o medicamento mantenha suas características até chegar ao consumidor final.
Os hubs logísticos farmacêuticos desempenham papel estratégico na cadeia de abastecimento ao garantir que medicamentos e demais produtos de saúde sejam armazenados e movimentados dentro dos padrões exigidos pelo setor, de acordo com o portal Modal Connection.
Rastreabilidade e controle térmico viram prioridade
Para atender às exigências regulatórias e preservar a qualidade dos produtos, essas operações precisam contar com processos rigorosos de monitoramento, rastreamento e controle das condições de armazenamento, além de infraestrutura adequada para diferentes categorias de itens e gestão eficiente de estoques.
Além do armazenamento, a última milha se tornou um dos pontos mais sensíveis da cadeia. O consumidor que compra medicamentos por aplicativo espera rapidez, mas o setor não pode renunciar à segurança sanitária. Por isso, modelos como cross-docking ganham espaço ao permitir que produtos passem do recebimento para a expedição com menor tempo de permanência em estoque, reduzindo riscos de vencimento, avarias e falhas de manuseio.
A tecnologia também deve ampliar a eficiência desses hubs nos próximos anos. Sistemas de inteligência artificial podem apoiar a previsão de demanda, a roteirização e a reposição de estoques. Sensores conectados permitem monitorar temperatura e umidade em tempo real. Já ferramentas de rastreabilidade ajudam a acompanhar o caminho do produto desde a origem até o destino, fortalecendo a segurança e a governança da operação.
Crédito da foto: Freepik








