Multas da NR-1 preocupam empresas e motivam reação da Fiesp

Multas da NR-1 preocupam empresas e motivam reação da Fiesp

Penalidades podem chegar perto de R$ 1 milhão

A preocupação das empresas com os impactos financeiros da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) alcançou um nível que levou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a buscar a Justiça para suspender a aplicação de multas relacionadas às exigências de saúde mental no ambiente de trabalho. A decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) suspendeu temporariamente as penalidades para cerca de 130 mil empresas representadas pela entidade.

O movimento reflete o temor do setor produtivo diante do potencial passivo financeiro gerado pelas novas obrigações. Dependendo do porte da organização e da quantidade de irregularidades identificadas, as multas podem superar R$ 900 mil, segundo estimativas da WorkTech brasileira Otimiza.pro.

Para ajudar gestores a dimensionar esse risco, a empresa lançou uma calculadora gratuita que avalia o nível de conformidade com a NR-1 e estima o valor potencial das penalidades previstas na legislação trabalhista.

A atualização da norma passou a exigir que as empresas identifiquem, avaliem e monitorem riscos psicossociais, como assédio moral, pressão excessiva por metas, sobrecarga de trabalho, conflitos interpessoais e jornadas exaustivas, incorporando esses fatores ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Segundo Anderson Belem, fundador da Otimiza.pro, a mobilização da Fiesp evidencia que a discussão deixou de ser apenas uma pauta de recursos humanos ou compliance e passou a ocupar espaço estratégico nas organizações.

“As empresas já enxergam um risco financeiro relevante. O problema é que muitas organizações ainda não sabem qual é o tamanho real dessa exposição”, afirma Belem.

Para a psicóloga organizacional Soraia Pena, o principal risco para as organizações é acreditar que indicadores aparentemente positivos refletem, de fato, um ambiente saudável. “Uma pesquisa interna com baixo índice de relatos de estresse, assédio ou sobrecarga não necessariamente indica ausência de risco psicossocial. Em muitos casos, pode indicar ausência de segurança para relatar o problema. Esse é um ponto crítico para a NR-01, porque a norma exige que a empresa identifique riscos reais do ambiente de trabalho, e não apenas percepções filtradas pelo medo de exposição”, afirma.

A calculadora desenvolvida pela empresa avalia dez áreas consideradas críticas pela NR-1, incluindo gerenciamento de riscos psicossociais, Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), ergonomia, treinamentos obrigatórios, documentação de saúde e segurança do trabalho, investigação de acidentes, fornecimento de equipamentos de proteção, controle de jornada e requisitos relacionados à CIPA e ao SESMT.

Ao final do questionário, a ferramenta cruza as não conformidades identificadas com os parâmetros previstos na NR-28, norma que estabelece multas por empregado exposto à irregularidade. Os valores-base variam entre R$ 1.612,98 e R$ 3.229,87 por trabalhador, dependendo da gravidade da infração.

Na prática, uma empresa com aproximadamente 300 colaboradores e múltiplas não conformidades pode acumular uma exposição superior a R$ 900 mil apenas em multas administrativas. O montante pode ser ainda maior quando considerados afastamentos por transtornos mentais, indenizações trabalhistas, ações civis públicas e danos reputacionais.

Dados internos da Otimiza.pro indicam que a maioria das empresas de médio porte avaliadas apresenta pelo menos três áreas com algum nível de inadequação às exigências da norma. Nesses casos, a exposição média estimada supera R$ 600 mil.

“O maior risco não está apenas na multa. A autuação pode desencadear novas fiscalizações, questionamentos judiciais e aumento dos custos relacionados à saúde ocupacional. A decisão obtida pela Fiesp é provisória e não elimina a necessidade de adequação das empresas”, destaca Belem.

A ferramenta funciona como um diagnóstico inicial e não exige cadastro ou compartilhamento de dados pessoais. O resultado é disponibilizado imediatamente após a conclusão da avaliação.

“Independentemente do desfecho jurídico da discussão, as empresas precisarão demonstrar que identificam e gerenciam adequadamente os riscos psicossociais. Quem deixar para agir apenas quando a fiscalização chegar poderá enfrentar impactos financeiros significativos”, conclui o especialista.

Crédito da foto: Pexels-Yankrukov

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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