Como funcionam os juros e correção monetária em precatórios que podem levar até 20 anos para receber

Como funcionam os juros e correção monetária em precatórios que podem levar até 20 anos para receber

Juros e a correção monetária ajudam a reduzir perdas, mas, em muitos casos, não conseguem compensar integralmente o impacto da inflação e do tempo

Muitos brasileiros com mais de 60 anos aguardam o recebimento de precatórios que, na prática, ainda podem levar muitos anos para serem pagos. Uma dúvida comum entre esse público é: o dinheiro fica “rendendo” enquanto se espera?

A resposta é sim, e durante essa espera, há dois mecanismos de atualização: a correção monetária, que ajusta o valor do precatório para tentar manter o poder de compra ao longo do tempo, acompanhando a inflação, evitando que o valor sofra diminuição real enquanto o dinheiro não é liberado; e os juros de mora, que são juros aplicados pelo atraso no pagamento. Esses juros são calculados desde quando a obrigação surgiu (em geral) até a expedição do precatório.

Como esse cálculo funciona na prática

Para simplificar: imagine um precatório que, no início, valha R$ 100.000. Se considerarmos juros médios de cerca de 0,5% ao mês (valor aproximado usado em cálculos médios), ao longo de 20 anos (ou 240 meses), o valor pode subir para cerca de R$ 220.000.

Impacto da espera prolongada

De acordo com Giovani Junior, diretor comercial da PJUS, empresa líder nacional em negociação de precatórios, “para muitos credores, especialmente pessoas com mais de 60 anos, o fator tempo é decisivo. A longa espera pode dificultar o uso do recurso para necessidades imediatas, como complementação de renda; pagamento de despesas médicas; quitação de dívidas; ou mesmo para a realização de projetos pessoais e familiares”, diz.

Além disso, ressalta Giovani, “os juros cobrados por bancos e financeiras em empréstimos e cartões de crédito costumam ser muito superiores aos juros aplicados em precatórios, o que pode gerar desequilíbrio financeiro ao longo dos anos”, alerta.

Alternativa legal

A legislação brasileira permite que o titular de um precatório transfira seu crédito para terceiros por meio de cessão de direitos. Conhecida como venda de precatório, essa operação é legal e deve ser formalizada por escritura pública ou instrumento equivalente, posteriormente comunicado ao tribunal responsável.

Antes da negociação, normalmente são analisados fatores como o valor atualizado do crédito, a previsão de pagamento, os índices de correção e outros aspectos jurídicos que influenciam sua avaliação.

A decisão de vender ou aguardar o pagamento pelo poder público depende da situação financeira, dos objetivos e das necessidades de cada credor. Por isso, especialistas recomendam que a operação seja realizada somente após análise das condições oferecidas e dos impactos dessa escolha.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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