Cultura organizacional entra no radar dos investidores e passa a influenciar valor de empresas

Cultura organizacional entra no radar dos investidores e passa a influenciar valor de empresas

Com mais de 1,5 mil operações de fusões e aquisições registradas em 2025, especialistas apontam que conflitos internos, alta rotatividade e falhas de governança já afetam negociações

Durante anos, os processos de fusões e aquisições foram conduzidos com foco quase exclusivo em indicadores financeiros, potencial de crescimento e geração de caixa. Agora, um novo fator tem ganhado espaço nas análises de investidores, fundos e compradores estratégicos: a cultura organizacional. Em um mercado cada vez mais seletivo, especialistas afirmam que problemas relacionados à gestão de pessoas, retenção de talentos e alinhamento interno já impactam diretamente o valor das empresas e podem comprometer operações de M&A.

O movimento acompanha a evolução do próprio mercado brasileiro de fusões e aquisições. Segundo levantamento da KPMG, o Brasil registrou 1.581 operações de M&A em 2025, mantendo estabilidade em relação ao ano anterior mesmo diante de juros elevados e incertezas macroeconômicas. O estudo também mostrou que fundos de private equity e venture capital responderam por aproximadamente metade das transações realizadas no país, reforçando a busca por negócios mais estruturados e preparados para crescer de forma sustentável.

ParaLucas Mendes, CEO da Helping Hand e especialista em preparação de empresas para venda, a análise dos investidores hoje vai muito além dos números financeiros. “Uma empresa pode ter faturamento crescente e ainda assim perder valor em uma negociação por causa de conflitos internos, alta rotatividade ou ausência de cultura sólida. O investidor busca previsibilidade, integração e escalabilidade. Cultura virou indicador de risco”, afirma.

A mudança acontece especialmente em setores como tecnologia, serviços financeiros e negócios digitais, onde a retenção de talentos e a capacidade de integração entre equipes são fatores determinantes para o sucesso das operações após a aquisição. Nesse cenário, compradores passaram a avaliar com mais atenção aspectos ligados à governança, liderança, clima organizacional e capacidade de execução.

Profissionalização de gestão

Segundo especialistas, o tema ganhou relevância porque muitas empresas de médio porte chegaram a um estágio de crescimento em que a profissionalização da gestão se tornou indispensável. Estruturas pouco organizadas, dependência excessiva dos fundadores, conflitos societários e dificuldades para reter profissionais estratégicos passaram a representar riscos concretos para investidores que buscam negócios capazes de sustentar expansão de longo prazo.

“Em processos de venda, cultura organizacional não é mais vista como algo subjetivo. Ela influencia integração de equipes, retenção de executivos-chave, continuidade operacional e até a confiança do investidor na execução futura da empresa”, explica Mendes.

O tema também acompanha uma tendência global observada em operações de M&A. Com a maior participação de fundos de investimento e compradores estratégicos nas negociações, cresce a preocupação com fatores capazes de comprometer a captura de valor após a conclusão do negócio. Em muitos casos, desafios relacionados à integração cultural estão entre os principais responsáveis por dificuldades na consolidação das empresas adquiridas.

Cultura organizacional

Na avaliação da Helping Hand, empresas que desejam atrair investidores ou se preparar para uma eventual venda precisam tratar cultura organizacional como parte da estratégia de valorização do negócio. Isso inclui fortalecer processos de gestão, estruturar lideranças, criar mecanismos de governança e reduzir riscos associados à dependência de pessoas específicas ou à falta de alinhamento interno.

Com a retomada gradual do apetite de investidores e a crescente profissionalização do middle market brasileiro, especialistas acreditam que a tendência é que a cultura organizacional ganhe peso cada vez maior nas avaliações de empresas. “O empresário que deseja vender sua empresa pelo maior valor precisa entender que o mercado está comprando previsibilidade. E previsibilidade nasce de gestão, processos e cultura forte”, conclui Lucas Mendes.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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