Mercado de palestras cresce e eleva régua profissional

Mercado de palestras cresce e eleva régua profissional

Com cerca de 300 mil palestras corporativas por ano no Brasil, aumento da oferta amplia a disputa por espaço e valoriza conteúdo, autoridade,experiência e preparo

Cerca de 300 mil palestras corporativas são realizadas por ano no Brasil, segundo estimativa de empresas do setor publicada pela Folha de S.Paulo e reproduzida pelo site O Jornalismo. Na mesma reportagem, Mario Sergio Cortella, filósofo, professor e escritor, identifica uma “dupla mudança expressiva”: enquanto diminuem os grandes eventos nacionais que reúnem vários palestrantes, cresce o número de profissionais oferecendo palestras ao mercado.

O cenário mais amplo dos eventos corporativos, porém, segue aquecido: levantamento da DataEventos registrou aumento de 15,96% nos pedidos de orçamento entre janeiro e maio de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024, considerando feiras, congressos, convenções, seminários, reuniões, palestras e workshops.

Querer ingressar nesse mercado, porém, não significa estar pronto para ser comercializado como palestrante. A International Association of Speakers Bureaus (IASB), associação internacional que reúne agências e empresas do setor, recomenda que o profissional tenha site atualizado, formação e expertise claramente apresentadas, temas pelos quais seja reconhecido, além da definição dos públicos aos quais sua palestra se destina. A seleção para os showcases da entidade, nos quais palestrantes se apresentam a representantes de agências, exige ainda vídeo de 5 a 10 minutos diante de uma plateia, informações sobre temas e faixa de cachê e avaliação por uma comissão antes que o candidato possa avançar. ⁠

Bagagem profissional, por outro lado, também não garante sozinha uma boa apresentação. A alemã Expert Marketplace, plataforma ligada à Speakers Excellence, divulgou em junho os critérios utilizados na seleção de seus Top 100 Speakers. Além de conhecimento, são avaliados relevância profissional, experiência prática comprovável e presença de palco. Para a organização, um bom palestrante precisa conseguir tornar temas complexos compreensíveis, conectar conhecimento à aplicação prática e provocar novas perspectivas ou mudanças concretas na plateia.

Algumas dessas competências podem ser desenvolvidas. A palestrante e empresária Tathiane Deândhela, que mantém programas de formação para profissionais do setor, defende que uma história pessoal pode ser matéria-prima para uma palestra, mas não precisa se limitar ao relato autobiográfico. Ao explicar seu próprio modelo de storytelling, ela afirma que vai além da trajetória pessoal, apresentando métodos e técnicas exemplificados por experiências. Em artigo sobre palestrantes de sucesso, Tathi também destaca preparação prévia, conhecimento do perfil da plateia, prática de oratória e presença de palco entre características comuns aos profissionais que se destacam.

A exigência também aparece na perspectiva de quem contrata. A canadense Talent Bureau ouviu, em outubro de 2025, 250 profissionais que haviam participado de eventos nos 12 meses anteriores. Quando perguntados sobre o que mais gerava confiança na avaliação de um palestrante antes da contratação, 57% apontaram um roteiro claro e resultados de aprendizagem definidos. Reconhecimento do nome não ficou entre os três primeiros fatores. A agência destaca ainda preparação, histórias baseadas em experiências reais, capacidade de mobilizar a plateia e profissionalismo entre as características que diferenciam os melhores palestrantes.

Com mais de 40 anos de atuação no mercado de palestras e eventos, David Fadel, diretor da Fadel Palestrantes e mentor de profissionais do setor, também investe na formação de novos nomes. Segundo a própria agência, ele criou o primeiro curso para palestrantes no Brasil, pelo qual já passaram mais de 3 mil alunos, além de ter mentorado mais de 200 profissionais. No próximo sábado, 29 de agosto, das 8h às 19h, no Hotel Pestana São Paulo, David Fadel realiza a 17ª edição do Curso Nacional para Palestrantes, que discutirá formação de cachê, prospecção, negociação, posicionamento digital, relacionamento com agências e gestão da carreira. “Ser palestrante é administrar um negócio”, afirmou David Fadel em entrevista à IstoÉ Negócios. ⁠

A profissionalização avança em um mercado que já sustenta uma cadeia especializada de curadoria, contratação, formação e agenciamento. A CDPV Companhia de Palestras, em atividade desde 2003, informa participar de mais de 1.500 palestras por ano em todas as regiões brasileiras. Em meio à oferta crescente, os critérios apresentados por agências e especialistas de diferentes países convergem: uma história pode inspirar uma palestra, assim como décadas de experiência podem fornecer autoridade e repertório, mas transformar conhecimento ou vivência em carreira exige entregar algo relevante para quem está na plateia. A oportunidade existe, mas entrar nesse mercado é diferente de permanecer nele. Conteúdo, preparo, presença e capacidade de gerar valor para a plateia ajudam a transformar oportunidade em profissão.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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