Quem indica? Como as marcas disputam espaço nas respostas da IA

Consumidor precisa saber que a recomendação da IA não é neutra, alerta executivo
A busca por respostas na internet está mudando de forma acelerada. Nos primeiros quatro meses de 2026, 68% das buscas no Google nos Estados Unidos terminaram sem clique, segundo análise da SparkToro com dados da Similarweb. Para Johanna Goulart, CEO e cofundadora da First Answer, startup brasileira que oferece uma plataforma de AI Visibility e GEO (Generative Engine Optimization), isso pode significar que, cada vez mais, a resposta da inteligência artificial é o destino final da pesquisa, e por isso a disputa para ser “a marca recomendada” acaba sendo intensificada.
Esse movimento acompanha a rápida evolução dos modelos generativos. A OpenAI lançou o GPT-4o, modelo que responde com texto, voz e imagem. Com a expansão de ferramentas de IA, surge o debate sobre como as empresas podem conquistar visibilidade dentro das respostas geradas por inteligência artificial.
Para Rodrigo Beckmann, CTO e cofundador, “manipular” a IA é o enquadramento errado e altamente perigoso.“A IA não tem opinião própria: ela reflete as fontes que consome. Influenciar o que ela responde é, na maior parte, o mesmo trabalho legítimo que o SEO fez com o Google por 20 anos, construir autoridade, organizar informação e estar presente nas fontes certas. Isso é GEO, e é saudável. O problema é a linha que algumas empresas cruzam: plantar avaliações falsas, forjar autoridade e tentar enganar o modelo. Essa manipulação é frágil e some rápido, porque os modelos evoluem e a reputação real acaba prevalecendo”, afirma.
A disputa por visibilidade nas respostas de IA tende a se tornar uma disciplina permanente de marketing. Diante deste cenário, para Goulart, a resposta certa não é tentar “hackear” a IA, e sim medir e entender como ela enxerga a sua marca e agir com transparência sobre dados reais. “Marcas que encaram isso como um ativo de longo prazo, e não como um truque, são as que vão liderar. E o consumidor precisa saber que a recomendação da IA não é neutra: por trás dela existe uma disputa, o que torna a transparência e o monitoramento ainda mais essenciais”, explica.
Fundada no ano passado, a startup já possui atuação nacional e internacional, com clientes de diversos segmentos. “Medimos e auditamos a presença de marcas dentro dos modelos generativos, o que nos dá visão direta do mecanismo que decide qual marca a IA recomenda e das tentativas de influenciá-lo. O que realmente sustenta a presença de uma marca na IA é conteúdo verdadeiro, bem estruturado e consistente ao longo do tempo”, conclui Beckmann.








