Confiança entre empreendedores fortalece redes de apoio nos pequenos negócios

Confiança entre empreendedores fortalece redes de apoio nos pequenos negócios

Recomendações entre pares ajudam na descoberta de soluções e mostram como experiência, confiança e troca de conhecimento influenciam decisões de pequenos empreendedores

Antes de escolher uma ferramenta, contratar um serviço ou mudar a forma de operar o próprio negócio, pequenos empreendedores recorrem com frequência à experiência de quem enfrenta desafios semelhantes. Em grupos de WhatsApp, perfis de Instagram e comunidades de comércio digital, recomendações sobre preço, atendimento, tecnologia e logística circulam entre lojistas e ajudam a reduzir dúvidas na tomada de decisão.

O comportamento acompanha uma característica já conhecida da jornada de consumo: a confiança em recomendações pessoais. Estudo da Ipsos divulgado em 2026 aponta que recomendações de amigos, familiares ou contatos nas redes sociais influenciaram a decisão de compra de cerca de 60% dos consumidores brasileiros. No universo dos pequenos negócios, essa mesma lógica aparece na troca entre empreendedores que compartilham experiências sobre ferramentas e soluções utilizadas na própria rotina.

Na SuperFrete, plataforma de tecnologia que conecta pequenos negócios a opções de transporte, essa dinâmica acompanha a trajetória da marca. A empresa chegou à marca de 1 milhão de downloads de forma 100% orgânica, resultado que atribui, em parte, à força das recomendações e da comunidade construída entre seus usuários.

Outro dado ajuda a dimensionar esse comportamento: quase 40% dos clientes ativos já geraram um código para indicar a plataforma a outro empreendedor. Mais do que o número de indicações, porém, chama atenção a forma como essa recomendação acontece. Em quatro de cada cinco casos analisados pela empresa, quem recomenda também ajuda o novo usuário a realizar o primeiro envio.

São empreendedores que acompanham o processo pelo WhatsApp, enviam capturas de tela, esclarecem dúvidas e orientam quem ainda tem pouca familiaridade com vendas online.

Para Fernanda Clarkson, cofundadora e CMO da SuperFrete, esse comportamento mostra que a recomendação é consequência da experiência construída com o usuário.

“Uma marca passa a fazer parte da conversa quando consegue construir confiança ao longo da experiência. Para o pequeno negócio, isso ganha ainda mais peso porque muitas decisões são tomadas com base na vivência de outras pessoas que enfrentam os mesmos desafios. Quando alguém recomenda uma solução e ainda se dispõe a ajudar no primeiro uso, existe uma relação que vai muito além da indicação de um produto”, afirma.

Confiança vira referência para quem empreende

A força das recomendações também aparece em pesquisas de mercado. Levantamento da RD Station com 795 empresas apontou a indicação como a principal forma de captação de clientes para 63% dos negócios consultados, à frente do marketing digital e da prospecção ativa, citados por 42%.

Para pequenos negócios, a referência de alguém próximo pode diminuir a insegurança diante de decisões que envolvem custos, ferramentas desconhecidas ou mudanças na operação.

Quem recebe a recomendação não parte do zero. Já conhece a experiência de outra pessoa, consegue antecipar dúvidas e encontra uma referência prática sobre como aquela solução funciona no dia a dia.

Esse comportamento ganha espaço principalmente em ambientes nos quais pequenos negócios já se relacionam. Grupos de WhatsApp, comunidades de artesanato, revenda, comércio local e perfis nas redes sociais funcionam como pontos de troca sobre fornecedores, formas de pagamento, divulgação, logística e atendimento.

Na prática, essas conversas também ajudam a disseminar conhecimento entre empreendedores com níveis diferentes de experiência digital.

Da recomendação ao primeiro envio

Na SuperFrete, esse comportamento também pode ser observado no Convide e Ganhe, programa que permite que clientes compartilhem a plataforma com outros empreendedores.

O programa funciona como uma extensão de um hábito que já acontece de maneira espontânea entre os usuários. Depois da recomendação, parte dos clientes segue acompanhando o novo lojista fora da plataforma, principalmente pelo WhatsApp, durante os primeiros passos da operação.

Em entrevistas qualitativas realizadas pela empresa com participantes do programa, todos os usuários ouvidos apontaram a confiança no produto como principal razão para recomendá-lo. Por se tratar de uma análise qualitativa, o dado não representa toda a base, mas ajuda a revelar o que motiva esse comportamento.

A experiência também mostra que a recomendação pode assumir uma dimensão prática. Quem já utiliza uma solução compartilha conhecimento com alguém que está começando, explica etapas, antecipa dificuldades e reduz a curva inicial de aprendizado.

No caso da logística, isso pode significar mostrar como comparar alternativas de transporte, calcular um envio ou realizar uma primeira postagem.

Comunidade amplia acesso à informação

Para pequenos negócios, o acesso à informação também influencia a competitividade. Empreendedores que estão começando nem sempre conhecem diferentes alternativas de transporte, ferramentas digitais ou formas de estruturar processos que operações maiores já utilizam.

É nesse ponto que as redes de confiança assumem outro papel. Ao compartilhar uma experiência positiva, um empreendedor também coloca outra pessoa em contato com soluções que talvez não conhecesse por outros canais.

Segundo Fernanda, esse movimento está diretamente ligado à estratégia de construção de marca da SuperFrete.

“A recomendação é uma consequência da confiança. Quando o empreendedor encontra uma solução que funciona para a realidade dele, existe uma tendência natural de compartilhar essa experiência com quem vive dificuldades parecidas. Para nós, construir comunidade significa justamente criar uma relação em que o usuário não apenas utiliza a plataforma, mas se sente seguro para falar sobre ela e ajudar outros empreendedores a avançarem também”, diz.

A troca também ajuda a democratizar o acesso à logística. Ferramentas para comparar transportadoras, preços e prazos foram historicamente mais acessíveis a operações com maior volume. Quando esse conhecimento passa a circular entre pequenos vendedores, mais empreendedores conseguem conhecer alternativas para organizar seus envios e tomar decisões sobre a própria operação.

Para a SuperFrete, a força dessas relações ajuda a explicar como uma empresa de tecnologia pode crescer não apenas pela exposição da marca, mas pela experiência que os próprios usuários escolhem compartilhar.

Crédito da imagem: Pexels

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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