O próximo passo do empreendedor é construir uma empresa que decide

O próximo passo do empreendedor é construir uma empresa que decide
Thiago Shimada.

Profissionalização da gestão amplia a autonomia das equipes e prepara empresas para crescer com mais consistência

A busca por um crescimento mais disciplinado ganhou peso entre empreendedores. Segundo a CEO Outlook 2026 da EY Parthenon, 91% dos líderes de empresas em expansão entrevistados consideram um caminho claro para a lucratividade mais importante do que crescer rapidamente, enquanto 59% afirmam que o acesso ao capital ficou mais restrito nos últimos 12 meses. Nesse cenário, a evolução da gestão ganha importância: à medida que a empresa cresce, ampliar a autonomia das equipes e distribuir decisões pode ser fundamental para acompanhar o ritmo da operação.

Para Thiago Shimada, estrategista de Business Performance e especialista em neuromodulação aplicada à tomada de decisão, profissionalizar a gestão exige uma mudança na forma como o líder exerce o comando. Com mais de 13 anos de experiência como empreendedor, ele atua na conexão entre comportamento humano, liderança e estratégia empresarial para analisar como padrões decisórios influenciam a performance das organizações.

“À medida que a empresa cresce, o papel do empresário também precisa evoluir. Não basta montar uma equipe e contratar gestores se as principais decisões continuam concentradas no fundador. A operação pode crescer, mas é importante que a autonomia acompanhe esse movimento. Quando isso acontece, a empresa ganha capacidade para avançar sem depender da participação do fundador em cada decisão”, afirma Shimada.

A centralização nem sempre começa como um problema. Nos primeiros anos, o dono costuma acompanhar vendas, fornecedores, contratações, finanças e relacionamento com clientes. Esse domínio da operação pode ajudar o negócio a ganhar velocidade. A dificuldade aparece quando a estrutura aumenta, mas a maneira de liderar permanece igual.

Na prática, os sinais surgem quando gestores precisam consultar o fundador para assuntos que já deveriam estar dentro de suas atribuições, projetos ficam parados à espera de aprovação e profissionais evitam assumir responsabilidades porque sabem que a palavra final continuará concentrada no comando.

Case Magazine Luiza

Um caso conhecido do empresariado brasileiro ajuda a mostrar como a profissionalização pode alterar essa dinâmica. No Magazine Luiza, o processo de fortalecimento da gestão começou anos antes da sucessão mais recente da família. Em 2009, Marcelo Silva foi contratado para formar uma diretoria executiva mais profissionalizada. Nos anos seguintes, a varejista abriu o capital, ampliou sua estrutura de governança e criou comitês ligados a áreas como auditoria, riscos, finanças, estratégia e cultura organizacional. Em 2016, Frederico Trajano assumiu a presidência executiva, enquanto Luiza Helena Trajano passou à presidência do conselho de administração.

Delegar também é uma estratégia de crescimento

Delegar, segundo o especialista, não significa simplesmente repassar tarefas. A gestão profissional depende da definição de responsabilidades, critérios para escolhas, indicadores de desempenho e limites claros de autonomia. Sem essa estrutura, o fundador pode até reduzir parte da execução diária, mas continuará concentrando as decisões relevantes.

“Delegação sem autonomia apenas muda quem executa. Se o empresário continua aprovando cada contratação, negociação, investimento ou mudança operacional, ele distribuiu trabalho, mas não construiu uma organização capaz de decidir sem sua presença”, explica o estrategista.

O desenvolvimento de lideranças é outra etapa do processo. Criar cargos de gestão sem transferir autoridade tende a produzir uma estrutura formal que permanece dependente do topo. O profissional recebe a função, mas não dispõe de espaço real para conduzir a área, responder a problemas ou assumir riscos dentro de parâmetros previamente estabelecidos.

Essa dependência pode se tornar ainda mais crítica durante períodos de expansão. A mesma pesquisa da EY mostra que quase dois terços dos empreendedores participantes esperam crescimento de receita de 50% ou mais nos próximos 12 meses. À medida que as operações aumentam de tamanho e complexidade, manter as escolhas concentradas em uma única pessoa tende a elevar o número de aprovações e reduzir a velocidade de resposta.

Dificuldade de delegar

Para Shimada, um dos fatores que explicam a dificuldade de delegar está na relação entre controle e segurança. O fundador conhece a história do negócio, participou das principais escolhas e muitas vezes desenvolveu métodos próprios para resolver problemas. Ao transferir responsabilidade, precisa aceitar que outras pessoas podem chegar ao resultado por caminhos diferentes dos seus.

“Existe uma diferença entre acompanhar o negócio e precisar controlar cada movimento. O líder continua responsável pela direção, pela cultura e pelos resultados, mas precisa construir mecanismos para que outras pessoas consigam decidir. Se tudo depender do dono, a empresa tem equipe, mas ainda não tem autonomia”, ressalta o especialista.

A profissionalização da gestão passa, portanto, por separar as decisões estratégicas daquelas que podem ser assumidas pelas lideranças. Indicadores, processos documentados, metas, responsabilidades e critérios de aprovação ajudam a criar previsibilidade sem exigir que o fundador participe de todos os movimentos da operação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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