Consumidor de luxo muda prioridades e transforma a procura por veículos premium

Consumidor de luxo muda prioridades e transforma a procura por veículos premium

Com o mercado de luxo crescendo 6,6% no Brasil, compradores de alta renda buscam mais tecnologia, eletrificação e conforto

O mercado automotivo premium permite observar mudanças que vão além da simples escolha de um veículo. Preferências por determinados modelos, marcas, tecnologias e características de desempenho podem revelar as novas prioridades do consumidor brasileiro de alta renda. Essa realidade tem aquecido o setor.

Segundo dados da K.Lume Consultoria, as vendas de carros de luxo no Brasil cresceram 6,6% em 2025, superando a marca de 54 mil unidades emplacadas. O ritmo é muito superior à média global do segmento, que 2,75% no mesmo período.

Paralelamente a isso, o setor de seminovos e usados vive um boom, tendo encerrado o último ano com o recorde histórico de mais de 18,5 milhões de comercializações, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Nesse cenário, os seminovos premium se destacam como uma escolha inteligente para o consumidor de alta renda, capaz de aliar entrega imediata a configurações exclusivas sem a forte depreciação inicial do zero-quilômetro.

Felipe Janeiro, sócio da Via Soho, loja especializada no segmento premium e superesportivo em Curitiba, acompanha essa evolução de perto.

“Hoje, dois clientes com o mesmo orçamento podem escolher carros completamente diferentes. Um procura a emoção de dirigir um esportivo de alta performance, enquanto outro prefere investir em um SUV com mais conforto, espaço e tecnologia. O que define a compra não é apenas quanto o cliente está disposto a gastar, mas o que ele espera daquele veículo”, observa Janeiro.

As preferências por modelos, marcas e níveis de personalização ajudam a compreender essa transformação no comportamento dos compradores. “Mais do que uma mudança de perfil, o que observamos é uma mudança de desejos. O cliente da Via Soho continua sendo alguém que busca experiência, exclusividade e a realização de um sonho”, explica.

A mudança dos desejos e a curadoria automotiva

Diferentemente do passado, em que estatísticas demográficas rígidas ditavam as regras de consumo, hoje o comportamento é fluido e voltado à experiência. “Indicadores como idade, ticket médio e preço não necessariamente orientam a nossa estratégia”, pontua Janeiro.

“O que é realmente determinante são fatores de contexto. O sonho de ter um muscle car (carro focado em força bruta, torque e presença) ou hypercar (carro focado em tecnologia, desempenho e exclusividade), o custo benefício, o mercado elétrico, o cenário político e econômico, entre outros. É acompanhando esses sinais que conseguimos ter o carro certo, no momento certo, à disposição do cliente.”

Os critérios que definem a compra foram recalibrados. O empresário explica que ouvir o consumidor tornou-se a ferramenta de venda mais poderosa do setor, pois o mercado de luxo se apoia em pilares como performance, tecnologia, conforto e exclusividade, mas o que muda é o peso que cada cliente dá a cada um deles. Nos últimos anos, fatores como preço do combustível, tecnologia e conforto ganharam protagonismo, exigindo uma nova abordagem do lojista.

“Por isso, nosso trabalho vai além da venda, é uma curadoria. Fazemos perguntas sobre estilo de vida, rotina e preferências de configuração para entender o que aquele cliente valoriza e encontrar o carro que traduz isso”, detalha Janeiro. Segundo ele, é justamente essa escuta atenta que garante a satisfação de quem compra.

Tecnologia, performance e a revolução elétrica

Se antes a alta cilindrada era o único idioma do segmento de luxo, hoje a conectividade e a sustentabilidade ganharam voz ativa. Há alguns anos, as marcas focavam a experiência ao volante em motores grandes, mas atualmente os esforços se concentram em conforto, segurança e durabilidade, sempre com eficiência comprovada frente a legislações cada vez mais rigorosas. Janeiro destaca que a principal virada desse cenário é que o mercado “passou a buscar tecnologia combinada a performance”.

Essa nova dinâmica abriu portas para uma concorrência acirrada. “O movimento mais evidente é o aumento significativo da procura por elétricos e híbridos plug-in”, revela. O executivo conta que o cliente atual chega bem-informado à loja, mas as conversas técnicas sobre desempenho e durabilidade passaram a centralizar a decisão de compra.

Nesse aspecto, marcas chinesas como BYD e Omoda vêm ganhando destaque e disputando espaço com nomes tradicionais, como BMW e Mercedes-Benz. “Essa concorrência eleva o padrão geral do mercado e quem sai ganhando é o consumidor, que passa a ter à disposição carros cada vez mais completos, seguros e luxuosos”.

Para Leonardo Nunes, sócio da Via Soho, essa diversificação também está mudando a forma como os consumidores avaliam suas opções. “A marca continua tendo peso, especialmente no segmento de luxo, mas já não é o único fator decisivo. O consumidor está mais aberto a conhecer fabricantes que antes não considerava e a comparar carros com propostas bastante diferentes. Hoje, a escolha passa muito mais pelo que o veículo oferece do que apenas pelo nome que ele carrega”, observa.

O carro certo para cada momento da vida

As inovações constantes fazem com que o nível de exigência suba ano após ano. O consumidor de alta renda continua disposto a investir em modelos de alto padrão, mas suas expectativas evoluem na mesma velocidade que os veículos. Para atender a esse público de forma personalizada, a Via Soho mantém unidades exclusivas em estoque, busca lançamentos diretamente nas montadoras e, dependendo da customização, realiza importação de modelos sob encomenda. Janeiro avalia que a exclusividade se tornou um atributo básico somado à tecnologia e ao conforto, ressaltando que ela “já não é suficiente por si só”.

Em vez de apostar em um único carro versátil, o novo consumidor endinheirado prefere montar garagens com propósitos diferentes, pois o automóvel de luxo exerce diversos papéis. “Existe a demanda por modelos para o uso diário, passeios em família ou eventos em clubes, e também o forte universo dos colecionáveis, onde pesam a história do carro, a trajetória da marca, a valorização financeira e a nostalgia da infância”, salienta o sócio da Via Soho. E conclui que, diante de tantas opções, o comprador de hoje não escolhe apenas um veículo, mas sim “o carro certo para cada momento da sua vida”.

Crédito da foto: Divulgação Via Soho

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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