Custo da antecipação de recebíveis aumenta para maior nível em 10 meses

Custo da antecipação de recebíveis aumenta para maior nível em 10 meses

Deságio avançou de 2,74% em agosto para 2,92% em setembro

As emissões de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) somaram R$ 87,8 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 43% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O avanço da captação, porém, convive com uma alta no custo da antecipação de recebíveis. De acordo com análise da Quick Soft, em setembro, o deságio médio dessas operações passou de 2,74% em agosto para 2,92% em setembro, a maior elevação mensal da série iniciada em setembro de 2025.

O deságio é o desconto aplicado sobre o valor de um recebível para que a empresa receba antecipadamente um recurso previsto para uma data futura. O indicador é acompanhado pelo Qtrends, ferramenta da Quick Soft que consolida dados agregados de operações de antecipação de recebíveis processadas por FIDCs. A alta de 0,18 ponto percentual em setembro levou a taxa ao maior nível desde dezembro de 2025.

Na avaliação da companhia, a combinação entre captação elevada e aumento do deságio indica que a disponibilidade de recursos nos fundos tem convivido com maior cautela na avaliação dos riscos das operações.

“A captação mostra o interesse dos investidores pelos FIDCs. Já o deságio reflete as condições em que os recebíveis são negociados. A entrada de recursos pode ampliar a capacidade de compra dos fundos, mas o preço de cada operação depende da avaliação de quem cede o crédito, de quem vai pagá-lo e das características da carteira”, afirma Lucas Fiuza, co-CEO da Quick Soft.

Emissões se aproximam do total de 2025

Em setembro, as emissões de FIDCs alcançaram R$ 13,5 bilhões, o terceiro maior volume mensal de 2026, atrás de abril, com R$ 15 bilhões, e agosto, com R$ 14,5 bilhões. Juntos, agosto e setembro responderam por R$ 28 bilhões, o maior volume em dois meses consecutivos desde dezembro de 2021 e janeiro de 2022.

Com o resultado, o acumulado dos primeiros nove meses ficou R$ 3,2 bilhões abaixo de todo o volume emitido em 2025. Os FIDCs também ampliaram sua participação nas emissões de securitização, considerando FIDCs, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). A fatia passou de 49%, entre janeiro e setembro de 2025, para 68% no mesmo período de 2026.

Volume por cliente recua

Enquanto as emissões permaneceram elevadas, o volume operado por cliente na base acompanhada pelo Qtrends caiu 2,8% em setembro. O prazo médio das operações ficou em 50,8 dias, dentro da faixa observada na maior parte da série histórica.

Para a Quick Soft, “é preciso acompanhar tanto a capacidade de investimento dos fundos quanto a geração de recebíveis pelas empresas. Se há mais recursos disponíveis, mas a oferta de créditos que atendem aos critérios dos fundos não acompanha esse movimento, a disputa por essas operações pode aumentar”, explica Fiuza.

Segundo a companhia, a trajetória do deságio será um dos principais indicadores para avaliar esse equilíbrio nos próximos meses. Uma queda das taxas sem recuperação da atividade poderá sinalizar maior competição pelos recebíveis. A continuidade da alta, por sua vez, poderá indicar que a percepção de risco segue tendo maior peso na formação dos preços.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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