Justiça libera R$ 2,9 bilhões em atrasados do INSS

Justiça libera R$ 2,9 bilhões em atrasados do INSS
SÃO PAULO, SP, 28.12.2019 – INSS-APOSENTADORIA: O Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou cerca de R$ 930,4 milhões de reais para pagar as Requisições de Pequeno Valor (RPVs) para mais de 73 mil segurados. O valor é de quase R$ 60 mil este ano, pagos a quem ganhou ações de concessão ou revisão de aposentadoria, pensões e auxílios. (Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress)

Confira quem tem direito e como saber se vai receber

A liberação de R$ 2,9 bilhões para o pagamento de valores atrasados do INSS deve beneficiar mais de 193 mil pessoas em todo o Brasil. Anunciada pelo Conselho da Justiça Federal (CJF), nesta quarta-feira (21), a medida contempla pagamentos decorrentes de decisões judiciais envolvendo aposentadorias, pensões, benefícios por incapacidade e benefícios assistenciais. No entanto, a divulgação do montante também levanta dúvidas sobre quem tem direito ao dinheiro, como descobrir se o pagamento foi autorizado e quando será possível sacar os valores.

Segundo o CJF, foram liberados R$ 2,93 bilhões para 193.242 beneficiários de 138.945 processos previdenciários e assistenciais. Os recursos correspondem a Requisições de Pequeno Valor (RPVs) autuadas em setembro de 2026. Considerando também outras espécies de ações judiciais, a liberação total chega a R$ 3,52 bilhões.

Para Carmen Bosquê, advogada e sócia do escritório Bosquê & Grieco Advogados Associados, é importante esclarecer que a notícia não representa um pagamento generalizado aos beneficiários da Previdência.

“A liberação dos recursos não significa que todos os aposentados e pensionistas têm dinheiro a receber. Estamos falando de valores reconhecidos em processos judiciais que já chegaram à fase de pagamento. Mesmo quem venceu uma ação contra o INSS precisa verificar se a requisição foi expedida e incluída no lote. É essa etapa processual que determina quem será contemplado”, explica a advogada.

Quem tem direito a receber os valores liberados?

Os recursos são destinados a pessoas que obtiveram decisões judiciais definitivas favoráveis em ações previdenciárias ou assistenciais, com valores atrasados a receber, e cujas RPVs foram encaminhadas e autuadas no tribunal em setembro de 2026.

Isso pode incluir situações como revisão do valor da aposentadoria, concessão de benefícios anteriormente negados pelo INSS e reconhecimento de parcelas não pagas no período devido. Portanto, não basta ser aposentado, pensionista ou ter um processo em andamento. É necessário que a ação tenha alcançado a etapa de pagamento e esteja incluída na relação de requisições contempladas.

Ganhei uma ação contra o INSS. Vou receber agora?

Não necessariamente. Uma decisão judicial favorável não significa que o pagamento será feito imediatamente.

Depois da definição do direito, ainda pode ser necessário apurar os valores devidos, concluir a fase de execução e expedir a requisição de pagamento. Apenas os processos que cumpriram essas etapas e tiveram RPVs incluídas no lote correspondente poderão receber os recursos desta liberação.

Como consultar se tenho dinheiro a receber?

A consulta deve ser feita no site do Tribunal Regional Federal (TRF) responsável pelo processo, na área de precatórios e requisições de pequeno valor.

O interessado poderá precisar do número do processo, CPF ou outros dados de identificação, conforme o sistema utilizado pelo tribunal. Também é possível solicitar essas informações ao advogado responsável pela ação.

Na consulta, é importante conferir a situação da requisição, o banco responsável pelo depósito e, principalmente, a data a partir da qual o saque estará autorizado.

O dinheiro já está disponível para saque?

Não necessariamente. O CJF realiza a liberação dos recursos aos tribunais, mas cabe a cada TRF organizar os depósitos de acordo com seu próprio cronograma.

Por isso, a publicação da notícia não significa que o valor já esteja disponível na conta do beneficiário. Os depósitos são realizados em contas judiciais individualizadas, geralmente na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil.

Qual é a diferença entre RPV e precatório?

As duas modalidades são utilizadas para pagar dívidas do poder público reconhecidas judicialmente. A principal diferença está no valor da dívida e no prazo de pagamento.

Na Justiça Federal, as RPVs são utilizadas para créditos de até 60 salários mínimos, o equivalente a R$ 97.260 em 2026. A legislação prevê seu pagamento em até 60 dias após a apresentação da requisição.

Já os precatórios são destinados, em regra, a valores superiores a esse limite e seguem um calendário orçamentário próprio, com prazos mais longos.

Existe ainda a possibilidade de o beneficiário renunciar à parcela que ultrapassa o teto legal para receber por RPV. Entretanto, essa escolha exige cautela, pois envolve abrir mão definitivamente de parte do crédito.

“A diferença entre RPV e precatório vai além do tempo de espera. Quando o crédito supera o limite de 60 salários mínimos, é possível avaliar a renúncia ao excedente para utilizar o procedimento mais rápido. Mas essa não é uma decisão automática. É preciso calcular o valor que seria abandonado e analisar se a antecipação do recebimento realmente compensa”, destaca Carmen.

É necessário pagar alguma taxa para liberar o dinheiro?

Não. O beneficiário deve desconfiar de contatos que solicitem transferências, depósitos antecipados ou pagamentos de supostas taxas para liberar RPVs e precatórios. A recomendação é acompanhar as informações exclusivamente pelos canais oficiais do Judiciário e, em caso de dúvida, procurar o advogado responsável pelo processo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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