Resultado da eleição exige cautela dos pequenos negócios às oportunidades e riscos econômicos

Contratos com o governo, mudanças no MEI e juros elevados são pontos de atenção antes de investir
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República traz uma pergunta para quem tem ou pretende abrir um pequeno negócio: onde estão as oportunidades de ganhar dinheiro e quais riscos podem comprometer o faturamento nos próximos quatro anos? Para Nathalia Arcuri, jornalista, empresária e especialista em finanças, o momento pede atenção independente da preferência política, pois ela sozinha não paga fornecedores, não garante clientes e muito menos resolve problemas de gestão.
A plataforma Contrata+Brasil é uma das possibilidades pouco exploradas pelos microempreendedores. Ela permite que profissionais formalizados como MEI ofereçam serviços a órgãos federais, estaduais e municipais sem a necessidade de licitação. Há oportunidades em serviços de manutenção, pequenos reparos, eventos e alimentação, que podem representar uma nova fonte de receita para trabalhadores autônomos. Nesse caso, antes de apresentar uma proposta, o fornecedor precisa calcular os custos da operação, verificar sua capacidade de atendimento e avaliar se dispõe de capital de giro para cumprir as obrigações até receber o pagamento.
Atenção às novas regras do MEI
As alterações nas regras do Microempreendedor Individual também merecem atenção. A Lei Complementar nº 238, sancionada em 21 de outubro de 2026, estabelece o aumento do teto anual de faturamento para 110 mil reais em 2027 e 140 mil reais a partir de 2028, além de ampliar para dois o número de empregados permitidos. A legislação ainda prevê o perdão de determinados débitos federais vinculados ao MEI, inscritos ou não em Dívida Ativa da União até 13 de outubro, desde que sejam atendidas as condições legais. Para quem está em processo de formalização ou crescimento, conhecer essas regras ajuda a planejar a expansão sem comprometer a regularidade fiscal.
O custo do crédito, por sua vez, continua entre os principais desafios para empresas de menor porte, taxas de juros elevadas encarecem financiamentos, pressionam o caixa e dificultam a compra de equipamentos ou a ampliação dos estoques. A situação das contas públicas também exige acompanhamento, já que decisões sobre despesas, arrecadação e endividamento influenciam as expectativas de inflação e as condições econômicas do país.
“O momento é de muita cautela ao assumir parcelas de longo prazo, é preciso conhecer o custo total da dívida e a capacidade de pagamento”, orienta Nathalia Arcuri, fundadora da Me Poupe!, o maior ecossistema de finanças pessoais do Brasil.
Nem todas as dificuldades têm origem nas decisões do Palácio do Planalto, a cotação do dólar, os conflitos internacionais, o preço do petróleo e as políticas comerciais de outros países afetam o valor das matérias-primas, do transporte e dos produtos vendidos no Brasil. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial oferece recursos para automatizar tarefas administrativas, organizar informações e melhorar processos de venda, estar atento e investir em qualificação é uma maneira de manter e até encontrar novas possibilidades de receita sem depender exclusivamente de incentivos governamentais.
“Conhecer o próprio mercado antes de assumir compromissos financeiros nunca foi tão importante. Manter as contas pessoais separadas das empresariais, acompanhar a margem de lucro, estudar o comportamento dos consumidores e reservar recursos para despesas inesperadas são medidas que ajudam a sustentar a atividade. Decisões de investimento não devem ser tomadas por entusiasmo ou receio após uma eleição, mas pela análise das condições reais de cada empresa. O governo pode criar oportunidades e impor desafios, porém cabe ao empreendedor decidir quais riscos consegue assumir, quanto precisa vender para manter a operação e se o crescimento pretendido faz sentido para o seu bolso”, finaliza Arcuri.








