Pesquisa mostra que 82,6% dos profissionais querem ser freelancer ou empreender

Há tempos nota-se que a expansão da Gig Economy – que consiste na atuação dos profissionais de forma independente, em empregos alternativos ou freelance – vem acontecendo a passos largos, e gerando mudanças estruturais no mercado de trabalho. Diante desse fenômeno, que veio para ficar apesar de não figurar em estatísticas oficiais no Brasil, a Workana , maior plataforma que conecta freelancers a empresas da América Latina, se uniu a FGV e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul para realizar uma pesquisa que quebra paradigmas sobre essa carreira, e traz pontos importantes a serem analisados e considerados por todos – profissionais e empresas – hoje, e no futuro.
• Grau de especialização e experiência
Para quem acha que o mercado freelance conta, em sua maioria, com profissionais em início de carreira e poucos especialistas, o estudo mostra que 68,6% dos freelancers têm mais de 5 anos de experiência, 49,7% possuem graduação completa, 19,8% têm pós, mestrado ou doutorado, e 39,5% são fluentes em mais de um idioma .
• O futuro é independente
Já para desmistificar essa história de que profissional independente só adere a essa modalidade em caso de necessidade, 82,6% dos entrevistados para a pesquisa afirmaram que querem atuar como freelancer ou ser empreendedor, e só 7% sinalizaram a intenção de voltar a trabalhar como CLT. E a possível falta de responsabilidade com os projetos passa bem longe dos freelancers. 66,9% deles viram seu comprometimento atual ser igual ou até maior do de quando trabalhavam no modelo CLT.
Dentre as vantagens de desempenhar suas tarefas de casa, flexibilidade de horários foi destacada por 74,2% dos freelancers, autonomia por 61,1%, e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho por 59,3%. Aliás, essas são razões para a escolha dessa modalidade de trabalho, razões essas que aparecem bem à frente de questões ligadas à perda de emprego, por exemplo, citada por apenas 6,1% dos entrevistados. Os números revelam ainda que muitos não veem esse mercado como algo transitório. 37,3% são freelancers full time ou part-time, e 12,9% estão em um emprego mas querem trilhar uma carreira independente, e por isso já ingressaram na plataforma. Já as desvantagens mencionadas por esses profissionais são a falta de benefícios (42,4%), de estabilidade (38,4%) e a remuneração (33%).
• Renda
Falando em remuneração, um levantamento feito pela Workana em abril/21 trouxe uma boa notícia aos freelancers. Ele indicou que o ticket médio por projeto na plataforma aumentou 20% no último ano, mesmo com a pandemia. Isso porque subiu o número de oportunidades no marketplace, aumentou a demanda por profissionais e, consequentemente, houve alta no ticket médio. E a pesquisa da FGV, UFRGS e Workana aponta que 41,8% dos profissionais independentes consideram sua renda atual maior ou equivalente à que recebiam no último emprego como CLT, porcentagem bem parecida com a de pessoas que viram a renda diminuir, que foi de 39,25% – um equilíbrio de opiniões.
• Habilidades que serão diferenciais
As soft skills, ou habilidades pessoais, seguem no topo dos fatores que devem ser decisivos aos profissionais no presente e no futuro. 67,7% acreditam que é fundamental ter uma boa capacidade de aprendizado, 63,2% apostam na inovação e criatividade, 58,2% gestão do tempo, e 53,4% atenção aos detalhes. Mas isso não significa que as hard skills ficarão de fora, elas se tornam itens básicos. Não à toa, os freelancers investem bastante em qualificação e atualização profissional – lifelong learning . 55,37% deles contabilizam de 41h a mais de 200h por ano em treinamentos e desenvolvimento .
Em 2019 havia no Brasil mais de 5 milhões de trabalhadores independentes atuando como PJ. Hoje, estima-se que esse montante seja ainda maior devido aos efeitos econômicos da pandemia. Acompanhar esse crescimento e observar o comportamento, as necessidades e os anseios desses profissionais é fundamental às empresas que almejam ter um bom desempenho, desenvolvendo estratégias de gestão e ação que gerem equilíbrio entre a vida pessoal e profissional das pessoas.








