Baufaker Consulting desiste da compra da Itapemerim

Baufaker Consulting desiste da compra da Itapemerim

Erros comuns que prejudicam a saúde financeira das empresas podem ser evitados

Após o baque em 2020, o lucro das 290 empresas listadas na B3 (bolsa de valores brasileira) mais do que triplicou em 2021 — alta de 235%. Apesar disso, enquanto CEO’s e presidentes de grandes negócios viram o faturamento disparar no último ano, outros trilharam um caminho completamente oposto. No mesmo período, 622 empresas decretaram falência no Brasil. E o cenário para 2022 pode ser ainda pior, de acordo com a projeção divulgada pela Euler Hermes, líder mundial em seguro de crédito — quase 3 mil empresas estão com risco de insolvência

Diante das estatísticas, a advogada Juliana Biolchi, diretora geral de um dos primeiros escritórios do País a se especializar em recuperações extrajudiciais, explica que grandes empresas não caem somente por forças externas, como pensa a maioria. “Decisões equivocadas, transição geracional e falta de planejamento são os elementos que compõem a fórmula perfeita para o declínio das organizações”, alerta. Ela defende que, por mais que uma empresa seja líder de mercado, seu gestor precisa entender que está vulnerável o tempo todo.

Não foi o caso da brasileira Itapemirim S/A, ou simplesmente ITA, uma das maiores e mais tradicionais empresas de transporte rodoviário da América Latina. Em meio à pior crise do setor aéreo gerada pela Covid-19, o grupo anunciou, em 2020, que lançaria sua própria companhia aérea. A notícia repercutiu em todo País e até autoridades do alto escalão do Governo Federal comemoraram. A promessa de voos com preços muito abaixo da concorrência gerou altas expectativas. O que ninguém esperava era que o declínio viria tão rápido — apenas 6 meses.

Em dezembro do ano passado, a ITA foi notificada pelo Procon-SP para prestar esclarecimentos sobre a interrupção dos voos. Na época, do dia para a noite, 514 viagens ficaram sem futuro definido. “Eles começaram as atividades com frotas e operações em aeroportos bem abaixo do anunciado. As passagens eram muito inferiores, se comparadas às de seus concorrentes e, além disso, soube-se, também, que o grupo acumula uma dívida bilionária desde 2016, quando entrou com um pedido de recuperação judicial”, explica.

No dia 13 de abril, a aérea foi vendida para a Baufaker Consulting por R$ 180 milhões. Mas, a transação não foi suficiente para apaziguar a situação e, no dia 20 de abril, o caso tomou uma proporção ainda maior. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), emitiu um comunicado suspendendo todas as 96 linhas de ônibus da empresa, seu braço mais forte. Nesta terça-feira (03/05), a compradora desistiu do negócio.

Assim como a gigante Itapemirim, centenas de promessas nacionais protagonizaram o mesmo fim. Para Juliana, é possível elencar os erros mais comuns de gestores, que prejudicam a saúde financeira das empresas, mas que poderiam ser evitados se fossem antecipados e revertidos. Confira como esse acúmulo para o fim progride e coloca em risco a existência das companhias:

  • Distanciar-se da realidade do mercado

Perder a capacidade de entender os comportamentos do mercado, costuma ser um primeiro passo em falso. “Sucesso, muitas vezes, gera excesso de confiança, o que é muito perigoso. Um líder equivocado pode levar seu negócio para a ruína praticamente sozinho, e, com a rapidez da roda da história na atualidade, em um curto espaço de tempo”, acredita a especialista.

  • Querer mais do que pode gerenciar

Inovação é importante, mas é preciso ter cuidado quando a decisão é entrar em um mercado ou setor que a empresa não domina. Esses movimentos, em geral, comprometem as margens e, com isso, o resultado. “Evite abraçar o mundo. Mantenha o foco na geração de caixa, na qualidade do produto ou na prestação de serviço”, reforça.

  • Não enfrentar os problemas

Se os resultados das escolhas são negativos, muitos gestores insistem em procurar culpados externos, como a crise econômica ou uma nova lei que foi sancionada pelo governo. “É comum, ainda, buscar paliativos que não resolvem o quadro, como reorganizar o organograma da empresa, quando a principal questão, que mais contribui para comprometer o resultado, está na precificação equivocada, por exemplo. A raiz do problema é ignorada”, comenta.

  • Buscar soluções mágicas

Quando os problemas acumulados começam a pesar, o gestor entra num processo constante de busca “da solução definitiva”, esquecendo que não há uma só medida capaz de reverter o declínio, senão um conjunto bem estruturado delas. “O milagre do investidor, por exemplo, é uma das mais comuns formas de auto-engano neste ponto da evolução do quadro”, considera Juliana.

  • Entregar o jogo

Após tantas tentativas de encontrar soluções geniais que não funcionam, o desgaste e a desmotivação se generalizam. Não raro, quando chega nesse ponto, o time perde a moral; e, a empresa, o valor de mercado, enquanto seus gestores se limitam a vender as ações para tentar escapar do naufrágio. “Quando a perspectiva de revitalização vai embora, a companhia perde sua identidade e se torna uma triste lembrança do que já foi um dia”, enfatiza.

O que fazer?

Quanto mais cedo a empresa identificar que sua performance está comprometida, melhor. “Agindo com planejamento, cautela e estratégias bem definidas, é possível prevenir ou reverter o declínio”, garante a especialista. Ter em mente que nenhum planejamento bem estruturado dará retorno imediato e organizar a empresa para uma atuação qualificada a médio e longo prazo, ciente dos riscos, também é fundamental para entender a realidade em que o empreendimento está inserido.

Para auxiliar no processo de revitalização de empresas, a Biolchi criou o Portal de Renegociação Extrajudicial e o Observatório Brasileiro de Recuperações Extrajudiciais (Obre), um banco de dados nacional sobre recuperações extrajudiciais que tem por objetivo gerar informações importantes que dão respaldo para a tomada de decisão. “É gratuito, funcional e pode ser usado por qualquer gestor”, explica Juliana Biolchi, diretora geral do escritório.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *