Portabilidade dos vales-alimentação demandará regulamentação

Portabilidade dos vales-alimentação demandará regulamentação

Entidade representante do setor alerta que é preciso cautela para que essa transição seja feita sem prejudicar o trabalhador

A lei 14.442, publicada no dia 5 de setembro, reforçou alguns pontos e trouxe modificações importantes no que diz respeito ao funcionamento dos vales-alimentação, sendo a principal delas a previsão da portabilidade a partir de maio de 2023. Isso significa que, a depender de regulamentação específica, o trabalhador poderá escolher por qual operadora quer receber o seu benefício alimentar, podendo trocar de operadora quando quiser. Isso afetará a legislação do Programa de Alimentação do Trabalho, o PAT.

A Associação das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) celebra a publicação da nova lei e os avanços trazidos por ela, mas alerta que a transição para um mercado de vales-alimentação com portabilidade deve ser feita com muita cautela.

A lei trouxe regulamentações importantes, como a obrigatoriedade para que o vale-alimentação seja utilizado exclusivamente para a compra de refeições ou de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais. Além disso, proibiu o rebate, que acontecia quando os departamentos de recursos humanos negociavam um desconto no valor total de aquisição dos vales, o que podia vir acompanhado de desconto, taxa negativa, abatimento ou redução do valor total do pagamento. As práticas de desvirtuamento do uso do vale-alimentação têm, agora, previsão de multa, que pode variar entre R$ 5 e R$ 50 mil.

“Nós vimos com bons olhos todas as novidades trazidas pela lei 14.442 e parabenizamos o Executivo Federal por este documento que foi produzido após amplo debate com a participação de trabalhadores, restaurantes, empresas prestadoras dos serviços de benefícios, contratantes e autoridades do poder público. No entanto, temos que nos debruçar agora sobre como será feita a regulamentação da portabilidade para que essa mudança possa acontecer sem onerar o trabalhador”, explica Alaor Aguirre, presidente do Conselho Consultivo da ABBT.

Explicações

A lei trouxe a previsão da portabilidade, mas não explicou como isso ocorrerá nem de quem será o ônus dessas mudanças. “A implementação da portabilidade traz grandes impactos logísticos, econômicos e concorrenciais, visto que tende a aumentar desproporcionalmente os custos das operadoras que hoje cumprem a lei”, alerta Alaor.

A entidade explica que a previsão da portabilidade sem uma devida regulamentação traz insegurança jurídica para todos os participantes desta ampla cadeia, com operações de difícil complexidade logística e operacionalização. Por exemplo, se cada empregado escolhe uma fornecedora diferente para receber o seu benefício, os departamentos de Recursos Humanos terão que gerenciar dezenas de contratos diferentes com operadoras diferentes.

O setor também alerta sobre a possibilidade de uma concorrência desleal, prejudicando principalmente as empresas menores, além das fornecedoras regionais de vale-alimentação. A complexidade logística de tudo isso tem um preço alto que nem todas as empresas são capazes de arcar.

Além disso, o maior perigo, segundo a ABBT, é a volta do rebate na forma de cashbacks. “O rebate pode voltar com novo nome, que será o cashback. Isso é algo que pode parecer benéfico para algumas pessoas que o recebem, quando, na verdade, esse dinheiro apenas parece que é dado de volta para alguns, mas está sendo cobrado de outros trabalhadores. A conta não fecha. Isso tem que ser pago por alguém e é previsível que recaia na ponta final, sendo cobrado do próprio trabalhador na forma de refeições mais caras”, explica Aguirre.

A ABBT entende que é crucial debater passo-a-passo sobre como será a regulamentação da portabilidade. “Estamos sempre nos modernizando e participando da evolução do setor, mas precisamos nos debruçar sobre todos esses pontos para que a transição para um mercado com a portabilidade seja feita de maneira prudente e segura para todos os trabalhadores e para o setor”, finaliza Alaor Aguirre.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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