Se precatórios não saírem do novo arcabouço fiscal, a bomba explodirá do lado mais fraco

Se precatórios não saírem do novo arcabouço fiscal, a bomba explodirá do lado mais fraco

Sócio fundador da Jequitibá Investimentos alerta que precatórios corrigidos pela Selic devem render menos a partir do início do ciclo de queda dos juros

Em julgamento no dia 19 de julho, o Tribunal de Contas da União (TCU) endossou a preocupação de muitos economistas ao apontar a “bomba fiscal” criada pela PEC dos Precatórios, aprovada em 2021 pelo Congresso Nacional. Segundo o tribunal, ao forçar o adiamento do pagamento de muitos precatórios dos governos até o fim de 2026, a conta acumulada para 2027 será equivalente a 2% do PIB. Por isso, o Governo Federal articula a retirada desse tipo de dívida do novo arcabouço fiscal, o que é apoiado por especialistas do setor.

“A conta dos precatórios se tornou uma bomba-relógio que está programada para explodir em 2027 no colo de todos os brasileiros, mas afetará principalmente a parte mais frágil, os credores dessas dívidas. Se já era comum levar décadas para os titulares verem a cor do dinheiro de um precatório, com essa limitação absurda a fila aumentará ainda mais. Muitos credores hoje já não vivem tempo suficiente para receber algo que é seu direito, deixando a titularidade dos seus precatórios como herança e infelizmente, esse é um cenário que tende a se agravar”, explica Ernesto Schlesinger, sócio-fundador da Jequitibá Investimentos, empresa especializada em ativos judiciais com mais de R$ 500 milhões em precatórios negociados em 2022.

Segundo Schlesinger, além da demora, os precatórios, que são corrigidos pela Selic, devem render menos a partir do início do ciclo de queda dos juros, previsto para agosto. De acordo com o Boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central, realizado junto a mais de 100 instituições financeiras, a previsão para 2026 é de que a Selic esteja a 8,75% ao ano, 5% abaixo do patamar atual. O IPCA, considerado o índice oficial de inflação do Brasil, segundo os analistas, deve bater 4% no mesmo ano. Ou seja: caso as expectativas se confirmem, credores receberão anualmente 4,75% ao ano em rentabilidade real sobre seus precatórios, performance quase tão ruim quanto a da caderneta de poupança.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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