2024 será de índices comportados, salário menor e crescimento tímido

2024 será de índices comportados, salário menor e crescimento tímido

Economistas de diversos segmentos da sociedade traçaram panorama do ano, no evento “Perspectivas da Economia 2024”

Time de economistas traçou o panorama do ano no tradicional evento promovido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (CoreconPR),  “Perspectivas da Economia 2024”, que reconheceu o melhor desempenho de 2023 e apontou desdobramentos para o ano que vem. Capitaneados pelo atual presidente do CoreconPR, Celso Machado, com “um naipe de primeiríssima” como o próprio economista definiu, o debate arremata o calendário anual na intenção de avaliar a economia nacional e global, bem como o impacto na sociedade, em especial na vida dos paranaenses.

Em linhas gerais, a boa notícia é que as famigeradas inflações, taxa de juros, câmbio tendem a seguir na direção decrescente em 2024, assim como a taxa de desocupação, porém, com um salário menor se comparada a média histórica da PNAD Contínua do IBGE. Outro ponto de atenção foram as influências das decisões políticas que afetam a economia como a reforma tributária em curso.

Os economistas participantes deste ano foram: Luiz Eliezer (Faep – Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Mari Santos (Fiep – Federação das Indústrias do Estado do Paraná), José Pio Martins (ACP – Associação Comercial do Paraná), Sandro Silva (Dieese – Departamento Intersindical de Estudo e Estatísticas Socioeconômicos) e Lucas Dezordi (Valuup – empresa de consultoria e assessoria na área econômico-financeira). As apresentações tiveram 20 minutos e mais tempo para perguntas no final.

O presidente do CoreconPR comemorou o fato de que mesmo diante de um cenário adverso com “graves conflitos do Oriente Médio e Leste Europeu”, o PIB de 2023, deve superar a marca dos 3%. Também citou algumas oportunidades que seguirão pelos próximos anos, como o conjunto de demandas provenientes dos negócios com as economias emergentes.

Economistas paranaenses que participaram do seminário “Perspectivas da Economia 2024”, promovido pelo Corecon/PR.

Agronegócio: transbordando o alto desempenho para outros elos da cadeia

Os exuberantes números do agronegócio brasileiro e paranaense foram apresentados pelo economista da Faep, Luiz Eliezer. “Lideramos (o Paraná) a produção de frango, tilápia, celulose e madeira e exportamos fundamentalmente o açúcar. Porém, o agro não tem um comportamento linear”, ponderou.

O economista fez questão de ressaltar que o Paraná retoma o quarto lugar no ranking das economias do país, em função do agronegócio. “Somos líderes na produção nacional de carnes, vice-líderes na produção de grãos. Mais de 70 por cento de tudo que exportamos são produtos do agro. soja, milho e trigo são a locomotiva do nosso Estado e não temos grande destaque na exportação de milho, por sermos grandes consumidores em função do elevado consumo para a produção de carnes”. Ainda nesse sentido, ele defende que quando a agropecuária vai bem ela tende a transbordar empregos para os outros elos da cadeia produtiva. Sobre a reforma tributária, Eliezer comentou que um ponto importante para o agro seria a redução da alíquota em 60%.

Indústria está mais otimista e confiante

Um ano que termina melhor do que o esperado e com uma série de indicadores dando conta disso. A analista de Desenvolvimento Econômico na Gerência de Desenvolvimento Industrial e Social da Fiep, Mari Santos, fez a lição de casa e mostrou que pela Fiep, Brasil crescerá 2,89% em 2023, terminará com 4,63% de inflação (IPCA) e isso com uma taxa de juros ainda de 11,75% a.a. Mas, que seguindo na toada que está, 2024, terá um crescimento tímido, 1,50% de PIB, contudo, juros vão 9,25 % a.a e inflação cai para 3,91% (IPCA).

Os resultados da Sondagem Industrial da Fiep, que serão lançados nos próximos dias, podem confirmar esse alívio, conforme a economista. A exemplo do crescimento de 2023, que foi muito melhor do que se previa no final de 2022, a indústria encerra o ciclo com mais confiança na acomodação dos índices. As reformas estruturantes, expectativa sobre investimentos em infraestrutura e o novo PAC, segundo Mari, injetaram fôlego novo para o setor.

Comércio: atenção aos novos modos de consumo

O economista José Pio Martins, representado a ACP, onde integra o Conselho de Economia e Finanças (Codef), trouxe ao debate duas constatações: mudanças no processo de consumo e desaceleração do crescimento da população no Brasil e no mundo.  A primeira já afetou os números de vendas recentes e vai afetar daqui para frente qualquer estratégia tradicional de comércio de produto ou serviço.

Ele citou uma provocação que fez para a Associação. “Vocês já conseguiram cadastrar a AMAZON na ACP, como empresa associada, já que ela é uma empresa comercial, que, aliás, está engolindo grande fatia do mercado do comércio?”. Para deixar clara a necessidade de que o mundo não será mais o mesmo. Não se venderá da mesma forma, nem na mesma velocidade. “A população mundial começou a diminuir, inclusive no Brasil e isso muda tudo, inclusive a demanda”, alertou.

Emprego: trabalho sim, com menor remuneração

 A taxa de desocupação reduziu para 4,6% no Paraná e 7,7% no Brasil, no 3º trimestre de 2023, contra dois dígitos que se repetiram pelos anos anteriores em função de uma série de fatores, mas a qualidade do emprego recuperado, sobretudo, no que se refere à remuneração ficou bem aquém. Essa foi uma das principais ponderações feitas pelo economista e supervisor técnico do Dieese, Sandro Silva.

Na série histórica da entidade, com dados do Caged, dá para ver exatamente que em outubro de 2020, o salário médio inicial de admissão era R$ 2078,25 (Brasil) e outubro de 2023 foi de R$ 2029,33. “É clara a precarização e piora no mercado de trabalho, apesar da melhora da taxa de desocupação que tem uma influência da desistência de parte das pessoas que deixaram o mercado de trabalho”, esclareceu o economista.

Dentro da meta

O economista Lucas Dezordi da Valuup (empresa de consultoria e assessoria na área econômico-financeira) confirmou a tendência de queda nos índices. Aposta em IPCA fechando em 3,78 para 2024, a inflação sempre abaixo do limite superior da meta. Crescimento tímido de 1,5%. Estabilidade na taxa de câmbio entre R$ 4,50 e R$ 5,00). Já para a taxa de juros, Dezordi é mais otimista, acredita que o Brasil feche em 9% a.a em 2024 e, em 2025, o BC reduza para 8,25% a.a.

“A queda da inflação de serviços e das commodities abrem espaço para uma queda consistente dos juros Selic. Para 2025 esperamos Selic de 8,50%”, finaliza o economista da Valuup.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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