Apenas 21% dos trabalhadores estão engajados
Queda no envolvimento das equipes, perdas bilionárias de produtividade e aumento dos investimentos em T&D expõem a necessidade de revisar como as empresas desenvolvem suas pessoas
O engajamento dos colaboradores segue em queda no mundo corporativo e já produz impactos mensuráveis sobre produtividade e desempenho organizacional. De acordo com o relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, apenas 21% dos trabalhadores globalmente estão efetivamente engajados em suas atividades. Em 2024, esse cenário resultou em perdas estimadas de US$ 438 bilhões em produtividade, evidenciando um problema na relação entre pessoas, cultura e gestão e recolocando os programas de desenvolvimento e retenção de talentos no centro da agenda corporativa.
Para Elenise Martins, fundadora da EMRH Consultoria, empresa especializada no desenvolvimento de pessoas, os números refletem uma desconexão crescente entre estratégia, cultura e desenvolvimento das pessoas. “A queda no engajamento não é um problema individual do colaborador, mas um sintoma de modelos de gestão que ainda tratam desenvolvimento como ação pontual. Quando o treinamento não dialoga com a cultura, com a liderança e com os desafios reais do negócio, ele perde capacidade de gerar pertencimento, aprendizado e impacto sustentável”, analisa.
No Brasil, o aumento dos investimentos em treinamento e desenvolvimento não tem sido suficiente, por si só, para reverter esse quadro. De acordo com o Panorama do Treinamento no Brasil 2023/2024, da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) em parceria com a Integração Escola de Negócios, o investimento médio anual em T&D chegou a R$ 1.012 por colaborador, crescimento de 34% em relação a 2019, quando o valor era de R$ 652. O dado indica avanço orçamentário, mas também expõe um desafio recorrente: transformar aporte financeiro em aprendizado aplicável, engajamento real e impacto consistente sobre a performance das equipes.
Treinamento
Na avaliação da especialista, o crescimento do orçamento dedicado a T&D precisa vir acompanhado de escolhas mais criteriosas. “Investir mais não significa, necessariamente, desenvolver melhor. O retorno aparece quando o treinamento é desenhado a partir de diagnósticos claros, com objetivos mensuráveis e conexão direta com a estratégia do negócio. Sem esse alinhamento, o desenvolvimento corre o risco de se tornar um custo recorrente, sem efeito consistente sobre engajamento e performance”, afirma.
A partir dessa lógica,Elenise Martins ressalta que o impacto do treinamento não se mede por carga horária ou volume de certificados. “O desenvolvimento personalizado cumpre um papel estratégico porque sustenta a cultura e orienta como as pessoas tomam decisões e agem diante dos desafios reais do negócio. Essa coerência entre aprendizado, propósito e prática é o que diferencia organizações reativas daquelas capazes de conduzir sua própria transformação ao longo do tempo”, conclui.


