Preço do carro usado tem maior alta para 1º trimestre dos últimos 4 anos

Preço do carro usado tem maior alta para 1º trimestre dos últimos 4 anos

Com renda e crédito em patamares sólidos, automóveis usados ganham força no mercado e abrem vantagem frente a veículos zero-quilômetro

O IBV Auto, índice do banco BV que mede a variação de preços dos automóveis leves usados em todo o país, acumula alta de 2,16% no primeiro trimestre de 2026 — o maior resultado para o período desde 2022. No mês de março, a alta apurada pelo IBV Auto foi de 0,71%, maior que o 0,55% apurado em fevereiro e menor que o resultado de janeiro, quando o índice bateu 0,90%.

“Com mais uma forte alta em março, o IBV Auto encerrou o primeiro trimestre com o maior percentual desde 2022, confirmando o aquecimento do mercado de usados. Em um cenário de renda e crédito resilientes, mesmo com a Selic em patamar elevado, a demanda segue firme, impulsionada pelo menor custo dos usados em relação aos veículos zero-quilômetro e pela ampla oferta de modelos, marcas e faixas de preços”, afirma Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV.

No acumulado em 12 meses até março, o índice apresenta alta de 7,33% – percentual bem acima do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 12 meses, que até fevereiro estava em 3,81%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

“Parte desse avanço reflete a base de comparação mais baixa do primeiro trimestre de 2025, quando o índice subiu apenas 0,28%, contra 2,19% no mesmo período de 2026. Na prática, o indicador aponta para um mercado aquecido, ainda que impulsionado por esse efeito de base. Nos próximos meses, a tendência é de continuidade da alta, mas com ritmo mais moderado no acumulado em 12 meses”, afirma Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.

VW Voyage, Fiat Uno e Fiat Palio lideram as altas no trimestre 

Na análise de preços por modelo, o VW Voyage, Fiat Uno e Fiat Palio registraram as maiores variações de valor no primeiro trimestre. As altas foram de 5,5%, 5,2% e 5%, respectivamente no período de janeiro a março. Entre os 20 modelos analisados, a única desvalorização foi do GM Classic, que caiu 0,2%.

Nordeste lidera alta de preços no trimestre

Na avaliação trimestral, a região com que registrou a maior valorização no preço dos automóveis leves usados foi o Nordeste, com alta de 2,30%. Na sequência estão as regiões Sudeste (2,17%), Sul (2,03%), Centro-Oeste (1,83%) e Norte (1,46%).

Quando a análise é feita por Estados, as maiores variações trimestrais são de Pernambuco (3,56%), Rio Grande do Sul (2,67%) e Minas Gerais (2,66%). Na ponta oposta, os Estados que registram as menores altas foram Tocantins (1,13%), Goiás (1,11%) e Espírito Santo (0,96%).

Na análise mensal, em março a região Sudeste apresentou a maior variação de preços em relação a fevereiro, com alta de 0,78%, com destaque para São Paulo, onde o índice avançou 0,97%, acima da média regional e da variação nacional. No Nordeste, a alta foi de 0,72%, puxada principalmente por Pernambuco, que registrou variação de 1,43%.

Entre os estados que registraram deflação no mês, destacam-se Tocantins (-0,38%) e Goiás (-0,35%). Já no acumulado de 12 meses, os maiores avanços de preços foram observados em Pernambuco (8,02%), Minas Gerais (7,75%) e Rio de Janeiro (7,75%).

Elétricos e híbridos 

Entre os modelos elétricos, a desvalorização é mais visível — os modelos lançados em 2023 acumulam depreciação de 44,6% até março. O movimento é influenciado também pela queda nos preços dos automóveis elétricos novos, em um cenário de concorrência mais acirrada e de estratégias comerciais mais competitivas das montadoras. Neste mesmo período, os híbridos registraram desvalorização média de 25,9%, enquanto veículos a combustão comparáveis recuaram 21,6%.

Metodologia IBV Auto

O IBV Auto é um indicador desenvolvido para medir, com precisão e base metodológica robusta, a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil. Construído a partir da base de dados do banco BV, líder em financiamento de veículos no país, o índice reflete as tendências de valor de mercado a partir de um volume expressivo de transações reais. Sua metodologia incorpora critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo acompanhar mensalmente a dinâmica dos preços por região e tipo de propulsão — combustão, híbrido ou elétrico

A ponderação é realizada com base no valor total das negociações (volume * preço): quanto maior o preço e mais comercializado for um determinado modelo e ano, maior será o peso do veículo na cesta que compõe o indicador.

O índice utiliza o ano de 2019 como base histórica inicial, fixando o indicador nacional em 100, para permitir comparações ao longo do tempo até o mês mais recente de 2025. Nos índices regionais, a base é ajustada de acordo com a diferença média de preços em relação ao mercado nacional naquele ano. Isso garante que a série reflita com precisão a evolução dos preços e as diferenças regionais, oferecendo uma leitura mais apurada do mercado de usados.

Além disso, o IBV Auto busca medir a evolução das taxas de desvalorização de cestas comparáveis de automóveis híbridos (HEV), elétricos (BEV) e a combustão (ICE) mensalmente. O objetivo principal é permitir a comparação da desvalorização de automóveis com diferentes tipos de propulsão (a combustão, híbridos e elétricos), tomando como base veículos de mesma idade e características gerais comparáveis (preço quando novo, tamanho, categoria, país de origem, entre outros).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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