Inteligência emocional deixa de ser habilidade e vira sobrevivência no trabalho

Inteligência emocional deixa de ser habilidade e vira sobrevivência no trabalho

Com avanço da pressão corporativa, IA e crise de saúde mental, inteligência emocional passa a ser competência crítica, e não mais diferencial

Em 2026, a inteligência emocional deixou de ser tratada como uma habilidade complementar e passou a ocupar um papel central nas discussões sobre trabalho, saúde mental e produtividade. O aumento expressivo de casos de ansiedade, burnout e afastamentos por transtornos emocionais colocou o tema no centro das estratégias corporativas, impulsionado também por novas exigências legais relacionadas aos riscos psicossociais dentro das empresas. Nesse contexto, a inteligência emocional deixa de ser diferencial e passa a ser vista como uma competência essencial para a sustentabilidade profissional.

Na visão da especialista em inteligência emocional Núria Santos, o debate evoluiu de forma significativa. “A inteligência emocional deixou de ser sobre autocontrole em reuniões difíceis. Hoje, ela é sobre conseguir funcionar em ambientes que, muitas vezes, já estão emocionalmente comprometidos”, afirma a especialista Núria Santos.

Para ela, o cenário atual revela um colapso emocional coletivo, provocado pela pressão constante por performance, pela instabilidade do mercado e pela aceleração causada pelo avanço da tecnologia.

Três fatores principais ajudam a explicar esse novo cenário: a sobrecarga emocional gerada por metas cada vez mais agressivas, o impacto da inteligência artificial na dinâmica de trabalho, que amplia a sensação de insegurança, e a dificuldade crescente de separar vida pessoal e profissional. Esses elementos, combinados, criam um ambiente de exaustão contínua, onde o equilíbrio emocional se torna um desafio diário, e não mais uma escolha individual.

Outro ponto destacado por Núria Santos é a mudança de responsabilidade sobre o tema. Segundo ela, ainda é comum que empresas tratem a inteligência emocional como uma obrigação do colaborador, quando, na prática, o problema muitas vezes está na cultura organizacional. “Não adianta treinar o indivíduo para ser resiliente se o ambiente continua adoecedor. A inteligência emocional precisa começar na liderança e na estrutura da empresa”, reforça.

Por fim, o comportamento dos profissionais também mudou: cada vez mais pessoas priorizam o bem-estar em detrimento da carreira, escolhendo ambientes que ofereçam segurança emocional e qualidade de vida. Nesse cenário, a inteligência emocional passa a ser não apenas uma ferramenta de desempenho, mas um critério de permanência e decisão. Como conclui Núria Santos, “2026 não é sobre performar mais, mas sobre estar emocionalmente preparado para não colapsar enquanto se performa”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *