Inadimplência de aluguel no Paraná registra segunda alta consecutiva

Índice de inadimplência de aluguel no estado ficou em 3,01%, mas está abaixo da média nacional
A inadimplência de aluguel no Paraná registrou alta em março, com taxa de 3,01%, após 2,97% em fevereiro – variação de 0,04 ponto percentual. No comparativo com o mesmo período de 2025 (2,20%), houve alta de 0,81 ponto percentual. Apesar do leve crescimento, a taxa ficou abaixo da média nacional, que foi de 3,21%. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para o mercado do morar.
Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, “o aumento da inadimplência no Paraná chama atenção, mas ainda assim, o índice permanece abaixo da média nacional, refletindo um cenário regional mais controlado. É importante acompanhar de perto as projeções para inflação e juros, já que qualquer alta pode agravar a inadimplência no pagamento do aluguel e intensificar o endividamento das famílias nos próximos meses”.
Em março, a região Nordeste se manteve no topo do ranking de inadimplência, com uma taxa de 4,77%, alta de 0,10 ponto percentual em relação a fevereiro (4,67%). Já o Norte, ficou em segundo lugar, com 4,29%, redução de 0,32 ponto percentual, ante os 4,61% de fevereiro. A região Centro-Oeste marca o terceiro lugar com 3,17%, um recuo de 0,54 ponto percentual, após os 3,71% do mês anterior. O Sudeste aparece em seguida, com taxa de 3,14% – queda de 0,14 ponto percentual em relação a fevereiro –, e o Sul com 2,77%, mantendo a menor taxa do país, com baixa de 0,10 ponto percentual entre fevereiro e março.
Inadimplência dos comerciais é de 4,72%
Na região Sul, os imóveis comerciais lideram a inadimplência de aluguel, com 4,72% em março, uma leve alta de 0,04 ponto percentual em relação a fevereiro (3,68%). Em seguida, aparecem as casas, com 3,35% – diminuição de 0,13 ponto percentual frente aos 3,48% do mês anterior – e a inadimplência de apartamentos recuou, de 2,24%, em fevereiro, para 2,07%, em março.
Entre a base nacional analisada, a inadimplência em imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1.000 teve uma queda de 0,21 ponto percentual, de 6,19%, em fevereiro, para 5,98%, em março. Pelo terceiro mês consecutivo, a inadimplência nos imóveis populares superou a do segmento de alta renda, apesar do recuo geral. Os imóveis com aluguel acima de R$ 13.000, que lideraram os atrasos em 2025, agora ocupam o segundo lugar: a taxa caiu para 5,83% em março, ante os 6,01% registrados em fevereiro. Do outro lado, as faixas entre R$ 2.000 e R$ 5.000 mantiveram os menores índices do mercado, com taxas em torno de 1,9%.
“Mesmo com uma queda na inadimplência em nível nacional, a taxa alta na faixa de até R$ 1.000, desde janeiro, reforça uma dificuldade maior entre as famílias de menor renda para manter o aluguel em dia. A inflação e juros elevados têm um efeito desproporcional sobre a inadimplência, neste caso. Isso porque a maior parte do orçamento está concentrada em despesas essenciais, como alimentação e transporte, que costumam ser mais pressionadas pela inflação”, analisa Gonçalves.
Apostas digitais contribuem para o aumento da inadimplência
“Fora isso, dados recentes (Quaest Pesquisa) apontam que essa faixa de renda tem, possivelmente, sofrido para honrar o custo básico de vida em função de um comportamento de apostas digitais. Na tentativa de expandir a renda por meio das bets, no fim das contas, acaba por drená-la.”
Já em relação aos imóveis comerciais, a faixa até R$ 1.000 continua com a maior taxa, de 7,41%, mesmo com uma baixa de 0,57 ponto percentual na comparação com o mês anterior (7,98%). A segunda maior taxa de inadimplência foi em imóveis acima de R$ 13.000, com 5,19%. Já a menor foi na faixa de R$ 2.000 a R$ 3.000, de 3,81%.
Em relação ao tipo de imóvel, as taxas recuaram nas três categorias em março. A inadimplência de apartamentos teve uma leve queda de 0,03 ponto percentual, com 2,30% no período; a de casas ficou em 3,60%, após 3,85% em fevereiro. Já os imóveis comerciais tiveram 4,54% de inadimplência em março – baixa de 0,21 ponto percentual em relação ao mês anterior.








