Febre do álbum da Copa reacende consumo impulsivo e exige controle financeiro do brasileiro

Febre do álbum da Copa reacende consumo impulsivo e exige controle financeiro do brasileiro

Movimento sazonal impulsionado pelo torneio leva consumidores a acumular pequenos gastos que, somados, pressionam o orçamento doméstico

A proximidade da Copa do Mundo volta a movimentar o consumo no Brasil, impulsionada pela tradicional corrida para completar o álbum de figurinhas. O fenômeno, que se repete a cada edição do torneio, ganha força em um momento de atenção redobrada com as finanças: levantamento do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 46% dos brasileiros admitem fazer compras por impulso com frequência, especialmente em períodos sazonais.

Para especialistas, a combinação entre apelo emocional e compras recorrentes pode gerar impacto relevante no orçamento.

Ricardo Hiraki, sócio-fundador da Plano Fintech e especialista em educação financeira, afirma que o comportamento coletivo intensifica o consumo. “A Copa cria um senso de pertencimento. As pessoas querem participar, completar o álbum, trocar figurinhas. Isso ativa o efeito manada e faz com que decisões financeiras sejam menos racionais”, diz.

O movimento não se limita ao entretenimento. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), datas e eventos específicos elevam temporariamente o consumo das famílias, muitas vezes sem planejamento prévio.

No caso das figurinhas, o impacto se dilui em pequenos valores, o que dificulta a percepção do gasto total.

“Um pacote parece barato, mas a repetição diária ou semanal transforma isso em um valor significativo no fim do mês”, afirma o especialista.

A dinâmica evidencia um padrão comum no consumo impulsivo. Pequenas compras recorrentes, associadas a estímulos emocionais, passam despercebidas no dia a dia, mas comprometem a organização financeira. “O problema não é o álbum em si, mas a falta de limite. Quando não há planejamento, o hobby deixa de ser lazer e passa a gerar descontrole”, afirma.

Compra mais acessível

Casos de extrapolação não são raros. Em edições anteriores da Copa, relatos de consumidores que gastaram centenas ou até milhares de reais para completar o álbum ganharam repercussão. O padrão se repete agora, com maior facilidade de compra digital e acesso ampliado aos produtos. “Hoje, a compra é mais acessível, o que reduz a barreira e aumenta o risco de excesso”, explica.

Além do impacto direto no orçamento, o comportamento revela fragilidades na educação financeira. A ausência de planejamento para gastos sazonais tende a se repetir em outros momentos, como datas comemorativas e promoções. “Quem não se organiza para um evento como a Copa provavelmente também terá dificuldade em outras situações de consumo emocional”, diz.

Para empresas, o fenômeno também traz oportunidades. O aumento da demanda abre espaço para estratégias de venda, ações promocionais e engajamento do consumidor. Ao mesmo tempo, exige responsabilidade na comunicação e na oferta de produtos. “Negócios que entendem o comportamento do consumidor conseguem vender mais, mas também podem contribuir com práticas conscientes, como incentivo à troca de figurinhas e kits mais equilibrados”, afirma.

O especialista aponta cinco formas de evitar gastos impulsivos com o álbum da Copa e proteger o orçamento.

Diante do aumento dos gastos impulsivos, o especialista aponta medidas práticas para manter o equilíbrio financeiro durante períodos de maior consumo:

  • Definir um limite de gasto antes de começar
    Estabelecer um valor máximo para investir no álbum ajuda a evitar excessos e mantém o controle ao longo do processo.
  • Acompanhar os gastos ao longo das semanas
    Registrar cada compra permite visualizar o total acumulado e ajustar o comportamento antes que o orçamento seja comprometido.
  • Priorizar trocas em vez de novas compras
    Participar de grupos e encontros para troca de figurinhas reduz a necessidade de adquirir novos pacotes.
  • Evitar compras por impulso em momentos emocionais
    Reconhecer o impulso e adiar a decisão de compra pode reduzir gastos desnecessários.
  • Incluir o gasto no planejamento mensal
    Tratar o álbum como uma despesa planejada, e não eventual, ajuda a manter a organização financeira.

Para o especialista, o principal ponto é a consciência sobre o próprio comportamento.

“Não se trata de deixar de participar, mas de fazer isso com clareza. Quando o consumidor entende para onde o dinheiro está indo, ele passa a ter mais controle e toma decisões melhores”, afirma Ricardo Hiraki.

O fenômeno do álbum da Copa, embora pontual, expõe um padrão recorrente no consumo brasileiro. Pequenos gastos, quando não monitorados, acumulam impacto relevante e comprometem o equilíbrio financeiro. A diferença está na forma como cada consumidor se organiza para lidar com esses estímulos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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