Setor de apostas esportivas amplia exigência por transparência

Setor de apostas esportivas amplia exigência por transparência

Com 188 empresas autorizadas e projeção bilionária de arrecadação, mercado de apostas esportivas entra em fase mais rígida de fiscalização, tecnologia e profissionalização

O mercado brasileiro de apostas esportivas entrou definitivamente em uma fase de consolidação regulatória e disputa mais sofisticada entre plataformas. Com 188 empresas autorizadas a operar legalmente no país até 2029, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, e projeção de arrecadação de R$ 4,4 bilhões ao longo de 2026, o setor passou a operar sob uma lógica muito mais técnica, pressionada por compliance, inteligência de dados e fiscalização.

A mudança ganhou força após o avanço da regulamentação prevista na Lei nº 14.790/2023, que estabeleceu regras para operação das bets no Brasil, incluindo exigências de prevenção à lavagem de dinheiro, proteção ao consumidor e controle das atividades das plataformas, ampliando a pressão sobre empresas não autorizadas e mercados considerados irregulares.

Para Ricardo Santos, cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, o ambiente competitivo mudou completamente nos últimos meses.

“O mercado deixou de ser apenas uma corrida por publicidade e bônus agressivos. Agora existe uma exigência muito maior de estrutura operacional, análise de comportamento e segurança tecnológica. As plataformas precisam entregar confiança e inteligência ao usuário”, afirma Santos.

Um levantamento do DataSenado revelou que mais de 22 milhões de brasileiros afirmaram ter realizado apostas online em um único mês analisado pela pesquisa, reforçando o crescimento acelerado do setor e a necessidade de regras mais rígidas para funcionamento das plataformas. “O crescimento muito rápido obrigou o mercado a amadurecer.

Hoje existe mais preocupação com rastreabilidade, comportamento de risco e transparência nas operações. Isso tende a separar as empresas preparadas das que operam sem estrutura”, diz o cientista de dados.

A inserção da IA se torna primordial

Ferramentas de inteligência artificial, monitoramento em tempo real e personalização da experiência do usuário ganharam protagonismo dentro das plataformas. Segundo relatório da Grand View Research, o mercado global de apostas esportivas deve ultrapassar US$224 bilhões até 2030, impulsionado justamente pelo avanço tecnológico e pela digitalização das operações.

Na avaliação de Ricardo Santos, a tecnologia passou a ser um diferencial central para retenção e crescimento. “As plataformas mais avançadas já conseguem interpretar padrões de comportamento, ajustar probabilidades em tempo real e oferecer experiências muito mais personalizadas. O setor ficou mais profissional e muito mais orientado por dados”, explica.

Mercado enfrenta desafios importantes

A presença de plataformas hospedadas fora do país, a atuação de empresas sem licença federal e o debate sobre publicidade envolvendo influenciadores digitais seguem no centro das discussões entre governo, operadores e entidades do setor.

Para o especialista, o próximo passo será consolidar um ambiente mais equilibrado entre crescimento econômico e responsabilidade digital. “A regulamentação trouxe maturidade para o setor, mas esse processo ainda está em construção. O mercado caminha para um modelo cada vez mais técnico, baseado em tecnologia, análise comportamental e gestão de risco”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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