Dólar, clima e juros: 5 coisas que você precisa saber para proteger seu dinheiro

Dólar, clima e juros: 5 coisas que você precisa saber para proteger seu dinheiro

Economista da Blue3 Investimentos traduz o cenário econômico e explica como as tensões globais e o fenômeno El Niño afetam diretamente o seu bolso

Quem acompanha apenas o preço da feira, o valor do combustível na bomba ou a prestação do financiamento pode não notar, mas decisões tomadas em Washington e até mesmo a temperatura dos oceanos estão impactando diretamente o poder de compra do brasileiro. A combinação entre juros altos nos Estados Unidos, a alta do dólar, os conflitos no Oriente Médio, que encarecem o petróleo, e os impactos do El Niño na agricultura nacional formou uma tempestade perfeita que deve impedir uma queda rápida da taxa básica de juros (Selic) no Brasil.

Para o investidor e para o consumidor comum, o recado é claro: o custo de vida deve continuar pressionado no curto e médio prazo. A análise é da economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos. Segundo ela, entender esse cenário é o primeiro passo para proteger o patrimônio contra a desvalorização e encontrar os investimentos certos.

Para ajudar o brasileiro a traduzir esse tabuleiro econômico e ajustar a rota financeira, a especialista elenca 5 pontos cruciais de atenção para os próximos meses. Confira:

  1. O “ímã” dos juros americanos e o dólar nas alturas

Os Estados Unidos estão pagando os maiores juros de sua história recente. Como o mercado americano é considerado o porto seguro do mundo, grandes investidores globais tiram seu dinheiro de países emergentes, como o Brasil, e levam para lá. Com menos dólar circulando por aqui, a moeda americana fica mais cara. Para o brasileiro, isso significa aumento no preço de tudo que depende de importação, desde o pãozinho francês até os eletrônicos e insumos industriais essenciais.

  1. Tensões globais e a conta da gasolina

Os conflitos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio, trazem instabilidade constante para o preço do barril de petróleo. Como a economia brasileira é fortemente dependente do transporte rodoviário, qualquer alta no diesel ou na gasolina encarece o frete. O resultado? O custo logístico é repassado integralmente para o produto final na prateleira do supermercado.

  1. O clima pesando no carrinho da feira

Além das pressões externas, o Brasil sofre com o fenômeno El Niño, que altera drasticamente o volume de chuvas nas regiões produtoras. O excesso de água em algumas áreas e a seca extrema em outras prejudicam a qualidade e a produtividade das safras. Quando há dificuldade na colheita, falta alimento no mercado e o preço dispara, espremendo o orçamento das famílias e puxando a inflação oficial para cima.

  1. O crédito vai continuar caro no Brasil

Com o dólar alto, o combustível subindo e os alimentos mais caros, a inflação brasileira sofre forte pressão. Para combater esse aumento de preços, o Banco Central é forçado a manter a nossa taxa básica de juros (a Selic) em patamares elevados por mais tempo. Na prática, isso significa que financiar um imóvel, comprar um carro a prazo ou tentar renegociar dívidas continuará custando muito caro.

  1. A Renda Fixa continua sendo a melhor opção de investimentos no período

Se o cenário encarece o crédito, ele beneficia quem tem dinheiro para investir. No momento, destacam-se as oportunidades na Renda Fixa. Com os juros altos, títulos atrelados à inflação (que garantem ganho real, como o Tesouro IPCA) e produtos ligados ao CDI (como CDBs, LCIs e LCAs) oferecem retornos atrativos com alta segurança. Para quem investe na Bolsa de Valores, a regra de ouro é buscar empresas sólidas, com pouco endividamento e bom histórico de pagamento de dividendos para atravessar o período de maior volatilidade no mercado.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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