Chás Real prevê faturamento de R$ 67 milhões em 2026

Chás Real prevê faturamento de R$ 67 milhões em 2026

Meta é alcançar R$ 100 milhões em receita anual nos próximos cinco anos

Depois de encerrar 2025 com crescimento superior a 25%, a Chás Real, fabricante da marca Mate Real, prevê uma retração em 2026. A projeção atual é fechar o ano com faturamento próximo de R$ 67 milhões. Até o momento, a receita acumulada está na casa dos R$ 45 milhões.

A desaceleração chega após um período de expansão iniciado no fim de 2024 e levou a empresa rever as expectativas de curto prazo. No primeiro semestre, a queda ficou entre 4% e 5%, segundo a companhia. Para o ano, a estimativa varia entre 5% e 9%, dependendo do comportamento das vendas no último semestre.

“Tínhamos uma projeção de crescimento que acabou frustrada pelo ano eleitoral e pela crise no setor de alimentos. Mas, apesar da retração, a meta não mudou: pretendemos chegar aos R$ 100 milhões de faturamento nos próximos cinco anos”, afirma Henrique Fontana, diretor da Chás Real e representante da quinta geração da família à frente do negócio.

Um ano desafiador

De acordo com Fontana, o desempenho da indústria piorou no segundo semestre deste ano. Agosto foi especialmente fraco para o varejo e as vendas de chás recuaram perto de 10%.  Para reverter o cenário, a empresa intensificou as promoções e acompanha dia a dia a performance das ações.

Em 2025, a Chás Real registrou faturamento de aproximadamente R$75 milhões. A receita cresceu mais de 25%, enquanto a companhia estima que o segmento de chás em sachê tenha avançado entre 15% e 16%.

O empresário explica que, devido a entrada de grandes clientes no ano passado, a retração em volume de pedidos já era esperada.  “O abastecimento inicial dos clientes abertos em 2025 gerou pedidos maiores. É normal que as compras posteriores sejam menores. Ainda assim, os dados de agosto de 2026 não foram positivos para o varejo e para a categoria de chás”, diz Fontana.

Expansão sustentável

A companhia processa cerca de 2 milhões de quilos por ano, considerando erva-mate, camomila e outros insumos. Mantém entre 70 e 80 funcionários diretos e aproximadamente 70 representantes comerciais. Ao incluir logística, promoção de vendas e serviços administrativos terceirizados, estima envolver cerca de 200 pessoas.

A carteira reúne 3.500 clientes ativos. Somados os estabelecimentos atendidos por distribuidores, a marca calcula estar presente em mais de 7.000 pontos de venda. A fábrica instalada em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, teria capacidade para dobrar ou até triplicar a produção sem uma nova unidade industrial, segundo Fontana.

O limite para a expansão está menos na produção e mais no custo de distribuição. Em uma categoria com margens apertadas e volumes menores que os de outros alimentos, o frete pode tornar inviável o atendimento a supermercados de pequeno e médio porte nas regiões mais distantes.

Para reduzir esse obstáculo, a Chás Real implantou em 2026 um estoque no Rio de Janeiro, operado por uma empresa de logística. A experiência poderá ser repetida em São Paulo, Minas Gerais e, futuramente, no Nordeste.  “Como o mercado brasileiro de chás ainda é pequeno, transportar uma carga para o Centro-Oeste, o Norte ou o Nordeste pode sair muito caro. Centros de distribuição e um portfólio maior ajudam a diluir esse custo”, afirma Fontana.

Outra frente é a entrada nas maiores redes supermercadistas do país. Em 2025, a companhia passou a atender clientes como a rede ABC, em Minas Gerais, e o Tenda Atacado, em São Paulo. Também vê potencial no Grupo Mateus, com presença relevante no Nordeste.

A empresa estima que alcançar a maior parte dos cem principais supermercadistas e distribuidores brasileiros poderia acrescentar entre R$ 20 milhões e R$30 milhões à receita nos próximos anos. Para evitar que a busca por escala comprometa a rentabilidade, está desenvolvendo um modelo que relaciona número de lojas, caixas de atendimento e potencial de vendas de cada região ao investimento comercial necessário para abrir um cliente.

A estratégia de crescimento inclui ainda a renovação das embalagens, o fortalecimento dos canais digitais e a criação de sabores associados à procura por produtos funcionais. Uma das apostas recentes combina cúrcuma, gengibre e pimenta-preta. “As pessoas querem chás que tenham funcionalidade e sabor. Se você lança um produto funcional com gosto ruim, a tendência é não dar certo”, diz o diretor.

A companhia também estuda voltar ao segmento de bebidas engarrafadas e entrar em outras categorias de alimentos, especialmente produtos matinais. A diversificação permitiria usar o reconhecimento da marca em novas frentes e elevar o volume transportado, diluindo despesas logísticas. Não há, por enquanto, intenção de realizar aquisições.

Experiência de gerações

A agenda de modernização convive com uma história ligada ao ciclo da erva-mate no Paraná. A família Fontana passou por engenhos instalados em Curitiba, pela fusão de cinco empresas do setor em 1953 e por uma crise que quase levou o negócio ao fim décadas depois. Na recuperação iniciada pela geração anterior, a família vendeu a operação do Café das Oito, reduziu custos e levou cerca de dez anos para quitar as dívidas, segundo Henrique Fontana.

“Eu digo que a geração do meu pai é formada por sobreviventes de guerra. Eles sofreram muito e, por isso, têm medo de gastar. Agora que a empresa está estável e o mundo mudou, quero trazer novas ideias, lançar produtos, fortalecer o digital e recolocar a companhia em ascensão”, afirma.

Essa experiência orienta a postura atual diante da queda do mercado. Em vez de acelerar a expansão com dívida, Fontana afirma que a empresa pretende testar novos produtos, acompanhar a resposta dos consumidores e preservar o caixa. “A responsabilidade da quinta geração é com toda essa história. Temos de dar um passo de cada vez e só assumir um risco do qual seja possível se levantar”, finaliza.

Crédito da foto: Divulgação Chás Real

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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