O que vem depois da IA? Cenário já começa a ser discutido pelas empresas

O que vem depois da IA? Cenário já começa a ser discutido pelas empresas

Assunto será debatido no 3º Encontro de Computação Avançada, Inteligência Artificial e Inovação, promovido pela Assespro-PR

O próximo salto da computação pode acontecer ainda em 2026. Segundo o IBM Institute for Business Value, a chamada quantum advantage, ou vantagem quântica, quando um computador quântico consegue resolver determinados problemas de forma mais eficiente que um computador tradicional, seja em velocidade, precisão ou custo, é esperada até o fim do ano.

O estudo mostra ainda que organizações mais preparadas para essa tecnologia são três vezes mais propensas a participar de múltiplos ecossistemas de inovação. Isso porque nenhuma empresa tende a reunir sozinha infraestrutura, dados e conhecimento especializado suficientes para explorar essa tecnologia.

Para o mercado, isso cria uma questão relevante: como uma empresa se prepara para uma tecnologia que ainda não faz parte de sua operação, mas pode mudar setores inteiros quando atingir maturidade?

A inteligência artificial ocupa naturalmente uma parte importante dessa transformação, mas a discussão é mais ampla do que o uso de ferramentas generativas.

Evolução dos sistemas agênticos

Em 2026, a evolução dos sistemas agênticos começa a mudar a relação das empresas com a automação. Em vez de simplesmente responder a uma pergunta ou executar uma tarefa isolada, agentes de IA podem interpretar uma demanda, buscar informações em diferentes sistemas, escolher ferramentas e conduzir etapas de um fluxo de trabalho.

“Isso aumenta a importância de temas que muitas vezes ficam escondidos atrás do entusiasmo com a IA, como a qualidade dos dados, integração entre sistemas, governança, infraestrutura, segurança e capacidade de supervisão”, diz Adriano Krzyuy, presidente da Assespro-PR. Um estudo global da IBM publicado em junho de 2026 mostra que 91% dos executivos entrevistados não têm compreensão completa das dependências de suas organizações em relação a fornecedores de IA, modelos e infraestrutura. O mesmo levantamento aponta que 71% consideram difícil trocar o principal fornecedor ou modelo de IA utilizado pela empresa.

“Adotar inteligência artificial também exige discutir dependência tecnológica. Quanto mais processos críticos passam a depender de modelos, nuvem, dados e infraestrutura de terceiros, maior se torna a preocupação com continuidade, governança e controle. Ela não diz respeito apenas a computadores mais potentes, mas à capacidade de criar uma infraestrutura capaz de sustentar novas formas de processamento e decisão”, explica o presidente da Assespro-PR.

Essa discussão sobre o que vem pela frente na computação estará no centro do 3º Encontro de Computação Avançada, Inteligência Artificial e Inovação, promovido pela Assespro-PR, em 1º de outubro, no Sebrae/PR, em Curitiba. A programação reúne especialistas, empresários e profissionais para discutir tecnologias que já estão alterando operações e criando novas possibilidades de negócio. IA, agentes autônomos, infraestrutura, segurança e computação quântica aparecem entre os temas, ao lado de ESG e Reforma Tributária.

Objetivo do Encontro

“Tecnologias como a computação quântica ainda estão em uma fase inicial de aplicação, mas já exigem que empresas e profissionais comecem a entender seu potencial e se preparem para o que vem pela frente. O objetivo do encontro é trazer essas discussões para a realidade dos negócios e mostrar onde estão as oportunidades que essas novas tecnologias podem criar”, destaca Adriano Krzyuy, presidente da Assespro-PR.

Para Krzyuy, essa conversa também precisa aproximar quem desenvolve tecnologia de quem enfrenta desafios concretos no dia a dia. “A aproximação dos setores é de grande valor para ambos, uma vez que integra demanda e oferta. Muitas vezes, a empresa sabe qual problema precisa resolver, mas não conhece a tecnologia ou o parceiro capaz de fazer isso. Criar essa conexão ajuda a transformar uma necessidade em projeto e abre espaço para novos negócios”, destaca.

Dessa forma, a Assespro-PR amplia sua atuação como ponte entre empresas de tecnologia e diferentes setores da economia. A entidade vem criando espaços para aproximar startups, empresas de software, indústrias, instituições e profissionais, levando a discussão tecnológica para áreas como turismo, indústria, negócios e setor público.

Programação

A programação também procura fugir da ideia de que a transformação tecnológica acontece apenas pela substituição de pessoas por máquinas.

Entre os palestrantes confirmados está Cristina Leal de Castro, gerente de TI da Unimed do Estado do Paraná. Com mais de 30 anos de atuação na área de tecnologia, ela reúne experiência em estratégia, infraestrutura, desenvolvimento e transformação digital e levará ao evento uma visão baseada na aplicação da tecnologia dentro de uma organização de grande porte.

Dados, inteligência artificial e arquitetura tecnológica também estarão em destaque com Malcon Mikami, Head de Engenharia e Arquitetura de Dados da XP Inc. No Tech+ Summit, ele compartilhará sua visão sobre como dados e arquitetura tecnológica estão redefinindo a forma como as empresas tomam decisões, inovam e geram valor.

Outro nome confirmado para o evento é Ladmir Carvalho, presidente e cofundador da Alterdata Software. Sua trajetória acompanha boa parte da evolução da indústria brasileira de software: começou no desenvolvimento de sistemas, ainda nos anos 1980, e posteriormente assumiu a liderança da empresa. Com experiência acumulada em tecnologia, gestão e empreendedorismo, Carvalho acrescenta à discussão uma perspectiva empresarial sobre inovação e transformação.

A programação ainda traz uma visão menos convencional sobre tecnologia com Marko Brajovic, arquiteto e fundador do Atelier Marko Brajovic. Com formação em arquitetura, artes digitais e arquitetura biomimética, Brajovic trabalha na interseção entre design, natureza, tecnologia e experiência. Seu escritório desenvolve projetos para empresas como Google, Samsung, Natura, Nike e Coca-Cola e acumula participações em eventos internacionais de arquitetura e design.

Para Krzyuy, a presença de profissionais com trajetórias tão diferentes ajuda a ampliar o debate sobre computação avançada. “A transformação não acontece apenas dentro de laboratórios ou empresas de software. Ela chega ao modo como produtos são desenhados, serviços são prestados, operações são administradas e decisões são tomadas”.

Tecnologia também passa pela regulação

Outro aspecto que ganha espaço na programação é a relação entre tecnologia e ambiente regulatório. A Reforma Tributária, por exemplo, não é apenas uma questão fiscal para as empresas de tecnologia; a transição para um novo modelo de tributação envolve sistemas, dados, integração entre plataformas, emissão de documentos fiscais e adaptação de processos.

O mesmo vale para ESG. À medida que empresas precisam transformar compromissos ambientais, sociais e de governança em indicadores e processos verificáveis, a tecnologia passa a ter papel na coleta, organização, rastreabilidade e análise dessas informações.

Durante o encontro, acontece o lançamento do Prêmio ESG e Inovação, iniciativa que será estruturada para começar a valer em 2027. O anúncio amplia o escopo da discussão: a inovação passa a ser tratada também a partir de seus impactos e da capacidade das empresas de desenvolver soluções que combinam tecnologia, competitividade e responsabilidade.

“A demanda por ESG vem crescendo entre as empresas. Mesmo com a pauta de diversidade e equidade em baixa, questões ambientais, como descarbonização da cadeia e adaptação climática, além de temas trabalhistas e de governança, como transparência e combate à corrupção, estão ganhando espaço. As empresas de tecnologia precisam se posicionar, especialmente porque a cobrança sobre a cadeia de fornecedores tende a aumentar a cada ano”, afirma Leo Tostes, diretor de ESG da Assespro-PR.

Segundo Tostes, o prêmio também busca mostrar como essas práticas podem gerar valor para os negócios e para a sociedade. “A Assespro-PR quer estimular as empresas a transformar ESG em diferencial competitivo e conhecer iniciativas que já existem entre nossos membros, mostrando como são aplicadas e seus impactos positivos no negócio, na sociedade e no meio ambiente.”

A iniciativa também aproxima a ESG da inovação. “Ao conhecer esses cases, queremos destacar importantes inovações do setor de tecnologia. Inovar é uma forma de gerar sustentabilidade econômica para os negócios, especialmente neste momento em que usamos cada vez mais inteligência artificial, uma tecnologia que vai impactar substancialmente empresas, pessoas e mercado”, completa.

Crédito da imagem: Pexels

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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