Receita Federal estabelece a tributação sobre dividendos distribuídos

A Instrução Normativa nº 1.397/2013, nova regra da Secretaria da Receita Federal publicada em setembro no “Diário Oficial da União”, tende a dificultar a distribuição de dividendos das empresas para os seus sócios ou acionistas. A normativa onera os gastos operacionais e repele investimentos de grandes grupos no país, ao estabelecer tributação sobre parte dos dividendos distribuídos aos sócios residentes tanto no Brasil como no exterior.

Segundo o Fisco, os dividendos não tributados devem ter como base o lucro apurado de acordo com critérios contábeis vigentes em 2007. Caso, por utilizar as normas contábeis internacionais (introduzidas em 2008), o lucro contabilizado seja superior ao parâmetro estabelecido pela Receita, então este “excesso” deverá ser tributado. Com a nova regra, parte dos dividendos pode ser tributada pelo IRPJ e pela CSLL, no caso de recebimento por Pessoa Jurídica instalada no Brasil, e de acordo com a tabela progressiva do Imposto de Renda, para Pessoa Física.

De acordo com Monroe Olsen, advogado tributarista e sócio do escritório Andersen Ballão Advocacia, de Curitiba, a normativa afetará a maioria das empresas a partir de 2014, quando as organizações começam a distribuir os dividendos, entretanto as consequências passam a ser sentidas pela economia já em 2013. De acordo com o advogado, contudo, é possível que a Receita Federal também questione dividendos já distribuídos, já que as novas normas contábeis estão em vigor desde 2008. “A nova diretriz provoca uma insegurança jurídica e econômica, já que a Normativa não respeita o Princípio da Legalidade e ignora o que já prevê a legislação Tributária”, alerta.

Além disso, a Instrução Normativa 1.397/2013 determina que as empresas apresentem nova declaração chamada de Escrituração Contábil Fiscal, com o objetivo de demonstrar a escrituração do contribuinte conforme normas contábeis vigentes em 2007. “Isso aumenta o Custo Brasil. Aqui é preciso cerca de 2.600 horas para responder a todas as exigências contábeis e tributárias feitas pela Receita Federal. A título de comparação, os nossos irmãos chilenos gastam, em média, 291 horas, o que já é alto se considerarmos o que acontece nos países desenvolvidos. Essa diferença significa mais gastos com a adequação de sistemas, contratações de mão de obra e qualificações para entender a burocracia excessiva”, analisa Olsen.

As novas regras repelem, inclusive, investimentos estrangeiros no país. “A Normativa encarece e dificulta a distribuição de dividendos. Isso desestimula as aplicações internacionais no Brasil, alonga o prazo de retorno do investimento e gera uma incerteza de mercado”, finaliza Monroe Olsen. O advogado tributarista acrescenta ainda que as disposições da Instrução Normativa são altamente questionáveis, especialmente em relação à possível tributação dos dividendos que, por Lei, são considerados rendimentos isentos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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