Mais que limpar o nome, é preciso uma faxina financeira

Reinaldo Domingos
Reinaldo Domingos

Só quem já esteve na lista de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito sabe como é e a dificuldade que se enfrenta por causa disso. Por isso, é grande a busca de brasileiros por opções para limpar o nome. Contudo, para quem quer mudar definitivamente sua situação financeira, recomendo cautela, pois, não adianta apenas combater o efeito do problema, mas também a causa, que é a falta de educação financeira.

Está com nome sujo quem possui alguma dívida com pagamento atrasado, isto é, quem está inadimplente. Em função disso, geralmente, o consumidor sofre com diversas sanções na hora de realizar compras ou de outras ações. Uma boa alternativa para os brasileiros são participar de Feirões Limpa Nome, que possibilitam a negociação das dívidas diretamente com os credores, com condições especiais de pagamento.

Com certeza, essa é uma ótima oportunidade para que as pessoas limpem os seus nomes, contudo, é fundamental que se honre os acordos firmados e que se planeje para que o problema não volte, como ocorre na maioria das vezes. Por isso, sempre faço um importante alerta para as pessoas saberem calcular o impacto de financiamentos (cartão de crédito, cheque especial, financiamento da casa própria, do carro e de eletrodomésticos, entre outros) em seu orçamento, com dicas práticas do que fazer antes de optar por uma linha de crédito e evitar o endividamento, como também orientações para quem já está endividado.

Entenda como as pessoas se endividam

Para que o consumidor deixe de ser inadimplente, é preciso, antes de qualquer coisa, que entenda que o ciclo de endividamento se constitui de causas como analfabetismo financeiro, consumismo, marketing publicitário e crédito fácil; de meios – cheque especial, cartão de crédito, crediário, crédito consignado, empréstimos, adiantamentos e antecipação do IR -; e de efeitos – problemas conjugais, problemas de saúde, desmotivação, baixa autoestima, produtividade reduzida, atrasos e faltas no trabalho.

Para quebrar esse ciclo, é necessário ajudar a ampliar o repertório da população sobre finanças, de forma consistente e carregada de sentido prático, para que assimilem, o mais cedo possível, a importância do equilíbrio financeiro para o bem-estar individual e social.

Em geral, a ciranda financeira segue o seguinte compasso: se a prestação da casa ou do carro não está cabendo no orçamento, a pessoa passa a pagar todas as demais despesas no cartão de crédito, imaginando que assim, sobrará recurso para pagar suas principais dívidas. Dentro de poucos meses, no entanto, já não conseguirá quitar a fatura do cartão e passará a pagar a parcela mínima, até que entre algum recurso extra. Mas isso não acontece e a saída é recorrer também ao cheque especial. Chega o começo do outro mês e a história se repete. O salário recebido é suficiente apenas para cobrir o limite do cheque especial. Junto, vem o débito referente aos juros do período mais a parcela mínima do cartão. Sem alternativa, deixa-se de pagar a prestação da casa ou do carro.

Quando se dá conta, a pessoa está endividada de todos os lados, correndo o risco de ficar inadimplente e sem linhas de crédito. Há quem provoque a própria demissão para usar os recursos dos direitos trabalhistas a fim de solucionar o problema. Quando percebem que o dinheiro não é suficiente, buscam empréstimo. E assim segue até chegar ao fundo do poço.

Caminho para reverter a situação

A solução é fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas, separando os itens em “essenciais” e “não essenciais”, priorizando o pagamento das essenciais para evitar o corte de serviços indispensáveis. Deve-se também priorizar as dívidas que têm as taxas de juros mais altas. Provavelmente, serão as dos empréstimos adquiridos junto ao sistema financeiro. Se assim for, o melhor é procurar o gerente e pedir que junte num mesmo pacote as dívidas de cheque especial, cartão de crédito e demais empréstimos e negociar uma linha de crédito diferente, mais alongada, com juros médios que não ultrapassem 2,5%, cuja prestação seja menor do que o valor total dos juros que a pessoa pagava mensalmente.

A partir desse acordo com o banco, o devedor estará pagando não mais apenas os juros, e sim o valor principal, fazendo com que a dívida seja efetivamente liquidada ao longo do tempo. Se não houver possibilidade de acordo com a instituição financeira ou se a parcela negociada não couber no orçamento, será melhor poupar para, quando for procurado pelas empresas de recuperação de crédito contratadas pelos bancos, tenha melhores condições de negociar a quitação em valores menores.

Um último alerta é que os consumidores evitem, a qualquer custo, promessas milagrosas e com juros muito baixos de instituições ou pessoas que não são conhecidas. Um grande problema que observo é o constante crescimento de golpes, que se aproveitam das pessoas em desespero para tirar proveito e deixá-las ainda mais com problemas financeiros.

O artigo foi escrito por Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e Editora DSOP, autor dos livros Terapia Financeira, Livre-se das Dívidas, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, das coleções infantis O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro, além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

2 comentários sobre “Mais que limpar o nome, é preciso uma faxina financeira

  1. É.. as pessoas se endividam de formas realmente impressionantes. Boletos, cartões de créditos e contas super pequenas. Após isso não sabem nem por onde começar a limpar o nome sujo. Quem faz a “festa” são as empresas da ponta (SERASA, SCPC e SPC) que vendem seus serviços de consulta a uma população endividada relativamente grande..
    Reinaldo Domingos é um ótimo escritor, adoro seus textos, parabéns e ótimo fim de semana. Ah, e que vivamos em um mundo financeiramente educado.

  2. Não só as grandes empresas como SERASA Marcio, mas as empresas de negociação de dividas também danças nessa chuva de dividas. As pessoas endividadas, acabam pagando para empresas negociarem seus debitos. Eu mesmo já paguei em 2012 para negociarem uma divida minha, que no fim das contas eu acabei negociando com o banco, pois eles estacam sugerindo um deposito em juízo.

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