Comércio paranaense recua 3,1% em novembro
O faturamento real (descontada a inflação) dos estabelecimentos comerciais de varejo paranaense, na definição ampliada (que contempla, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças e de materiais de construção) caiu 3,1% em novembro de 2014 no confronto com o mesmo mês de 2013, ante recuo de 2,7% na média nacional, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os principais responsáveis por esse resultado foram os setores de livros, jornais, revistas e papelaria (-19,7%), material de construção (-9,20%), veículos, motocicletas, partes e peças (-6,0%), móveis (-5,4%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-3,0%).
No acumulado de janeiro a novembro de 2014 o comércio do Paraná apresentou redução de 3,0%, frente queda de 1,6% do Brasil. Os ramos que mais influenciaram negativamente para o decréscimo das vendas foram os livros, jornais, revistas e papelaria (-20,8%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-18,5%), veículos, motocicletas, partes e peças (-10,9 %) e móveis (-6,5%).
Em doze meses, encerrados em novembro de 2014, as vendas reais do comércio varejista regional caíram 2,1%, versus queda de 1,2% na média nacional. As principais contribuições para essa performance vieram dos segmentos de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-18,3%), livros, jornais, revistas e papelaria (-18,2%) veículos, motocicletas, partes e peças (-9,8%) e móveis (-6,0%).
Na mensuração restrita (que não considera os ramos de veículos, motos e material de construção), o volume de vendas no Estado subiu 0,6% no mês de novembro e avançou 2,4% no acumulado do ano e 3,1% em doze meses (terminados em novembro). No Brasil, o faturamento comercial mostrou variação positiva de 1,0% no mês, e crescimento de 2,4% no ano e 2,6% em doze meses.
A rota descendente do varejo paranaense em 2014 evidencia o quadro de redução da renda líquida disponível dos consumidores, em decorrência da combinação de alguns fatores desfavoráveis, com ênfase para o declínio da geração de empregos e da intensidade de reajustes reais de salários, o aumento do endividamento das famílias, a elevação dos juros e, principalmente, a exacerbação das incertezas em relação ao futuro.
Só a título de exemplo, segundo a Associação Nacional dos Executivos em Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros médios pagos pelos consumidores nas compras a prazo estão em 104,4% ao ano, sendo 258,3% no cartão de crédito, o maior patamar em 15 anos.
O artigo foi escrito por Francisco José Gouveia de Castro, economista do Núcleo de Macroeconomia e Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES )



