2015: mudanças e oportunidades

Como garantir o futuro, num país onde a maior certeza são as incertezas? Como ser feliz em meio a tantas pressões e apelos? Como direcionar a carreira profissional? Indo para Brasília no ano passado, ouvi um interessante relato do meu companheiro de voo: “Trabalhava como um tufão e não via o tempo passar, minha vida estava fora de controle, do lado afetivo e financeiro, na verdade estava anestesiado pelas metas que conquistava. As frequentes viagens de trabalho serviam de justificativa para a ausência de relacionamentos estáveis e para a falta de proximidade com família e amigos. O estar só era uma constante aliviada no consumo exagerado de bebidas, comidas e analgésicos. Por isso, gastava muito… até que num acidente de carro quebrei as pernas (literalmente). Tive que ficar ‘parado’, entrei em crise e hoje falo que foi a melhor crise, porque graças à ela, resgatei a minha vida. A crise ‘acendeu a luz’, para entender que no ‘escuro’, aceitamos seguir sem enxergar, mesmo sabendo que pode ter muita coisa ao nosso redor. Acredito que por isso temos tanto medo, medo de ver o que precisamos assumir: a nossa própria vida. Enfim, mudei minhas prioridades porque descobri que a felicidade mora no poder da escolha”.
O cenário vivenciado por cada profissional em seu contexto, revela várias possibilidades, desde mudanças comportamentais, de atividades ou até de emprego. O que vale como reflexão aqui, é a atitude individual, ou seja, as definições pessoais de prioridades e estilo de vida. Cada um de nós tem uma forma única de enxergar os movimentos da vida, e a ideia é como ampliar essa visão para romper as barreiras naturais dos medos.
É interessante pensar que temos medo do novo, como se não tivéssemos consciência que a cada dia quando acordamos, vamos enfrentar uma nova realidade. Temos a falsa ilusão de que tudo estará como deixamos no dia anterior. Nossa sensibilidade e nossa percepção parecem ter sido blindadas pela multiplicação de informações do cotidiano.
A vida acontece na mudança. É um movimento contínuo de interatividade mental e orgânica. Por isso, viver de verdade significa aderir conscientemente às mudanças. E mais, aprender a se desenvolver com elas.
E como se faz isso? Como podemos ficar conscientes dos benefícios das mudanças diárias inevitáveis? Assumindo a AGP – agenda da gestão pessoal: DEFINIR – DECIDIR – EXECUTAR – AVALIAR – RECOMPENSAR. Muitos conseguem definir o que querem profissionalmente, mas não decidem como obter aquilo que definiram, e alguns até decidem, mas não executam. Os que executam são aqueles que muitas vezes se destacam. Entretanto, se não avaliam o que fazem, podem instalar a síndrome do “sou o melhor”. Por isso, é importante avaliar se o que foi feito está de acordo com o que foi definido e criar uma justa recompensa.
Vale dar o devido crédito do mérito e reconhecer o valor da própria atuação. Aqueles que fazem isso, podem sentir o frescor de cada dia. Eles assumem o risco da mudança como energia para construir caminhos viáveis diante das possíveis adversidades. Eles buscam sempre traduzir as próprias realizações em legados.
Comece com coisas pequenas, com o firme propósito de assumir o processo do seu desenvolvimento. Não espere que os infortúnios da vida imponham as mudanças. O tempo passa rápido, mas não atentamos para o fato de que isso revela o nosso “prazo de validade”: E que precisamos aproveitar os movimentos da vida como oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. Então, vamos aproveitar 2015, pois quanto mais instável é o cenário, maiores são os incentivos para o nosso potencial de atuação.
Tópicos para reflexão:
– Use a agenda da gestão para reposicionar sua carreira
– Inspire-se nos projetos que deram certo
O artigo foi escrito por Mara Beckert, Mestre em Administração de empresas pela Universidade de Extremadura na Espanha e pela UFSC, especialista em Administração de Recursos Humanos pela FAE Business School. Graduada em Administração pela FAE. Doutoranda em Administração de Negócios pela Wisconsin International University, Estados Unidos. Sua experiência profissional inclui consultoria em empresas públicas e privadas. Co-autora dos livros (Capacitação e Desenvolvimento de Pessoas) pela FGV Editora e Gestão de Pessoas nas Organizações Públicas pela Editora Juruá. Professora dos cursos de MBA da FGV Management. Coordenadora do Programa de Capacitação de Conselheiros Cooperativos do ISAE/FGV.




