O potencial competitivo do Paraná e o agronegócio

Gilmar Mendes Lourenço.
Gilmar Mendes Lourenço.

Em meio a mais extensa e aguda recessão econômica já registrada pelo Brasil, o ranking de competitividade dos estados, preparado pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), entidade de pesquisas da revista The Economist, e o Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com a consultoria Tendências, posicionou o Paraná em segundo lugar, entre os 27 espaços geográficos, em 2015 e 2016, atrás apenas de São Paulo.

O esforço de investigação e apurações, realizado por aquelas instituições, leva em conta a performance das unidades federativas em distintas variáveis, englobando educação, sustentabilidade ambiental, segurança pública, infraestrutura econômica, finanças públicas, atmosfera regulatória, dentre outros itens resultantes do levantamento, tratamento, consistência e sistematização de dados e informações, expressos em 65 indicadores capazes de subsidiar as escolhas estratégicas dos agentes públicos e privados e otimizar o ambiente de funcionamento das instâncias governamentais e corporações privadas, nas frações subnacionais.

Por uma ótica prospectiva, parece evidente a acumulação, ao longo dos últimos anos, de trunfos que habilitariam a economia paranaense a protagonizar o espetáculo de retomada do crescimento econômico brasileiro, quando este for viabilizado pela superação política dos obstáculos de natureza fiscal e à aprovação das reformas estruturais imprescindíveis à compressão de custos e impulsão da eficiência microeconômica da nação.
Dentre as pedras preciosas garimpadas pelo Estado sobressai a restauração da capacidade de endividamento, com a menor relação dívida/arrecadação (0,41), no universo das unidades consideradas mais desenvolvidas, e a terceira menor taxa de extrema pobreza (US$ 1,25 per capita/dia) do País, atrás de Santa Catarina e São Paulo, segundo o Banco Mundial.
O Paraná também ganhou, no certame nacional, a posição de quarta economia, suplantando o Rio Grande do Sul, e terceira indústria de transformação, superando o Rio de Janeiro, e contabilizou a atração de mais de R$ 40 bilhões em projetos industriais privados, nacionais e estrangeiros, entre 2011 e 2016, constituindo a maior carteira do País, quando referenciada à dimensão dos negócios em cada região.
Por certo, o Estado não representa uma “ilha da fantasia” em um oceano dominado por profunda crise. Tanto que o sistema produtivo regional vem reproduzindo o cenário de retração dos níveis de atividade, registrados pelo País desde o começo de 2014.
Contudo, as estatísticas correntes demonstram que a conjuntura de instabilidade tem se revelado menos intensa no território paranaense. Prova disso são os decréscimos de -6,9% na produção industrial, entre janeiro e julho de 2016, contra -8,7%, em âmbito nacional, e de -3,0% no produto interno bruto (PIB), no primeiro semestre de 2016, ante queda de -4,6% para a média do Brasil, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES).
Ademais, a geração líquida de empregos com carteira assinada recuou -0,8%, no intervalo compreendido entre janeiro e agosto de 2016, versus -1,6% para o País, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
A taxa de desemprego no estado subiu de 6,2% da população economicamente ativa (PEA), no segundo trimestre de 2015, para 8,2% da PEA, entre abril-junho de 2016, sendo a quinta menor entre os entes federados, perdendo apenas para Santa Catarina (6,7%), Mato Grosso do Sul (7,0%), Rondônia (7,8%) e Roraima (8,0%). Enquanto isso, a nação observou salto na desocupação de 8,3% da PEA para 11,3% da PEA, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE.
Ainda no terreno do mercado de trabalho, apesar de o rendimento médio real (com desconto da inflação) ter caído mais que o dobro do Brasil, no período em pauta (-6,5% versus -3,0%), ainda encontra-se 7,0% acima do patamar nacional, sendo o quinto maior, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amapá.
Essencialmente, a retração menos acentuada da matriz de transações local, vis a vis a média nacional, deriva do funcionamento de uma base produtiva diferenciada, ainda marcada por fortes nexos com o agronegócio que, além de representar a terça parte do PIB no Estado, é detentor de maior envergadura competitiva, a despeito dos custos crescentes da porteira para fora dos estabelecimentos rurais e das indústrias, fruto da ausência de políticas públicas consistentes voltadas ao setor, na contramão do que acontece no resto do mundo.
É prudente lembrar que o agronegócio é o grande responsável pela solvência externa do País, a partir da produção de contínuos e enormes superávits comerciais, graças a intransigente perseguição de ganhos de eficiência, pela iniciativa privada, com forte presença e participação das cooperativas, das entidades estaduais de pesquisa e extensão rural e da Embrapa, um verdadeiro oásis no deserto da administração pública federal.
No Paraná, dos treze ramos acompanhados pela pesquisa industrial mensal – produção física (PIM-PF), do IBGE, apenas três exibiram expansão, nos sete primeiros meses de 2016, sendo um deles a fabricação de alimentos. Trata-se de cadeias produtivas com apreciável aderência aos estímulos de mercado, sintetizados, em 2016, na elevação de 10,5% nas cotações internacionais da soja, associada aos reduzidos níveis de estoques, sobretudo nos Estados Unidos, e na estabilização dos preços do milho. Só a título de exemplo, ¾ do valor bruto da produção da agropecuária estadual provém das lavouras de soja e milho e da avicultura.
O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é Economista, Consultor, Professor da FAE Business School, Ex-Presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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