Indústria brasileira – saída da recessão e sinais de estagnação

Apesar de amargar queda de 1,8% no mês de março de 2017, em relação a fevereiro, a produção industrial brasileira subiu 0,6% no primeiro trimestre do corrente ano, em comparação com igual período do exercício anterior, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do primeiro resultado positivo desde janeiro-abril de 2014, quando o parque fabril do País experimentou evolução de 0,7%.
Tal desempenho representa, tecnicamente, a superação da recessão, que durou 11 trimestres, sendo a mais longa e profunda da história republicana. Observou-se crescimento em 15 dos 26 ramos acompanhados, 47 dos 79 grupos de produtos e 53% dos 805 produtos integrantes da pesquisa.
Porém, o movimento ascendente ainda deve ser entendido como uma discreta expansão, fruto da base de confronto bastante deprimida, referente a janeiro-março de 2016, puxada por bens de consumo duráveis (10,5%) e de capital (4,4%). Para bens intermediários e de consumo não duráveis e semiduráveis foram apurados decréscimos de -0,4% e -0,6%, respectivamente, em face da paralisação dos investimentos públicos e deterioração do mercado de ocupações, respectivamente.
De fato, as estatísticas atestam uma recuperação concentrada no comportamento de um número reduzido de produtos como minério de ferro, petróleo e material de transporte, fortemente influenciado pela impulsão da demanda e dos preços internacionais, incapaz de incitar um processo de retomada generalizada do setor industrial, elemento dinâmico de qualquer economia capitalista, por conta dos enormes efeitos multiplicadores para frente e para trás.
Aliás, é prudente lembrar que o complexo de transformação, espaço nobre de agregação de valor e inovação, sofreu acentuado encolhimento de participação no produto interno bruto (PIB) no Brasil, passando de 17,8%, em 2004, para 11,7%, em 2016. A ciência econômica chama-se esse fenômeno de desindustrialização.
O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista, consultor, professor da FAE Business School, ex-presidente do IPARDES.



