A riqueza inglesa e a pobreza brasileira

José Pio Martins.

Em recente viagem de nove dias à Inglaterra, procurei prestar atenção nas diferenças que explicam por que o Brasil, sendo rico de recursos naturais, é tão pobre e a Inglaterra é rica. Após a recessão dos últimos anos e com o aumento da população, a renda por habitante brasileira está na faixa de US$ 10,2 mil ao ano, enquanto na Inglaterra está em US$ 38 mil/ano. Ou seja, a renda per capita brasileira é pouco mais que um quarto da inglesa.

O produto nacional de um país deriva de quatro fatores essenciais: capital físico, capital humano, recursos naturais e conhecimento tecnológico. O produto total anual dividido pela população dá o valor da renda por pessoa. Qualquer estudante de Economia diria que a resposta começa no fato de que, na Inglaterra, o capital físico comparado com a população é muito maior e mais moderno que no Brasil. Isso daria boa explicação, mas não é tudo.

Na Inglaterra, o conhecimento tecnológico incorporado ao sistema produtivo e o grau de qualificação profissional dos trabalhadores são maiores e melhores. Somando esses dois fatores com o capital físico e comparando todos lá e cá, a explicação primária para a diferença de desenvolvimento está dada. Entretanto, a pergunta não respondida é outra: por que razão o capital, o trabalho e o conhecimento tecnológico na Inglaterra são tão superiores ao Brasil?

Não há resposta fácil. Embora a compreensão dessa problemática tenha raízes na história, na cultura, na política e na sociologia, uma razão importante está na ética do trabalho, na disciplina social e num aspecto que quero destacar: o valor do indivíduo, a relação com o outro, o respeito ao semelhante e a importância da vida humana.

Que fique claro: a Inglaterra está longe de ser um país perfeito, mas, comparada conosco, eles já conquistaram patamares de avanço que estão muito à frente do Brasil. Não tenhamos ilusões: o Brasil é muito pobre. Não estamos falando de uma diferença de renda por habitante de 40% ou 50%. A renda por pessoa daquele país é quase quatro vezes a do Brasil. É uma diferença gigantesca em termos de possibilidades de padrão de vida.

Pensando no assunto, me veio à mente a passagem do filósofo e educador austríaco Martin Buber (1878-1965), em sua obra mais densa e bela, intitulada Eu e Tu (1923), em que ele trata da filosofia do diálogo, da relação com o outro. Buber nos fala da relação dialógica não apenas como as relações fundadas no diálogo verbal, mas da relação com o outro em termos integrais. Ele definiu duas atitudes distintas do homem diante do mundo e de seu semelhante. Uma delas é a atitude do “Eu-Tu” (relação), que é o encontro entre dois parceiros em atos de reciprocidade e confiança mútua.

A forma como nos relacionamos com nosso semelhante, com a sociedade, com a natureza e com o Estado – isso a que chamamos de “cidadania” – dá a medida de nossa ética e nossa capacidade produtiva coletiva. Na Inglaterra, séculos de história criaram uma cultura de respeito pelo espaço público, pelo dinheiro público, pelas regras de convivência coletiva e, principalmente, de respeito pelo outro.

Lá, a violência social e o número de crimes é coisa pequena, e as pessoas andam sem medo por qualquer rua a qualquer hora da noite. Eu mesmo fiz isso várias vezes. Alguém dirá que acabamos de ver um atentado terrorista em Manchester. Mas isso é outra coisa. Não se compara com as 60 mil pessoas que morrem assassinadas no Brasil a cada ano – nenhuma por atentado terrorista.

O artigo foi escrito por José Pio Martins, que é economista e reitor da Universidade Positivo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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