FAE: Por que o melhor ensino privado de economia do Paraná?

Gilmar Mendes Lourenço.

No ano em que completa sessenta anos, o Curso de Economia da FAE, o terceiro mais antigo do Paraná, tendo surgido depois dos congêneres da Fundação de Estudos Sociais do Paraná (FESP) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), obteve novamente, em setembro de 2017, a primeira colocação entre as instituições privadas de educação superior do Estado, de acordo com os scores divulgados pelo Ranking Universitário do Jornal Folha de São Paulo (RUF).

Trata-se de criteriosa investigação, empreendida por aquele conceituado veículo de comunicação nacional, no intervalo de tempo compreendido entre 2012 e 2017, a partir da tabulação de informações oriundas de sondagens eminentemente qualitativas, baseadas em apreciações técnicas efetuadas por professores avaliadores, credenciados pelo Ministério da Educação, e consultas junto a profissionais do meio empresarial.

Conforme as regras de mensuração do RUF, dentre as 21 (16 entidades foram objeto da pesquisa da Folha) dedicadas ao ensino de Economia no território estadual, abrangendo públicas e particulares, a FAE conquistou o terceiro lugar, ficando atrás apenas do comportamento de reconhecida excelência expresso na atuação da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e UFPR.

Aliás, o desempenho excepcional de algumas unidades públicas vem acontecendo mesmo em ambientes hostis, marcados por instabilidades no padrão de financiamento das instituições custeadas primordialmente pelos cofres governamentais, às voltas com perenes contingenciamentos e contrações de verbas, sob a justificativa de premência de feitura de arranjos fiscais da macroeconomia, o que torna os orçamentos verdadeiros reféns da cobertura, quase que exclusiva, do pagamento de salários de professores e funcionários.
A comenda endereçada à FAE deriva da conjugação entre passado e presente, ou melhor, da gradativa edificação e maximização de elementos virtuosos, por parte da Escola, com destaque para os compromissos e ações de permanente priorização de investimentos em modernização das instalações e equipamentos, capacitação e valorização do quadro de docentes e demais colaboradores, além do pleno envolvimento do corpo discente.

A propósito desse último ponto, convém frisar que isso ocorre a despeito da natureza reconhecidamente incompleta, na melhor das hipóteses, dos parâmetros de aferição da performance dos alunos formandos, definidos e aplicados periodicamente pelo Ministério.

Nesse particular, parece urgente a deflagração de um processo de ampliação da participação de conteúdos técnicos nas provas do Enade e inserção dos resultados no histórico escolar dos estudantes, o que resultaria em melhor desenho do potencial de inserção no mercado de ocupações e da própria constituição da reputação das diferentes entidades.

Ainda na linha do selo de qualidade da Economia/FAE, emerge a influência decisiva representada pelas escolhas estratégicas realizadas pela direção da Escola, ao longo de sua história, ancorada em professores de primeira grandeza, hospedados, ao mesmo tempo, no mercado e na academia.

De fato, desde as suas origens, o curso é beneficiado pelo empenho mútuo despendido por tais atores na descoberta de necessidades de adequações de rumos do dueto formado por transmissão de conhecimentos e informações e aprendizagem, pautadas pelas rápidas e pronunciadas transformações verificadas na dinâmica de funcionamento dos mercados, demandantes finais do produto da FAE, e incluindo frequentes revisões e avanços qualitativos nas matrizes curriculares.

É fácil perceber que, em um momento de regresso do protagonismo dos Economistas na formulação e execução de políticas públicas no Brasil, por meio da efetivação de ensaios com instrumentos direcionados ao desenvolvimento de longo prazo, o Curso de Ciências Econômicas da FAE permanece na dianteira, o que garante a preservação da forte correlação entre o glamour de uma entidade de ensino superior e a excelência da educação em Economia.

Por um olhar prospectivo, típico do economista, conhecido como possuidor de “olhos de águia”, em detrimento da exagerada defesa do emprego das planilhas financeiras, impregnadas de interesses de curto prazo, seria fundamental a designação de espaços reservados à construção de propostas voltadas ao desenvolvimento regional.

Até porque, há poucas dúvidas de que, a partir de 2019, o Brasil será palco de negociações políticas maduras para a formulação e execução de um conjunto de reformas institucionais, balizadoras da retomada duradoura do crescimento econômico, que abarcarão, dentre outras tarefas, a remodelagem federativa, escorada na inevitável descentralização de receitas e encargos no âmbito das três distintas instâncias de poder: união, estados e municípios.

Nessa perspectiva, o Curso deveria perseguir, de forma intransigente, a restauração de linhas de produção científica individualizadas, notabilizadas pela confecção de monografias de conclusão de curso que, no passado não muito remoto, tornaram a instituição parâmetro de competência na elaboração de trabalhos aderentes à economia regional, agraciados com inúmeros prêmios conferidos pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR).

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista, consultor, professor da FAE Business School, ex-presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *