WhatsApp no ambiente trabalho: utilidade ou futilidade?
Quem nos dias de hoje não participa de um grupo de WhatsApp da empresa? Ou então utiliza o famoso aplicativo de mensagens instantâneas para enviar aquela piadinha marota para o colega de trabalho durante o horário de expediente? Pois saiba que uma simples brincadeira como essa pode ter consequências mais sérias, como a demissão do funcionário, inclusive por justa causa. Em um país como o Brasil, no qual o número de celulares supera o número de habitantes, é necessário saber usar a tecnologia a seu favor, mantendo uma postura profissional, sobretudo em horário de trabalho. A orientação é da psicóloga especialista em coach de carreira, Cléia Soares.
Com passagens por grandes organizações como Coca-Cola, Positivo e Senac, Cléia afirma que o bom senso deve prevalecer na utilização do app, principalmente quando se está no ambiente corporativo. “Existe hora para tudo: trabalho, lazer. É preciso ter discernimento para separar as coisas. Por mais intimidade que se tenha com aquele colega de trabalho, até mesmo com seu superior, no horário de trabalho é aconselhável que apenas assuntos relacionados ao trabalho sejam discutidos. Não é o momento adequado para envio de piadas, vídeos, etc”, diz a psicóloga.
Junto com a popularização do WhatsApp, veio também o aumento de ações na Justiça do Trabalho. Existem vários casos de funcionários demitidos pelo meu uso do aplicativo. O bom senso no uso do app defendido por Cléia vale tanto para o empregado como para o empregador. Segundo ela, é bastante comum que os profissionais continuem sendo acionados pelo empregador ou cliente para tratar de assuntos de trabalho fora do horário de expediente. O que fazer diante disso? “Um instrumento maravilhoso de comunicação acaba virando nosso carcereiro particular, nos aprisionando em mais horas de trabalho. Se um cliente manda uma mensagem às 22 horas, normalmente se pensa: ‘e agora? Eu já vi e ele sabe que eu vi a mensagem. Sem pensar direito digita-se a reposta. A impressão é que o nosso cérebro não consegue dizer ‘não’, ‘espere… amanhã você vê o que ele quer’. Há um imediatismo em responder e assim continuamos mais um pouco nossa jornada de trabalho”, relata Cléia.
Proibição das empresas
Não são poucas as empresas que proibiram o uso do WhatsApp no ambiente de trabalho, de acordo com Cléia. A alegação é a queda da produtividade dos funcionários, por uso excessivo do aplicativo. “A experiência demonstra que proibir sem explicar causa revolta. O ideal é criar um clima de conscientização. Já presenciei empresas que fazem proibição: o funcionário alega que vai ao banheiro e faz utilização do aparelho. As idas ao toalete ficam cada vez mais demoradas. Acompanhei empresas onde os funcionários ficavam, em média, 2 horas por dia utilizando o celular (ligações, redes sociais, internet, mensagens). É hora de repensar o nosso modelo de gestão. A questão do celular reflete a cultura da empresa. Como as regras são estabelecidas e acompanhadas. Não há necessidade de advertência ou irritação por parte do gestor. Uma campanha de conscientização favorece o entendimento da situação”, pondera a psicóloga.


