Refinanciar a casa própria pode ser uma boa opção para que o empresário alongue o prazo de suas dívidas e pague juros menores

refinanciamento da casa própriaTem muita gente que pensa que casa própria e negócios jamais devem se misturar. Entretanto, este paradigma está sendo quebrado, e muitos empresários, principalmente de pequeno porte, estão encontrando no refinanciamento da casa própria a vantagem de alongar o prazo das dívidas da sua empresa e pagar menos juros do que as opções existentes no mercado. Por exemplo, enquanto o juro do crédito pessoal numa financeira chega a 7% ao mês, o custo mensal para refinanciar a casa própria é de pouco mais de 1%. Outra vantagem é o prazo para pagamento do empréstimo, que dependendo do valor pode chegar a 30 anos.

Eu conversei com o diretor geral do Conglomerado Financeiro Barigüi, Rodrigo Pinheiro, e ele chama a atenção  para o fato de que, na média, cada brasileiro tem hoje 22,5% da sua renda comprometida com o pagamento de dívidas porque os prazos  são curtos e o dinheiro é caro. Agora para refinanciar a casa própria, o empresário passa por um bom processo de avaliação, tudo para que o empréstimo seja tomado de forma consciente. O valor do pagamento mensal não pode ultrapassar 30%  da sua renda e o limite máximo de refinanciamento da casa própria é de 50% do preço do imóvel.

Um bom exemplo de um empreendedor de Curitiba que conseguiu tornar seu sonho realidade é o de Edil Silvério.  Ele queria iniciar um  próprio negócio, mas esbarrava no crédito de curto prazo e nas altas taxas de juros . Para contornar esse empecilho, ele viu no refinanciamento da casa própria a possibilidade de tornar seu sonho realidade. No Conglomerado Financeiro Barigüi, ele tomou um empréstimo de R$ 56 mil e comprou uma van no valor de R$ 46 mil. O restante do dinheiro foi usado  para custear a abertura da empresa,  fazer a documentação e revisão do veículo exigida pelos órgãos. Silvério já está transportando 24 alunos fixos. Além disso, a van não fica parada no final de semana, quando utiliza o veículo para transportar turistas e executivos. Com o próprio negócio está conseguindo pagar o empréstimo.

Já Ademir Rodrigues da Silva conseguiu comprar um caminhão e se tornar autônomo para lidar com fretes. Até então, trabalhava com funilaria de caminhões, convivendo diariamente com seu desejo profissional. No caso de Silva, ele também fez a casa própria trabalhar a seu favor. O patrimônio, que representa dinheiro parado, foi refinanciado em parte. “Eu emprestei R$ 70 mil e comprei meu primeiro caminhão ao custo de R$ 60 mil”, orgulha-se.

Rodrigo Pinheiro
Rodrigo Pinheiro

De acordo com o diretor do Conglomerado Financeiro Barigüi, Rodrigo Pinheiro, o país deve apresentar aumento na procura por esse tipo de crédito, mais barato e com juros competitivos. “Com o crescimento do crédito imobiliário, os juros caem, o prazo se alonga e, consequentemente, o comprometimento da renda reduz significativamente”, observa.

Mesmo neste cenário, segundo o Banco Central, em agosto passado a estimativa é de que o Crédito Imobiliário representou 8,7% do PIB, enquanto nos mercados desenvolvidos está acima de 50% e cerca de 1% do crédito imobiliário no país é de refinanciamento de imóveis. Por isso, Pinheiro acredita na expansão dessa modalidade no país.

Já uma boa parte das pessoas que contrata o refinanciamento no Brasil utiliza o dinheiro exatamente para pagar dívidas mais caras e economizar com juros. Por exemplo: uma pessoa tem R$ 50 mil de dívida no cartão de crédito, quer quitar essa dívida cara e ainda precisa de mais algum dinheiro para despesas futuras. A pessoa pode dar a própria casa em garantia para tomar R$ 100 mil emprestados por meio de um refinanciamento: R$ 50 mil irão diretamente para o banco emissor do cartão de crédito como forma de saldar a dívida antiga e o resto irá para a conta do cliente. Mesmo que agora o consumidor deva o dobro (R$ 100 mil, e não mais R$ 50 mil), os juros totais pagos ao banco serão muito menores do que antes.

E outras pessoas já começam a usar o produto também para financiar casas que ainda nem foram quitadas. Imagine que alguém financiou a compra de uma casa de R$ 200 mil há cinco anos e que ainda precisa pagar R$ 50 mil ao banco para acabar com a dívida. Como os imóveis se valorizaram muito no período, é provável que essa mesma casa já valha hoje algo em torno de R$ 400 mil. Se estiver precisando de dinheiro, o dono desse imóvel pode tomar outro financiamento no banco, desta vez de R$ 150 mil, pagar os R$ 50 mil que deve hoje à instituição financeira que liberou o primeiro empréstimo e ainda ficar com R$ 100 mil no bolso para pagar ao longo dos próximos anos.

Refinanciamento de veículo – Para quem precisa de menos dinheiro (algo entre R$ 10 mil e R$ 30 mil) e não pode esperar muito pela liberação dos recursos, uma boa opção é realizar o refinanciamento de um veículo (automóvel, moto ou até caminhão) ao invés de usar a casa própria. A operação é bem parecida, mas os juros serão maiores (a partir de 1,90% + correção pelo IGP-M), o prazo máximo de pagamento será de cinco anos e os bancos geralmente não fazem refinanciamento de veículos com mais de 10 anos de uso. Algumas instituições financeiras vão liberar um empréstimo equivalente a até 90% do valor do veículo, de acordo com a tabela Fipe.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *