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Por que a taxa de desemprego está baixa?

O PIB do primeiro e segundo trimestre teve retração, o que indica recessão técnica. Na indústria, o índice que mede o número de horas trabalhadas caiu de 112 para 106 de agosto de 2013 para agosto de 2014, ou seja, queda de 5,35%. O Índice de utilização da capacidade instalada na indústria caiu de 83,3% para 81,5% na comparação entre agosto de 2013 e agosto de 2014. Nos serviços, o indicador Receita nominal de serviços cresceu 7,5% no mesmo período, porém como se trata de variação nominal, inclui-se a inflação do período, que foi de  6,51% no mesmo período pelo IPCA, resultando em crescimento real de 1%. O índice de variação o volume de vendas no comércio, que reflete o dinamismo do mercado interno, cresceu 3,6% no mesmo período, em termos reais.

No entanto, a taxa de desemprego da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de setembro foi de 4,9%, ante 5,4% no mesmo mês de 2013. Essa taxa é chamada de pleno emprego, quando o percentual de desempregados é muito baixo e as pessoas desocupadas estão apenas mudando de emprego. No entanto, como explicar um pleno emprego diante de uma recessão técnica?

Em primeiro, precisamos considerar que as empresa demitem funcionários só em último caso, pois há custos de demissão e de recontratação, que inclui treinamento e tempo de adaptação para que os novos funcionários atinjam a produtividade dos demitidos. Primeiro reduzem horas extras, depois dão férias individuais ou coletivas, colocam os funcionários em treinamento e, por fim, não observando a melhora do cenário, demitem. Assim, a atividade econômica retrai antes do aumento das demissões. Porém, é necessário analisar os dados do IBGE sobre desemprego que indicam essa taxa de pleno emprego.

O número de pessoas em Idade Ativa, isto é, número de pessoas de 10 anos ou mais de idade aumentou 1,06% de setembro de 2013 para setembro de 2014.
Especificação                      set/13       ago/14    set/14
Pessoas em Idade Ativa    42.985    43.380    43.439

O número de pessoas economicamente ativas, pessoas ocupadas na semana de referência e as pessoas desocupadas nessa semana com procura de trabalho no período de referência de 30 dias caiu 0,96% no mesmo período.
Especificação                                        set/13    ago/14    set/14
Pessoas Economicamente Ativas    24.522    24.360    24.286

Pessoas não economicamente ativas (pessoas em idade ativa que não foram classificadas como ocupadas nem como desocupadas na semana de referência)  aumentou 3,74%.
Especificação                                                 set/13    ago/14    set/14
Pessoas Não Economicamente Ativas    18.463    19.020    19.153

O número de pessoas ocupadas (pessoas que exerceram trabalho, remunerado ou sem remuneração, durante pelo menos uma hora completa na semana de referência ou que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana) caiu 0,39%.

Especificação             set/13    ago/14    set/14
Pessoas Ocupadas    23.194    23.139    23.103

O número de pessoas desocupadas (pessoas sem trabalho na semana de referência, mas que estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana e que tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de 30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do último trabalho que tiveram nesse período) caiu 10,95%.

Especificação                    set/13    ago/14   set/14
Pessoas Desocupadas    1.328        1.221      1.183

Assim, temos uma taxa de ocupação de 95,1% contra 94,6% em setembro de 2013, e taxa de desocupação de 4,9% contra 5,4% no mesmo período.

Especificação                                                                      set/13    ago/14    set/14
Taxa de Ocupação (Pessoas Ocupadas/PEA)               94,6%    95,0%    95,1%
Taxa de Desocupação (Pessoas Desocupadas/PEA)   5,4%       5,0%       4,9%

Ou seja, houve redução das pessoas ocupadas, mas também redução das pessoas desocupadas. Pela lógica, se a pessoa não está ocupada, então está desocupada. Logo, porque ambas reduziram?

Justamente porque a população economicamente ativa diminuiu, embora o número de pessoas em idade ativa tenha aumentado. Ou seja, não há mais empregos sendo gerados, há menos pessoas procurando emprego.

As despesas com seguro-desemprego e abono salarial aumentaram de R$4.445 bilhões em agosto de 2013 para R$9.653 em agosto de 2014, aumento de 117%, o que reforça a indicação de que há mais pessoas desempregadas. Quem está recebendo seguro-desemprego não está procurando emprego. Então, comparando os dados, tivemos aumento de 454 mil pessoas em idade ativa, mas redução de 236 mil pessoas economicamente ativa, o que significa que houve aumento de 690 mil pessoas não economicamente ativa, isto é, que não estão procurando emprego, embora não estejam empregadas.

Além disso, estar ocupado não significa trabalho formal: pode ser atividade sem carteira assinada, como venda de produtos em semáforos.

Para concluir, é necessário destacar que essa taxa de desemprego é medida apenas para as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, que embora sejam significativas na proporção de atividade econômica do país, não reflete o que está ocorrendo em cidades menores ou no interior.

O artigo foi escrito pela economista Leide Albergoni, professora da Universidade Positivo.

 

 

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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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