Despesas pessoais e profissionais: quando o dinheiro sai da mesma fonte

Lidar com dinheiro não é um jogo fácil para a maioria dos brasileiros. Fugir das dívidas, planejar os gastos, investir e poupar muitas vezes são metas que ficam no campo das ideias. A situação complica ainda mais quando se tem que administrar, ao mesmo tempo, as finanças pessoais e as da empresa. É que, para boa parte dos micro e pequenos empresários, a fonte de recursos é a mesma – o que mudam são as expectativas. Enquanto o foco da pessoa jurídica está no negócio, nos fluxos de caixa, na rentabilidade e nas vendas, para a pessoa física as necessidades são mais subjetivas – englobam família, sonhos e qualidade de vida.

Aproximadamente 500 mil novas micro e pequenas empresas solicitaram adesão ao Simples Nacional para o exercício de 2015. O número representa um aumento de 125% em relação às adesões para o exercício de 2014. Em meio a tantos novos empreendedores, uma preocupação é fundamental para a perpetuação destas organizações: estabelecer a divisão entre pessoa física e jurídica. Nada mais é do que colocar em prática a base da educação financeira que tanto o consumidor comum ouve em épocas de 13º salário: a mudança comportamental, de hábitos e de consumo. A linha que separa os gastos pessoais e os da empresa é tênue, mas pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso de um empreendimento.

O primeiro passo é o empreendedor listar seus gastos com a empresa e as despesas pessoais. Colocar tudo na “ponta do lápis”, separando as contas e diagnosticando excessos. É fundamental citar todos os gastos da empresa: do contador às contas de telefone. O objetivo é que, assim, se tenha domínio sobre quanto, de fato, custa o seu negócio por mês. É válido também mudar planos de celular, internet e saúde, geralmente com custos menores quando feitos para a pessoa jurídica, e fazer uma estimativa, em percentual, de quanto combustível e estacionamento se gasta com a empresa e com próprio uso.

Outro ponto é estipular um pró-labore, ou seja, o ganho mensal que a empresa paga para os sócios. O valor deve ser definido respeitando os custos mensais do empreendimento. Não adianta o empresário determinar para si um valor ínfimo mensal, pois dificilmente ele conseguirá manter o seu padrão de vida com essa quantia e acabará incorrendo no erro de misturar as contas de pessoa física com as de pessoa jurídica. Também não cabe estipular um valor muito alto, que pode comprometer a rentabilidade da empresa. É importante ainda que seja estabelecido qual será o percentual de ganhos que será reinvestido na empresa. Não são raros os casos de empresas que “quebram” justamente quando tentavam expandir suas atividades. Normalmente, em um momento de investimento, a saída é comprometer o capital de giro, o que é um grande erro.

Por fim, é inevitável pensar no futuro pessoal e nas incertezas econômicas. A pessoa física tem que estabelecer uma reserva mensal pessoal, enquanto a pessoa jurídica tem que definir reserva mensal para a empresa. Pelo menos 10% do ganho mensal devem ser poupados com o objetivo de utilizar este valor como capital de giro ou para reinvestimento na empresa. E no campo particular, lembrar-se das férias, aposentadoria ou doenças e outros imprevistos.

A partir desses pontos ficará mais fácil perceber o quanto esta mistura de dinheiro pode ser onerosa às economias particulares e ao seu negócio. Criando-se uma rotina financeira, vai ser possível desenvolver o hábito saudável de ordenar o dinheiro de forma coerente e ter controle total de suas economias, com rendimento real em ambas as contas.

O artigo foi escrito por Ana Carolina Borges Souza, especialista do segmento PJ do Sicredi.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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