O início do fim do Euro

Raphael Cordeiro
Raphael Cordeiro

Grécia, República Helênica, berço da filosofia e da ética, passa por um longo período de crise econômica, que pode resultar em sua saída da zona do Euro, muito em breve. No último dia 15 de abril, a agência de risco Standard & Poors rebaixou a nota da Grécia para CCC+, a quarta pior nota dentre vinte níveis, a qual indica que o devedor tem grande risco de inadimplência. No linguajar do nosso dia a dia, é como emprestar dinheiro para aquele parente enrolado que você sabe que não lhe pagará a dívida facilmente.

Mas como a Grécia chegou nessa situação? Essa resposta é simples. É o que acontece com a família que gasta mais do que recebe. É isso que vem ocorrendo com o país mediterrâneo. Seu saldo na Balança Comercial acumula déficits atrás de déficits e as contas públicas estão no vermelho há anos.

Como a Grécia não pode desvalorizar sua moeda, pelo fato de estar na Zona do Euro, tem barateado seus produtos com deflação. O índice de preços ao consumidor do país está negativo por vinte e cinco meses consecutivos, desde março de 2013. Esse fato, que inclui a queda nos salários, incentivou a população a eleger um partido de extrema esquerda, o Syriza, que levantou a bandeira do fim da austeridade fiscal.

Teria o partido vencido as eleições com um populismo barato? Talvez sim, pois não há outra saída ao país, a não ser cortar suas despesas públicas e readequar os salários à produtividade dos trabalhadores. Entretanto, não dá para desconsiderar o fato de que 25% da população está desempregada e muito insatisfeita com suas situações econômicas.

Mas há outra saída: sair da zona do Euro, voltar ao Drachma, desvalorizando-o para incentivar a exportação e gerar inflação para pagar as contas do governo, já que a dívida está em extraordinários 175% do PIB. Neste caminho, veremos a moratória externa e pouco desenvolvimento econômico por, pelo menos, mais uma década.

Intrigante é lembrar o fato de que Sócrates foi condenado a morte, 400 anos antes de Cristo, por defender a busca pelo conhecimento. Estariam novamente os governantes gregos querendo negar a realidade? Sim, mas saindo do Euro, eles, ao menos, não terão a quem culpar – e poderão focar na sua própria solução, mesmo que paliativa.

Avaliando a zona do Euro como um todo e o impacto da saída da Grécia, devemos nos preocupar, pois abre espaço para alguns outros países que passam por dificuldades similares, como Bélgica, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália saírem da zona do Euro. Isso sem falar na presidenciável francesa, Marine Le Pen, que, se eleita, promete fazer referendo para a França sair da zona do Euro, ou seja, a jovem moeda poderá entrar em decadência, antes mesmo de chegar na adolescência, e o eixo monetário do planeta se movimentará, mais uma vez.

O artigo foi escrito por Raphael Cordeiro, que  é consultor de investimentos, sócio da Inva Capital, coordenador do curso de EAD em Finanças Pessoais da Universidade Positivo e autor do livro “O Sovina e o Perdulário”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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